FCS (DCF) - Dissertações de Mestrado
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- O papel da nanotecnologia na garantia da salubridade e segurança alimentarPublication . Pereira, Sofia da Silva; Silva, CláudiaA crescente necessidade de produção agrícola e a tentativa de atenuar os impactos negativos do uso intensivo de pesticidas, são desafios atuais para a segurança alimentar e dos alimentos, levando à procura de soluções tecnológicas mais sustentáveis. Os compostos convencionais apresentarem um papel fundamental na proteção das culturas e no aumento da produtividade, mas a sua utilização excessiva associa-se a contaminação ambiental, à presença de resíduos nos alimentos e ao desenvolvimento de resistências por parte de pragas e agentes patogénicos. A nanotecnologia surgiu como área com elevado potencial, com novas abordagens para melhorar a produção agrícola, diminuir a contaminação ambiental e aumentar a segurança dos alimentos. Neste contexto, pretende-se compreender de que forma esta tecnologia pode contribuir para a promoção da salubridade e da segurança alimentar, explorando-se as suas principais aplicações na agricultura e na sinalização de resíduos de pesticidas, bem como uma análise dos benefícios e dos limites associados à sua utilização. Serão descritos os desafios científicos, regulamentares e industriais que restringem a implementação desta nova tecnologia. O presente trabalho consiste numa revisão narrativa sobre o papel da nanotecnologia na melhoria da segurança alimentar e dos alimentos, com particular ênfase na sua aplicação no controlo e na monitorização de pesticidas e uso em fertilizantes. Identificando-se o potencial desta tecnologia na promoção de sistemas agroalimentares mais eficientes, seguros e sustentáveis, provando-se, simultaneamente, a importância de uma investigação contínua e do desenvolvimento de estratégias regulamentares adequadas que assegurem uma integração segura, responsável e eficaz da nanotecnologia no setor agroalimentar.
- Evolução do consumo de analgésicos opioides em Portugal entre 2013 e 2025Publication . Miranda, Helena Nogueira; Carvalho, Márcia; Matos, CarlaA dor constitui um dos problemas de saúde mais prevalentes a nível mundial, exercendo um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos. Neste contexto, os analgésicos opioides assumem um papel fundamental no tratamento da dor moderada a intensa, sendo amplamente utilizados em diferentes contextos clínicos. Contudo, o aumento do seu consumo tem suscitado preocupações relacionadas com o desenvolvimento de tolerância, dependência e ocorrência de efeitos adversos, tornando crucial a monitorização dos padrões de consumo destes medicamentos. O presente trabalho teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre os analgésicos opioides e analisar a evolução da sua utilização em Portugal entre 2013 e 2025 e avaliar a evolução dos casos de intoxicação associados aos analgésicos opioides. Foi realizado um estudo observacional, descritivo e retrospetivo, através da recolha e análise dos dados relativos ao número de embalagens de analgésicos opioides dispensadas em farmácias comunitárias portuguesas, obtidos na base de dados Health Market Research®. Adicionalmente, foram analisados dados relativos às intoxicações por analgésicos opioides, obtidos através do Centro de Informação Antivenenos. Os resultados evidenciaram um aumento expressivo do consumo global de analgésicos opioides em Portugal ao longo do período analisado, verificando-se uma evolução de 5,41 para 14,09 Dose Diária Definida (DDD)/1000 habitantes/dia entre 2013 e 2025, correspondente a um crescimento de 160,7%. Os opioides fracos mantiveram uma clara predominância no consumo nacional, destacando-se a associação tramadol com paracetamol como o medicamento mais consumido e com maior contributo para o aumento global observado. Relativamente aos opioides fortes observou-se um crescimento de 0,99 para 3,31 DDD/1000 habitantes/dia, sendo o tapentadol a substância que apresentou o maior crescimento durante o período analisado, assumindo um papel cada vez mais relevante no padrão de consumo nacional. Adicionalmente, verificou-se uma tendência de substituição gradual dos medicamentos de marca por medicamentos genéricos em várias substâncias estudadas. Os resultados obtidos demonstram que o consumo de analgésicos opioides em Portugal tem vindo a aumentar de forma consistente, acompanhando a tendência observada noutros países europeus. O aumento concomitante das intoxicações relacionadas com analgésicos opioides reforça a importância da monitorização contínua dos padrões de utilização destes medicamentos, bem como da implementação de estratégias que promovam a sua utilização racional e segura.
