FCS (DCF) - Dissertações de Mestrado
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- Modelos miméticos da unha utilizados para o estudo da permeabilidade de compostos bioativos em onicomicosesPublication . Soares, Samuel Bastos; Lopes, Carla Martins; Lúcio, Marlene Susana DionísioA unha humana (placa ungueal) é uma estrutura lamelar, composta maioritariamente por queratina, que desempenha funções de proteção e sensoriais, para além de um relevante papel estético. A sua baixa permeabilidade representa um desafio significativo no tratamento de patologias locais, como a onicomicose. Esta infeção fúngica crónica, causada predominantemente por fungos dermatófitos do género Trichophyton, é a doença ungueal mais frequente a nível global, com uma prevalência estimada de 5,5%, afetando sobretudo pessoas de idade avançada e indivíduos adultos do género masculino. As principais manifestações clínicas da onicomicose são a descoloração, o espessamento da unha, podendo levar a dor e desconforto significativo. Um diagnóstico com base na observação clínica, testes micológicos e diferenciais permite uma identificação mais detalhada do agente etiológico em causa. As opções terapêuticas, orais e tópicas, apresentam limitações importantes, como o risco de toxicidade sistémica e a baixa eficácia, respetivamente, devido à barreira imposta pela própria unha. A investigação de novas estratégias terapêuticas para aplicação tópica é, contudo, limitada pela escassez e as limitações de modelos experimentais, como os modelos ex-vivo e animais, que mimetizem fielmente as propriedades da unha humana. Neste contexto, esta dissertação tem como objetivo realizar uma revisão crítica dos modelos miméticos da unha desenvolvidos até à data, explorando o seu potencial como plataformas alternativas para o estudo da permeabilidade de compostos bioativos, visando a otimização da terapêutica da onicomicose.
- Atividade antitumoral de novos compostos em linhas celulares representativas dos tumores mais prevalentes em PortugalPublication . Martins, Ana Raquel Conde; Cerqueira, Fátima; Fernandes, RubenO cancro é uma das principais causas de mortalidade a nível global, sendo responsável por elevadas taxas de morbilidade e impactos socioeconómicos relevante. Apesar dos avanços no tratamento oncológico, são inúmeras as formas de cancro que continuam a apresentam resistência às terapias convencionalmente usadas, o que motiva a pesquisa e procura por novas estratégias terapêuticas. Os produtos naturais têm-se destacado nesse sentido, como fontes valiosas de compostos bioativos com potencial farmacológico. Neste trabalho, avaliou-se a atividade citotóxica de extratos, frações e compostos isolados das plantas de Fridericia platyphylla (FAB) e Clusia grandiflora (EBCG, DFCG e BZCG), em cinco distintas linhas celulares tumorais humanas: PC-3 (próstata), A549 (pulmão), HT-29 (cólon), Bx-PC3 (pâncreas) e MCF7 (mama). O ensaio de viabilidade celular foi conduzido através do método de MTT, permitindo determinar a concentração inibitória a 50% (IC50) para cada amostra. Foram testadas em sete concentrações diferentes com posterior análise dos resultados utilizando o software GraphPad Prism. O extrato e fração do fruto de C. grandiflora demonstraram atividade citotóxica acentuada, particularmente sobre a linha celular Bx-PC3. Esta seletividade é bastante relevante, tendo em consideração o comportamento agressivo do adenocarcinoma pancreático. O composto BZCG relevou uma atividade limitada e exclusiva contra PC-3, sugerindo que o efeito antitumoral observando para o extrato se pode dever a outro composto ou ao sinergismo entre os diversos componentes presentes no extrato. Por sua vez, o extrato FAB de F. platyphylla apresentou atividade específica contra Bx-PC3, ainda que menos potente comparativamente ao observado anteriormente para C. grandiflora, não evidenciando qualquer tipo de efeito relevante sobre as demais linhas celulares em estudo. Os resultados obtidos sustentam o potencial de C. grandiflora como fonte de compostos com atividade antitumoral, com distinção para o cancro pancreático. A atividade moderada, mas específica, do extrato FAB também levanta a hipótese sobre a sua possível seletividade. Estes dados justificam a continuação dos estudos, incluindo a extração e purificação de novos compostos, a análise da sua toxicidade em células não tumorais, a investigação das vias moleculares envolvidas na atividade antitumoral e a validação em modelos in vivo, com vista à identificação de promissores candidatos para a terapêutica do combate ao cancro.
