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Repositório Institucional da Fernando Pessoa

 

Entradas recentes

O papel da nanotecnologia na garantia da salubridade e segurança alimentar
Publication . Pereira, Sofia da Silva; Silva, Cláudia
A crescente necessidade de produção agrícola e a tentativa de atenuar os impactos negativos do uso intensivo de pesticidas, são desafios atuais para a segurança alimentar e dos alimentos, levando à procura de soluções tecnológicas mais sustentáveis. Os compostos convencionais apresentarem um papel fundamental na proteção das culturas e no aumento da produtividade, mas a sua utilização excessiva associa-se a contaminação ambiental, à presença de resíduos nos alimentos e ao desenvolvimento de resistências por parte de pragas e agentes patogénicos. A nanotecnologia surgiu como área com elevado potencial, com novas abordagens para melhorar a produção agrícola, diminuir a contaminação ambiental e aumentar a segurança dos alimentos. Neste contexto, pretende-se compreender de que forma esta tecnologia pode contribuir para a promoção da salubridade e da segurança alimentar, explorando-se as suas principais aplicações na agricultura e na sinalização de resíduos de pesticidas, bem como uma análise dos benefícios e dos limites associados à sua utilização. Serão descritos os desafios científicos, regulamentares e industriais que restringem a implementação desta nova tecnologia. O presente trabalho consiste numa revisão narrativa sobre o papel da nanotecnologia na melhoria da segurança alimentar e dos alimentos, com particular ênfase na sua aplicação no controlo e na monitorização de pesticidas e uso em fertilizantes. Identificando-se o potencial desta tecnologia na promoção de sistemas agroalimentares mais eficientes, seguros e sustentáveis, provando-se, simultaneamente, a importância de uma investigação contínua e do desenvolvimento de estratégias regulamentares adequadas que assegurem uma integração segura, responsável e eficaz da nanotecnologia no setor agroalimentar.
Evolução do consumo de analgésicos opioides em Portugal entre 2013 e 2025
Publication . Miranda, Helena Nogueira; Carvalho, Márcia; Matos, Carla
A dor constitui um dos problemas de saúde mais prevalentes a nível mundial, exercendo um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos. Neste contexto, os analgésicos opioides assumem um papel fundamental no tratamento da dor moderada a intensa, sendo amplamente utilizados em diferentes contextos clínicos. Contudo, o aumento do seu consumo tem suscitado preocupações relacionadas com o desenvolvimento de tolerância, dependência e ocorrência de efeitos adversos, tornando crucial a monitorização dos padrões de consumo destes medicamentos. O presente trabalho teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre os analgésicos opioides e analisar a evolução da sua utilização em Portugal entre 2013 e 2025 e avaliar a evolução dos casos de intoxicação associados aos analgésicos opioides. Foi realizado um estudo observacional, descritivo e retrospetivo, através da recolha e análise dos dados relativos ao número de embalagens de analgésicos opioides dispensadas em farmácias comunitárias portuguesas, obtidos na base de dados Health Market Research®. Adicionalmente, foram analisados dados relativos às intoxicações por analgésicos opioides, obtidos através do Centro de Informação Antivenenos. Os resultados evidenciaram um aumento expressivo do consumo global de analgésicos opioides em Portugal ao longo do período analisado, verificando-se uma evolução de 5,41 para 14,09 Dose Diária Definida (DDD)/1000 habitantes/dia entre 2013 e 2025, correspondente a um crescimento de 160,7%. Os opioides fracos mantiveram uma clara predominância no consumo nacional, destacando-se a associação tramadol com paracetamol como o medicamento mais consumido e com maior contributo para o aumento global observado. Relativamente aos opioides fortes observou-se um crescimento de 0,99 para 3,31 DDD/1000 habitantes/dia, sendo o tapentadol a substância que apresentou o maior crescimento durante o período analisado, assumindo um papel cada vez mais relevante no padrão de consumo nacional. Adicionalmente, verificou-se uma tendência de substituição gradual dos medicamentos de marca por medicamentos genéricos em várias substâncias estudadas. Os resultados obtidos demonstram que o consumo de analgésicos opioides em Portugal tem vindo a aumentar de forma consistente, acompanhando a tendência observada noutros países europeus. O aumento concomitante das intoxicações relacionadas com analgésicos opioides reforça a importância da monitorização contínua dos padrões de utilização destes medicamentos, bem como da implementação de estratégias que promovam a sua utilização racional e segura.