- Evolução do uso de benzodiazepínicos em Portugal: uma análise de 2013 a 2025Publication . Festa, Eva Figueiredo Fernandes; Moutinho, Carla; Carvalho, MárciaA saúde mental constitui atualmente um dos principais desafios de saúde pública, assumindo particular relevância em Portugal, que apresenta uma das mais elevadas prevalências de perturbações psiquiátricas na Europa. Entre estas, as perturbações de ansiedade destacam-se pela sua elevada frequência e impacto na qualidade de vida, estando frequentemente associadas à utilização de benzodiazepinas. Neste contexto, a monitorização dos padrões de utilização destes medicamentos é essencial para apoiar estratégias de prescrição racional e políticas de saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar as tendências de consumo de benzodiazepinas em Portugal entre 2013 e 2025, com base em dados de dispensa em farmácia comunitária. Foi realizado um estudo observacional, ecológico e retrospetivo da utilização de benzodiazepinas ansiolíticas, sedativas/hipnóticas e antiepiléticas, recorrendo à base de dados da Health Market Research® (HMR), que abrange aproximadamente 2400 farmácias comunitárias em Portugal. O consumo foi estimado através da metodologia da Dose Diária Definida (DDD), sendo expresso em DDD por 1000 habitantes por dia (DHD), de acordo com a classificação “Anatómica, Terapêutica e Química” (ATC) da Organização Mundial da Saúde. A análise incluiu a estratificação por subclasse farmacoterapêutica, duração de ação e tipo de medicamento (genérico ou de marca). Observou-se uma diminuição global de aproximadamente 22% no consumo de benzodiazepinas ao longo do período em estudo. As benzodiazepinas ansiolíticas representaram a subclasse mais dispensada (cerca de 92% do total) ao longo de todo o período em análise, com valores de consumo substancialmente superiores aos das benzodiazepinas hipnóticas/sedativas (cerca de 7% do total) e das benzodiazepinas utilizadas como antiepiléticas (cerca de 1% do total). Em 2025, as cinco substâncias mais consumidas foram o alprazolam (DHD 27,0), lorazepam (DHD 22,7), o diazepam (DHD 10,6), o loflazepato de etilo (DHD 9,0) e o bromazepam (DHD 3,2). Todas apresentaram uma redução do consumo ao longo do período analisado, particularmente o diazepam (-29,3%) e o alprazolam (-23,4%). Em contraste com a tendência global observada, o consumo de clonazepam aumentou 158,3% entre 2013 e 2025, constituindo a principal exceção ao padrão de redução verificado nas restantes subclasses de benzodiazepinas. Os resultados evidenciam uma tendência global de redução no consumo de benzodiazepinas em Portugal, mantendo-se, contudo, o predomínio das benzodiazepinas ansiolíticas face às restantes subclasses, refletindo a elevada carga das perturbações de ansiedade na população portuguesa. Apesar da redução observada, o consumo de benzodiazepinas mantém-se expressivo, evidenciando a necessidade de políticas sustentadas de promoção da saúde mental, de educação terapêutica e de estratégias que promovam a utilização adequada e segura destes medicamentos.
- Etiologia, alterações metabólicas e tratamento do cancro da mamaPublication . Oliveira, Maria Inês Castro Martins e; Leal, Fernanda; Cardoso, Inês LopesO cancro da mama representa um dos maiores desafios da oncologia moderna, sendo a principal causa de mortalidade por cancro em mulheres a nível mundial. A sua elevada heterogeneidade biológica e molecular exige uma compreensão aprofundada dos mecanismos que impulsionam a progressão tumoral. Este trabalho tem como objetivo analisar os fatores etiológicos, as principais reprogramações metabólicas e as abordagens terapêuticas atuais e emergentes para esta patologia. A metodologia baseou-se numa revisão bibliográfica seletiva, recorrendo a bases de dados científicas como PubMed, ScienceDirect e Google Scholar. Os resultados destacam que o metabolismo das células tumorais sofre alterações drásticas, nomeadamente através do efeito Warburg, do aumento da síntese lipídica e da dependência de aminoácidos como a glutamina, com o intuito de sustentar a rápida proliferação celular. Conclui-se que o sucesso do tratamento depende da caracterização molecular precisa do tumor, permitindo a aplicação de estratégias terapêuticas personalizadas para os diferentes subtipos moleculares, incluindo os tumores luminais, HER2+ e o triplo negativo (TNBC).