- Má utilização dos produtos cosméticos e a segurança dos consumidores: uma scoping reviewPublication . Fernandes, Bárbara da Silva; Oliveira, Rita; Almeida, Isabel F.A presente scoping review investiga as atitudes, perceções e comportamentos dos consumidores que representam um risco para a sua saúde devido ao uso inadequado de cosméticos. O estudo, que seguiu as diretrizes PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses – extension for Scoping Reviews), focou-se em consumidores adultos, produtos cosméticos e os riscos para a saúde, incluindo reações adversas, efeitos secundários e efeitos tóxicos. A revisão conclui que a má utilização de produtos cosméticos é um desafio significativo para a segurança pública, abrangendo uma vasta gama de produtos como protetores solares, hidratantes, cosméticos para a área ocular e desodorizantes em spray. As principais causas identificadas para esta problemática incluem a falta de literacia em saúde dos consumidores e a perceção errónea de que produtos não medicinais são inerentemente menos perigosos. A complexidade da informação nos rótulos e a proliferação de desinformação, frequentemente veiculada por redes sociais ou influenciadores digitais, também contribuem. Outros fatores são a facilidade de acesso aos produtos, incluindo versões contrafeitas e adulteradas adquiridas online, e as lacunas regulatórias, como a dificuldade em distinguir categorias de produtos e a ausência de testes específicos para riscos de inalação em aerossóis. Fatores sociais, culturais e psicológicos, como a busca por padrões de beleza ou condições de saúde mental, podem levar a comportamentos de uso inadequado ou abuso. A utilização incorreta de produtos cosméticos pode originar consequências variadas e potencialmente graves. Entre os riscos encontram-se reações adversas dermatológicas, complicações resultantes de contaminação microbiológica, diminuição da eficácia de produtos destinados à fotoproteção e, em última instância, aumento da vulnerabilidade a doenças graves. Além disso, certas práticas culturais associadas ao uso de substâncias adulteradas podem desencadear reações alérgicas severas, enquanto o uso abusivo e intencional de determinados produtos, frequentemente relacionado com problemas de saúde mental, pode levar a lesões cutâneas significativas. Para minimizar estes riscos, o estudo sugere a implementação de uma estratégia abrangente, que inclua campanhas contínuas de sensibilização e educação sobre o uso correto, higiene, validade e armazenamento dos produtos. É crucial a rotulagem mais clara, transparente e padronizada internacionalmente, com instruções visuais sobre a quantidade e frequência de aplicação. O reforço dos mecanismos de regulamentação e uma maior responsabilidade da indústria cosmética na divulgação de informações científicas credíveis são igualmente importantes. A cooperação entre consumidores, profissionais de saúde e a indústria é determinante para garantir a segurança pública. As limitações do estudo incluem a escassez de literatura científica sobre o tema, a dificuldade de acesso a alguns artigos completos, a exclusão da literatura cinzenta (que pode omitir resultados importantes) e a falta de qualidade metodológica de alguns estudos existentes, o que pode afetar a generalização das conclusões. A subnotificação de casos de efeitos adversos na cosmetovigilância é também um constrangimento.
