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Repositório Institucional da Fernando Pessoa

 

Entradas recentes

O UGC na promoção de destinos turísticos: a apropriação estratégica do UGC pelas marcas no turismo português
Publication . Dias, Ana Jorge Ferreira; Simões, Elsa
A atual investigação centra-se no papel do User-Generated Content (UGC) enquanto ferramenta estratégica de marketing turístico, tendo como propósito principal compreender de que forma as marcas portuguesas do setor utilizam, promovem e se apropriam deste tipo de conteúdo nas suas práticas de comunicação digital. O UGC (User-Generated Content) emergiu como um recurso central na comunicação e construção de imagem das marcas, instigado pela crescente digitalização das práticas de consumo e pela valorização da autenticidade nas experiências turísticas. Diariamente, são publicados por turistas nas redes sociais, diversos conteúdos que incluem desde vídeos, fotografias, avaliações e relatos de experiências, que passaram a tomar notoriedade pelas marcas e a ser incluídos e reutilizados em campanhas promocionais destas mesmas organizações. Partindo de uma abordagem qualitativa de natureza exploratória, o estudo analisa publicações e iniciativas comunicacionais presentes nos perfis institucionais de diferentes entidades do turismo português na rede social Instagram, com o objetivo de identificar as práticas de estímulo, incorporação e curadoria de UGC adotadas pelas marcas. A análise caso a caso permitiu reconhecer várias modalidades de apropriação, desde mecanismos de incentivo explícito à produção de conteúdos, até estratégias de seleção e republicação que validam e reforçam as experiências partilhadas pelos visitantes. Os resultados obtidos contribuem para o aprofundamento do debate empírico sobre a relevância do UGC na promoção de destinos e sobre o papel do consumidor enquanto cocriador de valor na comunicação turística contemporânea. Destaca-se assim a importância do conteúdo orgânico e autêntico produzido pelos utilizadores enquanto instrumento estratégico de posicionamento, diferenciação e fortalecimento relacional para as marcas do setor, no panorama contemporâneo.
Surgical simulation in dentistry: a scoping review
Publication . Le Divenach, Thierry Yves Marie; Pereira, Jorge
Introduction: Since the origins of surgery, simulation has played an important role in surgical training, especially in the medical field. However, in dentistry, simulation has predominantly focused on conservative care, neglecting aspects of oral surgery despite extractions and other endodontic or periodontal surgeries are part of the daily routine. Given this lack of attention, this study seeks to address this gap by examining the scope of simulation systems dedicated to oral surgery. Objective: This scoping review aims to explore the literature related to simulation in dentistry for surgical training purposes. Methods: Following PRISMA guidelines, this scoping review utilized the JBI methodology in a two-step iterative process. Initial searches identified application models (e.g. animal, cadaver, 3D printing, Virtual Reality) using PubMed & Google scholar for their broad coverage and grey literature databases. A second round of research was conducted for each simulation model identified using these databases plus Science Direct and B-On to make it more thorough. Publications were managed using Mendeley Reference Manager, and data are presented in a comprehensive narrative summary. Results: Among 534 publications initially identified, 148 were included in this review. Topics covered simulation models, associated technologies, surgical procedures, and relevant surgical skills. A trend toward synthetically-based simulators was observed, despite their lower realism, due to greater prospects for technical development. Conclusion: This review outlines the literature to existing surgical simulation models in dentistry, scoping the different alternatives proposed for both soft and psychomotor skills. The abundance and diversity of simulators, along with the benefits described by most authors, strongly suggest to enhance the use of simulation in the surgical curriculum. Perfused cadavers emerged as the most realistic simulators albeit the most expensive and difficult to implement while animal model remains the standard for many procedures. 3D-printing shows great potential for evolution and pedagogical advantages and virtual solutions require further advancement even if promising avenues for future development.
Osteoporose em mulheres pós-menopaúsicas brasileiras e sua associação com a exposição ambiental ao cádmio
Publication . Kunioka, Carlos Tadashi; Carvalho, Márcia; Manso, M. Conceição; Belo, Luís