- Nanopartículas para aplicação oncológicaPublication . Teixeira, Inês Rocha; Coelho, Maria JoãoDurante as últimas décadas, uma infinidade de nanopartículas foi desenvolvida e avaliada devido à potencial aplicação como agentes diagnósticos e terapêuticos. As nanopartículas terapêuticas visam entregar de forma mais eficiente um agente terapêutico ao local patológico, evitando a sua acumulação em órgãos e tecidos saudáveis. Atualmente as terapias para o tratamento de cancro são, de um modo geral, as mesmas que se utilizam desde há 40 anos e consistem basicamente em disseção cirúrgica, radioterapia e/ou quimioterapia. Estas terapias têm uma eficácia limitada, altos níveis de citotoxicidade e vários efeitos secundários indesejados. Adicionalmente, a natureza da doença é tal que, a menos que se destruam todas as células do cancro, as hipóteses de reincidência são elevadas e normalmente estão associadas a tumores mais agressivos e resistentes à terapia. A nanotecnologia proporciona uma nova forma de abordar esta doença, tanto a nível do diagnóstico, como da terapia e prevenção. Assim, o objetivo deste trabalho é fazer uma revisão de literatura de modo a analisar as vantagens e os principais obstáculos da nanotecnologia no tratamento oncológico, bem como avaliar os progressos obtidos na prática clínica com esta tecnologia. Para tal, a metodologia utilizada consistiu na pesquisa de artigos num banco de dados online, a PubMed. Para reduzir o número de artigos obtidos e tornar os resultados mais específicos, foram definidas palavras-chave e critérios de inclusão e exclusão. Como critérios de inclusão consideraram-se: o idioma (português e inglês), a data da publicação (últimos 15 anos) e a tipologia dos trabalhos publicados (revisões sistemáticas e narrativas). Excluíram-se todos os artigos que não atendiam ao objetivo do trabalho ou não respondiam aos critérios de inclusão definidos. Verificou-se que a nanotecnologia tem diversas aplicações ao nível de todas as fases do processo do cancro, e que, apesar dos bons avanços científicos alcançados ao longo dos últimos anos, ainda há muita informação a descobrir e muitos desenvolvimentos a estudar. No entanto, não existe qualquer dúvida que as mais recentes tecnologias (como o recurso a nanopartículas ou à inteligência artificial) assumirão um papel extremamente decisivo no futuro, no que toca à prevenção, diagnóstico e tratamento, não só do cancro como potencialmente de outras doenças.
- Avaliação das infeções bacterianas observadas numa unidade de cuidados continuados integrados de média e longa duração no norte de PortugalPublication . Neto, Sara Daniela Nunes; Cardoso, Inês Lopes; Machado, Joana QueirozObjetivo: Este trabalho teve por objetivo a caracterização do tipo de infeções adquiridas na população idosa internada em duas tipologias distintas da Rede Nacional de Cuidados Continuados: a Unidade de Média Duração e Reabilitação e a Unidade de Longa Duração e Manutenção. Metodologia: Foram recolhidos os seguintes dados na Unidade de Cuidados Continuados do Hospital Escola da Universidade Fernando Pessoa, durante o período compreendido entre Janeiro de 2017 e Dezembro de 2020: infeções adquiridas, tipo de tratamento, classe de antibióticos prescrita assim como a duração do tratamento, e, nos casos de terapêutica dirigida foram recolhidas informações sobre os microrganismos causadores da infeção e possíveis resistências a antibióticos. Resultados: Das 415 infeções observadas nas duas tipologias, verificou-se que 159 ocorreram na Unidade de Média Duração e Reabilitação e 256 na Unidade de Longa duração e Manutenção. Destas infeções as mais prevalentes foram as Infeções do Trato Urinário (n=218), seguindo-se as Infeções Respiratórias (n=137) e por fim as Infeções de Pele e Tecidos Moles/Úlceras de Pressão (n=43). Conclusão: A avaliação e consequentemente a caracterização das Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde, tem sido cada vez mais relevante com o intuito de minimizar a utilização de antimicrobianos, de modo a reduzir as resistências aos antibióticos e utilizar terapêuticas mais dirigidas para cada tipo de paciente e para cada tipo de patologia. Infelizmente nem sempre é possível realizar uma terapêutica dirigida pois na maior parte dos casos os pacientes que integram a Rede Nacional de Cuidados Continuados, são pacientes com comorbilidades, muitas vezes polimedicados, sendo, nestes casos, fundamental implementar uma estratégia terapêutica assim que possível para tratar a infeção.