- Avaliação do consumo de fármacos usados no tratamento da perturbação de hiperatividade e défice de atenção em PortugalPublication . Arriscado, Alzira Emília Meireles Brandão; Capela, João Paulo SoaresAtualmente, em Portugal, encontram-se aprovados três fármacos para o tratamento da Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA): o metilfenidato, a atomoxetina e a dismesilato de lisdexanfetamina. O metilfenidato, introduzido em 2003, representa o agente mais antigo disponível no mercado nacional e permanece o mais frequentemente prescrito. O presente trabalho teve como objetivo analisar a evolução da prescrição e da dispensa dos fármacos aprovados para o tratamento da Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) em Portugal, entre 2003-2022. Foram incluídos os três fármacos atualmente disponíveis no país, metilfenidato, atomoxetina e lisdexanfetamina, com descrição sumária da sua farmacologia e utilização clínica. Os dados evidenciam um aumento progressivo do consumo global, com destaque para o metilfenidato, que desde 2003 se mantém como o fármaco mais prescrito e dispensado. Enquanto que a atomoxetina apresentou uma quota de mercado reduzida e estável, sendo utilizada sobretudo em casos específicos. Já a lisdexanfetamina, recentemente introduzida, revelou um crescimento gradual nas vendas, sobretudo em idade pediátrica e adolescente. A estratificação temporal mostrou um aumento mais acentuado do consumo no período pós-pandemia de COVID-19, possivelmente associado a um maior número de diagnósticos, à intensificação de sintomas durante o confinamento e ao reforço da procura por cuidados de saúde. Sendo que, para além de Portugal, verificou-se um padrão semelhante a outros países europeus, como Espanha e Itália, onde o metilfenidato predomina, contrastando com os Estados Unidos, onde as anfetaminas têm maior expressão. Em síntese, os resultados destacam como principal via de tratamento, o metilfenidato e em via de crescimento a lisdexanfetamina, reforçando a necessidade de monitorização contínua para assegurar uma utilização racional e adequada destes fármacos.
- Papel do stress oxidativo na cardiotoxicidade da 3,4-dimetilmetcatinona: estudo in vitro em células H9c2Publication . Rocha, Verónica Juliana Magalhães da; Carvalho, Márcia; Araújo, Ana MargaridaAs catinonas sintéticas fazem parte do grupo das novas substâncias psicoativas (NSP) e são amplamente utilizadas como drogas recreativas devido aos seus efeitos psicoestimulantes, semelhantes aos das anfetaminas. A sua rápida disseminação constitui uma preocupação crescente para a saúde pública, sobretudo pelo risco de efeitos cardiovasculares graves, como arritmias, enfarte agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca. Contudo, os mecanismos subjacentes à sua cardiotoxicidade permanecem pouco esclarecidos. Este estudo teve como objetivo investigar o potencial efeito cardiotóxico de uma destas substâncias, a 3,4-dimetilmetcatinona (3,4-DMMC), bem como o envolvimento do stress oxidativo neste processo. As células H9c2 foram expostas a várias concentrações de 3,4-DMMC (0,005 a 0,8 mM) durante 24 e 48 horas. A viabilidade celular foi avaliada através do ensaio de redução do MTT. A produção de espécies reativas de oxigénio e azoto (ROS/RNS) foi medida por fluorescência, utilizando o marcador DCFH-DA, em diferentes tempos (0,5 a 48 h), após incubação com a 3,4-DMMC nas concentrações correspondentes à EC10 e EC50. Para avaliar o efeito protetor de antioxidantes, as células foram pré-incubadas com ácido ascórbico (AA, 0,1 mM), Nacetilcisteína (NAC, 1 mM) ou Trolox (TRX, 0,2 mM), seguidas de exposição à 3,4- DMMC na concentração equivalente à EC40 durante 24 e 48 horas. A 3,4-DMMC reduziu significativamente a viabilidade celular de forma dependente da concentração, sem diferenças estatisticamente significativas entre os dois tempos de incubação. Observou-se um aumento progressivo dos níveis de ROS/RNS ao longo do tempo, com significância estatística a partir das 3 horas. Entre os antioxidantes testados, apenas o ácido ascórbico conseguiu atenuar os efeitos tóxicos da 3,4-DMMC. Os resultados obtidos demonstram que a 3,4-DMMC induz cardiotoxicidade in vitro de forma dependente da concentração, estando o stress oxidativo envolvido neste efeito. O ácido ascórbico revelou um efeito protetor claro, reforçando a importância de estudos futuros para melhor compreender os mecanismos de toxicidade e identificar estratégias terapêuticas eficazes.