Evolução do uso de benzodiazepínicos em Portugal: uma análise de 2013 a 2025
Publication . Festa, Eva Figueiredo Fernandes; Moutinho, Carla; Carvalho, Márcia
A saúde mental constitui atualmente um dos principais desafios de saúde pública, assumindo particular relevância em Portugal, que apresenta uma das mais elevadas prevalências de perturbações psiquiátricas na Europa. Entre estas, as perturbações de ansiedade destacam-se pela sua elevada frequência e impacto na qualidade de vida, estando frequentemente associadas à utilização de benzodiazepinas. Neste contexto, a monitorização dos padrões de utilização destes medicamentos é essencial para apoiar estratégias de prescrição racional e políticas de saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar as tendências de consumo de benzodiazepinas em Portugal entre 2013 e 2025, com base em dados de dispensa em farmácia comunitária. Foi realizado um estudo observacional, ecológico e retrospetivo da utilização de benzodiazepinas ansiolíticas, sedativas/hipnóticas e antiepiléticas, recorrendo à base de dados da Health Market Research® (HMR), que abrange aproximadamente 2400 farmácias comunitárias em Portugal. O consumo foi estimado através da metodologia da Dose Diária Definida (DDD), sendo expresso em DDD por 1000 habitantes por dia (DHD), de acordo com a classificação “Anatómica, Terapêutica e Química” (ATC) da Organização Mundial da Saúde. A análise incluiu a estratificação por subclasse farmacoterapêutica, duração de ação e tipo de medicamento (genérico ou de marca). Observou-se uma diminuição global de aproximadamente 22% no consumo de benzodiazepinas ao longo do período em estudo. As benzodiazepinas ansiolíticas representaram a subclasse mais dispensada (cerca de 92% do total) ao longo de todo o período em análise, com valores de consumo substancialmente superiores aos das benzodiazepinas hipnóticas/sedativas (cerca de 7% do total) e das benzodiazepinas utilizadas como antiepiléticas (cerca de 1% do total). Em 2025, as cinco substâncias mais consumidas foram o alprazolam (DHD 27,0), lorazepam (DHD 22,7), o diazepam (DHD 10,6), o loflazepato de etilo (DHD 9,0) e o bromazepam (DHD 3,2). Todas apresentaram uma redução do consumo ao longo do período analisado, particularmente o diazepam (-29,3%) e o alprazolam (-23,4%). Em contraste com a tendência global observada, o consumo de clonazepam aumentou 158,3% entre 2013 e 2025, constituindo a principal exceção ao padrão de redução verificado nas restantes subclasses de benzodiazepinas. Os resultados evidenciam uma tendência global de redução no consumo de benzodiazepinas em Portugal, mantendo-se, contudo, o predomínio das benzodiazepinas ansiolíticas face às restantes subclasses, refletindo a elevada carga das perturbações de ansiedade na população portuguesa. Apesar da redução observada, o consumo de benzodiazepinas mantém-se expressivo, evidenciando a necessidade de políticas sustentadas de promoção da saúde mental, de educação terapêutica e de estratégias que promovam a utilização adequada e segura destes medicamentos.
Effects of probiotics and prebiotics on sarcopenia in older adults: a narrative review
Publication . Oliveira, Daniela Rego de; Sousa, Ana Sofia; Simões, Catarina D.