- Modelos miméticos da unha utilizados para o estudo da permeabilidade de compostos bioativos em onicomicosesPublication . Soares, Samuel Bastos; Lopes, Carla Martins; Lúcio, Marlene Susana DionísioA unha humana (placa ungueal) é uma estrutura lamelar, composta maioritariamente por queratina, que desempenha funções de proteção e sensoriais, para além de um relevante papel estético. A sua baixa permeabilidade representa um desafio significativo no tratamento de patologias locais, como a onicomicose. Esta infeção fúngica crónica, causada predominantemente por fungos dermatófitos do género Trichophyton, é a doença ungueal mais frequente a nível global, com uma prevalência estimada de 5,5%, afetando sobretudo pessoas de idade avançada e indivíduos adultos do género masculino. As principais manifestações clínicas da onicomicose são a descoloração, o espessamento da unha, podendo levar a dor e desconforto significativo. Um diagnóstico com base na observação clínica, testes micológicos e diferenciais permite uma identificação mais detalhada do agente etiológico em causa. As opções terapêuticas, orais e tópicas, apresentam limitações importantes, como o risco de toxicidade sistémica e a baixa eficácia, respetivamente, devido à barreira imposta pela própria unha. A investigação de novas estratégias terapêuticas para aplicação tópica é, contudo, limitada pela escassez e as limitações de modelos experimentais, como os modelos ex-vivo e animais, que mimetizem fielmente as propriedades da unha humana. Neste contexto, esta dissertação tem como objetivo realizar uma revisão crítica dos modelos miméticos da unha desenvolvidos até à data, explorando o seu potencial como plataformas alternativas para o estudo da permeabilidade de compostos bioativos, visando a otimização da terapêutica da onicomicose.
- Atividade antitumoral de novos compostos em linhas celulares representativas dos tumores mais prevalentes em PortugalPublication . Martins, Ana Raquel Conde; Cerqueira, Fátima; Fernandes, RubenO cancro é uma das principais causas de mortalidade a nível global, sendo responsável por elevadas taxas de morbilidade e impactos socioeconómicos relevante. Apesar dos avanços no tratamento oncológico, são inúmeras as formas de cancro que continuam a apresentam resistência às terapias convencionalmente usadas, o que motiva a pesquisa e procura por novas estratégias terapêuticas. Os produtos naturais têm-se destacado nesse sentido, como fontes valiosas de compostos bioativos com potencial farmacológico. Neste trabalho, avaliou-se a atividade citotóxica de extratos, frações e compostos isolados das plantas de Fridericia platyphylla (FAB) e Clusia grandiflora (EBCG, DFCG e BZCG), em cinco distintas linhas celulares tumorais humanas: PC-3 (próstata), A549 (pulmão), HT-29 (cólon), Bx-PC3 (pâncreas) e MCF7 (mama). O ensaio de viabilidade celular foi conduzido através do método de MTT, permitindo determinar a concentração inibitória a 50% (IC50) para cada amostra. Foram testadas em sete concentrações diferentes com posterior análise dos resultados utilizando o software GraphPad Prism. O extrato e fração do fruto de C. grandiflora demonstraram atividade citotóxica acentuada, particularmente sobre a linha celular Bx-PC3. Esta seletividade é bastante relevante, tendo em consideração o comportamento agressivo do adenocarcinoma pancreático. O composto BZCG relevou uma atividade limitada e exclusiva contra PC-3, sugerindo que o efeito antitumoral observando para o extrato se pode dever a outro composto ou ao sinergismo entre os diversos componentes presentes no extrato. Por sua vez, o extrato FAB de F. platyphylla apresentou atividade específica contra Bx-PC3, ainda que menos potente comparativamente ao observado anteriormente para C. grandiflora, não evidenciando qualquer tipo de efeito relevante sobre as demais linhas celulares em estudo. Os resultados obtidos sustentam o potencial de C. grandiflora como fonte de compostos com atividade antitumoral, com distinção para o cancro pancreático. A atividade moderada, mas específica, do extrato FAB também levanta a hipótese sobre a sua possível seletividade. Estes dados justificam a continuação dos estudos, incluindo a extração e purificação de novos compostos, a análise da sua toxicidade em células não tumorais, a investigação das vias moleculares envolvidas na atividade antitumoral e a validação em modelos in vivo, com vista à identificação de promissores candidatos para a terapêutica do combate ao cancro.