- Uso de canabinoides no tratamento das perturbações por uso de canábisPublication . Marques, Lara Coelho; Capela, João Paulo SoaresA Perturbação por Uso de Canábis (CUD, do inglês “Cannabis Use Disorder”) representa um desafio de saúde pública global, com cerca de 1,3% dos adultos na União Europeia a serem consumidores diários de canábis e com um aumento de 12% no número de utentes em tratamento em Portugal entre 2021 e 2022. Apesar da sua prevalência, nem a entidade reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos da América (FDA, do inglês “Food and Drug Administration”) nem a entidade europeia congénere aprovaram nenhum medicamento específico para o tratamento da CUD. Esta revisão teve como objetivo estudar os diversos fármacos canabinoides e as suas combinações, avaliados em ensaios clínicos para tratamento desta dependência. Este estudo pretende compreender qual a melhor estratégia farmacológica usando canabinoides com potencial para o tratamento clinico da CUD. A metodologia consistiu numa revisão, conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA, utilizando a estratégia PICO para a formulação da questão de pesquisa. Foram realizadas pesquisas nas bases de dados PubMed, Web of Science e Scielo, abrangendo artigos de 1973 a 2024. No total, 9 estudos com 667 participantes (519 homens e 148 mulheres) foram incluídos na análise. Nenhum dos ensaios analisados demonstrou uma eficácia consistente que permita recomendar em definitivo os canabinoides como tratamento para a CUD. Assim, é necessário que haja mais investigação, com um maior número de participantes, incluindo mais mulheres, e metodologias mais robustas para estabelecer conclusões mais sólidas.
- Produção de vacinas biotecnológicasPublication . Padrela, Catarina Andrade; Silva, Ana CatarinaAs vacinas são poderosas ferramentas de saúde pública que permitem a prevenção de vários tipos de doenças. As primeiras vacinas, também conhecidas como vacinas convencionais, foram desenvolvidas com base em agentes patogénicos vivos atenuados ou inativados. Este tipo de abordagem revelou-se eficaz no controlo e prevenção de diversas doenças. Contudo avanços tecnológicos e científicos, permitiram o surgimento de uma nova geração de vacinas: as vacinas biotecnológicas. A primeira vacina biotecnológica a ser aprovada foi a vacina contra o vírus da hepatite B, através da tecnologia de DNA recombinante, utilizando células de leveduras geneticamente modificadas para expressar proteínas virais. Seguindo esta abordagem, foi posteriormente desenvolvida a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV). Mais recentemente, com o surgimento da pandemia da COVID-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, houve necessidade de desenvolver vacinas de forma rápida, eficaz e segura, com o objetivo primordial de prevenir infeções graves causadas por este vírus, bem como recuperar a vida quotidiana pré-pandemia. Neste contexto, as vacinas à base de ácidos nucleicos e as vacinas de vetor viral assumiram um papel determinante. Ao longo do presente trabalho serão referidas e descritas as diferentes técnicas utilizadas na produção de vacinas biotecnológicas, bem como exemplos concretos e detalhados de cada tipo de vacinas biotecnológicas utilizadas atualmente na prática clínica. As vacinas biotecnológicas constituem ferramentas essenciais no combate a diversas infeções e abrem caminho para novas abordagens terapêuticas contra doenças infeciosas, alguns tipos de cancro e doenças neurodegenerativas.
- Cardiotoxic effects of methylone in rat H9c2 cardiomyocytes: role of oxidative stress and antioxidant interventionPublication . Moreira, Maria Monteiro; Carvalho, Márcia; Araújo, Ana MargaridaSynthetic cathinones (SCs) have emerged in recreational contexts as a novel class of psychoactive substances, producing amphetamine-like effects but also severe cardiovascular complications, including myocardial infarction and sudden cardiac death. Despite these risks, the mechanisms underlying SC-induced cardiotoxicity remain poorly understood. This study aimed to investigate the cardiotoxic potential of methylone, one of the most widely abused first-generation SCs. H9c2 rat cardiomyoblasts were exposed to methylone (0.01 - 4.0 mM) for 24 and 48 hours. Cell viability was determined by 3- (4,5-Dimethylthiazol-2-yl)-2,5 diphenyl tetrazolium bromide (MTT) reduction assay, and intracellular levels of reactive oxygen/nitrogen species (ROS/RNS) were quantified using the 2′,7′-dichlorofluorescein diacetate probe. The protective effects of the antioxidants ascorbic acid, N-acetyl-L-cysteine, and Trolox were also evaluated. Methylone induced concentration-dependent cytotoxicity, with an IC50 of 0.98 mM. ROS/RNS production increased markedly in both a concentration- and time-dependent manner, reaching a 4.8- fold increase after 24 h at IC50. Among the antioxidants tested, only ascorbic acid significantly improved cell viability. These results demonstrate that methylone exerts cardiotoxic effects in vitro, with oxidative stress playing a central role in its toxicity. The partial protection conferred by ascorbic acid highlights its potential as a therapeutic candidate against SC-induced cardiac injury.