Sarcopenia is defined as a progressive skeletal muscle disorder characterized by the loss of muscle strength, muscle mass, and physical performance, representing a major public health challenge among older adults. Aging is associated with several physiological changes, including alterations in gut microbiota (GM) composition and diversity, which may contribute to the development and progression of sarcopenia through mechanisms involving chronic inflammation, impaired intestinal barrier function, reduced production of short-chain fatty acids (SCFAs), and dysregulation of muscle protein metabolism. In recent years, scientific evidence has highlighted the importance of the gut-muscle axis as a key pathway linking GM health to skeletal muscle function. The aim of this narrative literature review was to summarize and critically discuss the current evidence regarding the effects of probiotics and prebiotics on sarcopenia in older adults, with a particular focus on GM modulation, inflammation, SCFA production, muscle metabolism, and functional outcomes. A bibliographic search was conducted using the PubMed and ScienceDirect databases, including studies published between 2015 and 2026. After applying predefined inclusion and exclusion criteria, 45 scientific articles were selected for analysis. The reviewed evidence suggests that probiotics and prebiotics may positively influence several mechanisms involved in sarcopenia. Published human clinical trials demonstrated improvements in muscle strength, physical performance, quality of life, and body composition following supplementation with specific probiotic strains and prebiotic compounds. These benefits were frequently accompanied by reductions in inflammatory markers, improvements in intestinal barrier integrity, and favorable modulation of GM composition. Animal studies further supported these findings, showing enhanced muscle mass, mitochondrial function, muscle regeneration, and exercise performance, as well as beneficial effects on anabolic and anti-inflammatory signaling pathways. The proposed mechanisms underlying these effects include increased SCFA production, attenuation of chronic low-grade inflammation, improved intestinal permeability, enhanced mitochondrial biogenesis, and regulation of muscle protein synthesis and degradation. Collectively, these findings support the hypothesis that modulation of the GM may represent a promising strategy for the prevention and management of sarcopenia. Despite encouraging results, current evidence remains limited by small sample sizes, short intervention periods, and methodological heterogeneity among studies. Therefore, further large-scale and long-term clinical trials are required to establish definitive recommendations regarding the use of probiotics and prebiotics in the prevention and treatment of sarcopenia in older adults.
O papel da nutrição na patogénese e no tratamento de doenças neurodegenerativas
Publication . Enes, Maria Abreu; Leal, Fernanda; Cardoso, Inês Lopes
O envelhecimento da população mundial e a adoção de estilos de vida inadequados estão entre as principais causas de progressão das doenças neurodegenerativas. Atualmente, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson são as patologias neurodegenerativas mais prevalentes, impactando significativamente a qualidade de vida dos indivíduos. Embora cada uma apresente mecanismos fisiológicos distintos, ambas provocam alterações cerebrais e motoras acentuadas. Como ainda não existe cura para estas doenças, a prevenção e o tratamento assumem um papel fundamental. Neste sentido, nos últimos anos, têm sido desenvolvidas diversas pesquisas na área da nutrição com o objetivo de identificar padrões alimentares capazes de prevenir e/ou tratar estas doenças. Verificou-se que, o elevado consumo de alimentos processados e ricos em gordura, característicos da dieta Ocidental, contribui para a inflamação sistémica do organismo, afetando sobretudo a saúde intestinal através da disbiose da microbiota, e a saúde cerebral. Em contrapartida, diferentes estudos sugerem que a adesão a padrões alimentares saudáveis e equilibrados, como a dieta Mediterrânica, a dieta DASH, a dieta MIND e a dieta cetogénica, demonstra potencial anti-inflamatório e neuroprotetor, devido à riqueza em nutrientes e antioxidantes. Todas estas dietas baseiam-se principalmente no consumo de alimentos naturais, variados e minimamente processados, ricos em fibras, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais, que contribuem substancialmente para a proteção contra o stress oxidativo, a disfunção mitocondrial e a neuroinflamação, fatores associados à fisiopatologia das doenças neurodegenerativas. Entretanto, emergiram novos padrões dietéticos, como a dieta de redistribuição da proteína e a dieta com baixo teor de proteína, com a finalidade de aumentar a eficácia do fármaco usado no tratamento de indivíduos com a doença de Parkinson. Apesar disso, existem discrepâncias nos benefícios reportados entre os diferentes estudos que investigam estes padrões alimentares, pelo que são necessários mais estudos para consolidar a evidência científica existente.