- Má utilização dos produtos cosméticos e a segurança dos consumidores: uma scoping reviewPublication . Fernandes, Bárbara da Silva; Oliveira, Rita; Almeida, Isabel F.A presente scoping review investiga as atitudes, perceções e comportamentos dos consumidores que representam um risco para a sua saúde devido ao uso inadequado de cosméticos. O estudo, que seguiu as diretrizes PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses – extension for Scoping Reviews), focou-se em consumidores adultos, produtos cosméticos e os riscos para a saúde, incluindo reações adversas, efeitos secundários e efeitos tóxicos. A revisão conclui que a má utilização de produtos cosméticos é um desafio significativo para a segurança pública, abrangendo uma vasta gama de produtos como protetores solares, hidratantes, cosméticos para a área ocular e desodorizantes em spray. As principais causas identificadas para esta problemática incluem a falta de literacia em saúde dos consumidores e a perceção errónea de que produtos não medicinais são inerentemente menos perigosos. A complexidade da informação nos rótulos e a proliferação de desinformação, frequentemente veiculada por redes sociais ou influenciadores digitais, também contribuem. Outros fatores são a facilidade de acesso aos produtos, incluindo versões contrafeitas e adulteradas adquiridas online, e as lacunas regulatórias, como a dificuldade em distinguir categorias de produtos e a ausência de testes específicos para riscos de inalação em aerossóis. Fatores sociais, culturais e psicológicos, como a busca por padrões de beleza ou condições de saúde mental, podem levar a comportamentos de uso inadequado ou abuso. A utilização incorreta de produtos cosméticos pode originar consequências variadas e potencialmente graves. Entre os riscos encontram-se reações adversas dermatológicas, complicações resultantes de contaminação microbiológica, diminuição da eficácia de produtos destinados à fotoproteção e, em última instância, aumento da vulnerabilidade a doenças graves. Além disso, certas práticas culturais associadas ao uso de substâncias adulteradas podem desencadear reações alérgicas severas, enquanto o uso abusivo e intencional de determinados produtos, frequentemente relacionado com problemas de saúde mental, pode levar a lesões cutâneas significativas. Para minimizar estes riscos, o estudo sugere a implementação de uma estratégia abrangente, que inclua campanhas contínuas de sensibilização e educação sobre o uso correto, higiene, validade e armazenamento dos produtos. É crucial a rotulagem mais clara, transparente e padronizada internacionalmente, com instruções visuais sobre a quantidade e frequência de aplicação. O reforço dos mecanismos de regulamentação e uma maior responsabilidade da indústria cosmética na divulgação de informações científicas credíveis são igualmente importantes. A cooperação entre consumidores, profissionais de saúde e a indústria é determinante para garantir a segurança pública. As limitações do estudo incluem a escassez de literatura científica sobre o tema, a dificuldade de acesso a alguns artigos completos, a exclusão da literatura cinzenta (que pode omitir resultados importantes) e a falta de qualidade metodológica de alguns estudos existentes, o que pode afetar a generalização das conclusões. A subnotificação de casos de efeitos adversos na cosmetovigilância é também um constrangimento.
- Avaliação do consumo de fármacos usados no tratamento da perturbação de hiperatividade e défice de atenção em PortugalPublication . Arriscado, Alzira Emília Meireles Brandão; Capela, João Paulo SoaresAtualmente, em Portugal, encontram-se aprovados três fármacos para o tratamento da Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA): o metilfenidato, a atomoxetina e a dismesilato de lisdexanfetamina. O metilfenidato, introduzido em 2003, representa o agente mais antigo disponível no mercado nacional e permanece o mais frequentemente prescrito. O presente trabalho teve como objetivo analisar a evolução da prescrição e da dispensa dos fármacos aprovados para o tratamento da Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) em Portugal, entre 2003-2022. Foram incluídos os três fármacos atualmente disponíveis no país, metilfenidato, atomoxetina e lisdexanfetamina, com descrição sumária da sua farmacologia e utilização clínica. Os dados evidenciam um aumento progressivo do consumo global, com destaque para o metilfenidato, que desde 2003 se mantém como o fármaco mais prescrito e dispensado. Enquanto que a atomoxetina apresentou uma quota de mercado reduzida e estável, sendo utilizada sobretudo em casos específicos. Já a lisdexanfetamina, recentemente introduzida, revelou um crescimento gradual nas vendas, sobretudo em idade pediátrica e adolescente. A estratificação temporal mostrou um aumento mais acentuado do consumo no período pós-pandemia de COVID-19, possivelmente associado a um maior número de diagnósticos, à intensificação de sintomas durante o confinamento e ao reforço da procura por cuidados de saúde. Sendo que, para além de Portugal, verificou-se um padrão semelhante a outros países europeus, como Espanha e Itália, onde o metilfenidato predomina, contrastando com os Estados Unidos, onde as anfetaminas têm maior expressão. Em síntese, os resultados destacam como principal via de tratamento, o metilfenidato e em via de crescimento a lisdexanfetamina, reforçando a necessidade de monitorização contínua para assegurar uma utilização racional e adequada destes fármacos.