- Biofilmes bacterianos: implicações nas infeções protésicasPublication . Correia, Filipa Raquel Silva; Cerqueira, FátimaAs infeções bacterianas associadas a próteses constituem um problema clínico cada vez mais relevante, especialmente quando surge a formação de biofilmes que dificultam o diagnóstico e o tratamento destas infeções. Os biofilmes são uma comunidade organizada de microrganismos, da mesma ou de diferentes espécies, revestidos por uma camada de proteção que lhes confere elevada resistência a antibióticos e ao sistema imunitário do hospedeiro. A presença de biofilmes em próteses envolve diversas complicações, desde o impacto económico até à necessidade de remoção da prótese. Desta forma, procura-se entender quais as espécies microbianas mais relevantes e prevalentes associadas a infeções protésicas, mecanismos de resistência dos biofilmes, fatores promotores da sua formação e potenciais tipos de biomateriais e terapêuticas eficientes para a minimização deste problema. Além disso, o farmacêutico representa cada vez mais um papel fundamental numa equipa multidisciplinar para o acompanhamento necessário aos doentes, na deteção de problemas associados à medicação e na reconciliação terapêutica. Nesse âmbito, este trabalho reflete uma revisão narrativa sobre a implicação que a formação de biofilmes bacterianos tem nas infeções em diferentes tipos de próteses com ênfase em possibilidades para a prevenção e alternativas de tratamento dos biofilmes, salientando a importância do estudo em estratégias inovadoras e da investigação contínua para a redução da morbilidade, melhoria do prognóstico dos doentes e diminuição dos custos associados a estas complicações.
- Escetamina: uma estratégia inovadora para o tratamento da depressão resistentePublication . Cordova Jerves, John Sebastian; Pimenta, Adriana; Souto, RenataA escetamina, o enantiómero S da cetamina racémica, tem sido amplamente investigada como uma alternativa terapêutica inovadora na depressão resistente ao tratamento (TRD), uma condição clínica complexa caracterizada pela ausência de resposta a múltiplos antidepressivos tradicionais. Este trabalho consistiu numa revisão crítica da literatura científica recente, com foco nos mecanismos farmacológicos, farmacocinéticos, bem como na eficácia e segurança da escetamina administrada por via intranasal (ESK-IN) em associação com antidepressivos orais. A escetamina atua como antagonista dos recetores NMDA nos interneurónios GABAérgicos, o que leva a um aumento da libertação de glutamato e à ativação subsequente dos recetores AMPA, mecanismos que estimulam a neuroplasticidade e contribuem para a sua ação antidepressiva rápida. A análise dos principais ensaios clínicos de fase 3, incluindo os ensaios clínicos TRANSFORM-1, TRANSFORM-2, TRANSFORM-3, ESCAPE-TRD e os estudos SUSTAIN-2 e SUSTAIN-3, demonstrou uma redução significativa dos sintomas depressivos em diversos subgrupos de doentes com TRD em especial o ensaio clínico TRANSFORM-2, no qual a ESK-IN associada a antidepressivos resultou numa diferença média de -4,0 pontos na escala MADRS face ao grupo placebo. A via intranasal revelou vantagens farmacocinéticas claras, como maior biodisponibilidade e início de ação mais rápido face à via oral. No entanto, a ESK-IN exige monitorização rigorosa, devido ao seu perfil de efeitos adversos, como dissociação, elevação transitória da pressão arterial e risco potencial de abuso. Foram ainda discutidas perspetivas futuras da escetamina noutras perturbações psiquiátricas, incluindo depressão pós-parto, perturbação bipolar e stress pós-traumático onde os resultados preliminares têm sido encorajadores. Ainda assim, apesar dos dados promissores, é essencial o desenvolvimento de estudos independentes, controlados, com maior duração e amostras mais representativas, de modo a consolidar o perfil de eficácia, segurança e aplicabilidade da escetamina na prática clínica alargada.