A osteoporose é uma doença osteometabólica multifatorial caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea (DMO) e pela deterioração da microarquitetura óssea, o que conduz a um aumento da fragilidade esquelética e do risco de fratura. Esta condição apresenta elevada prevalência global, afetando aproximadamente uma em cada três mulheres, especialmente após a menopausa, e um em cada cinco homens acima dos 50 anos, assumindo proporções crescentes face ao envelhecimento populacional. O impacto socioeconómico e clínico da osteoporose é significativo, traduzindo-se em elevados índices de morbilidade, mortalidade e perda de qualidade de vida. Evidências recentes têm apontado para o papel de fatores ambientais como contribuintes adicionais para o risco de osteoporose, nomeadamente a exposição crónica a metais tóxicos. O cádmio (Cd), metal pesado não essencial, bioacumulativo e persistente no ambiente, tem sido implicado na patogénese de doenças ósseas e renais, mesmo em níveis considerados baixos. Este trabalho de investigação teve como objetivo investigar os efeitos da exposição ambiental a múltiplos metais e metaloides, com enfoque no Cd, sobre a saúde óssea e a função renal em mulheres pós-menopáusicas residentes em Cascavel (Brasil), região agrícola com potencial risco de contaminação ambiental. A investigação compreendeu três estudos distintos. O primeiro trabalho consistiu numa revisão sistemática com meta-análise de estudos observacionais (2008–2021), focados na associação entre os níveis urinários de Cd (UCd) e o risco de osteoporose em mulheres com idade igual ou superior a 50 anos. A meta-análise revelou uma associação significativa entre UCd ≥ 0,5 μg/g de creatinina e osteoporose (OR = 1,95; IC95%: 1,39– 2,73; p < 0,001), reforçada por uma associação semelhante em exposições mais elevadas (UCd ≥ 5 μg/g: OR = 1,99; IC95%: 1,04–3,82; p = 0,040), confirmando a consistência do risco. O segundo estudo, de base populacional regional e desenho transversal, incluiu a participação de 380 mulheres pós-menopáusicas brasileiras, residentes em Cascavel. Foram colhidos dados demográficos e clínicos (incluindo os valores da densitometria óssea em diferentes regiões anatómicas) e obtidas amostras de urina, nas quais os diferentes metais/metaloides foram quantificados por espetrometria de massa com plasma indutivo acoplado (ICP-MS). A mediana de UCd foi de 0,30 μg/g de creatinina e a prevalência global de osteoporose foi de 19,2%. Os participantes com níveis de UCd ≥ 1,1 μg/g (percentil 95 adotado pelas autoridades nacionais para mulheres brasileiras) apresentaram DMO significativamente reduzida na coluna lombar e no colo femoral, bem como prevalência superior de osteoporose. Embora os modelos ajustados não tenham identificado uma associação linear estatisticamente significativa entre UCd e DMO, observaram-se tendências limítrofes (osteopenia femoral: p = 0,073; osteoporose lombar: p = 0,109), e a regressão bayesiana com máquina de kernel (BKMR) identificou uma relação não linear entre UCd e DMO, sugerindo um possível limiar de toxicidade óssea. Paralelamente, o UCd revelou ser um preditor significativo do aumento da excreção urinária de β2-microglobulina (p < 0,001), marcador de lesão tubular renal. O terceiro estudo analisou a biomonitorização de 20 metais/metaloides na mesma amostra populacional de Cascavel. Mulheres com diagnóstico de osteoporose apresentaram níveis urinários significativamente mais elevados de Cd (p = 0,017) e antimónio (Sb; p = 0,001). Após a correção para potenciais fatores de confusão (idade, índice de massa corporal, tempo de menopausa, tabagismo, inatividade física), tanto o Cd (OR = 1,495; p = 0,026) como o Sb (OR = 2,059; p = 0,030) mantiveram associação independente com a presença de osteoporose. A prevalência da doença foi de 44,4% nas mulheres com níveis urinários simultaneamente elevados de Cd e Sb (≥ percentil 90), comparativamente a 18,0% nas restantes (p = 0,011), sugerindo um possível efeito sinérgico na exposição a estes dois elementos. Importa salientar que, ao contrário do Cd, o Sb não tem sido tradicionalmente associado à desmineralização óssea. A sua identificação nesta investigação sugere que o Sb pode representar um potencial fator de risco emergente, cuja relevância toxicológica merece investigação aprofundada em trabalhos futuros. Em conjunto, os resultados reforçam a evidência de que exposições ambientais crónicas a metais tóxicos, mesmo em concentrações reduzidas, podem comprometer simultaneamente a função renal e a saúde óssea. Estes dados sustentam a necessidade urgente de monitorização ambiental e de implementação de políticas públicas para mitigar a exposição a metais tóxicos, especialmente em populações vulneráveis.
Práticas sustentáveis na universidade pública no Brasil: o caso de uma Universidade Federal da Bahia
Publication . Borges, Rives Rocha; Barros, Nelson; Dinis, Maria Alzira Pimenta
A integração da sustentabilidade nas universidades públicas é uma resposta essencial aos desafios ambientais e sociais contemporâneos. Em um contexto global de aumento da conscientização sobre mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e necessidade de equidade social, as instituições de ensino superior denotam-se como centrais na promoção de práticas sustentáveis e na preparação de futuros líderes conscientes. A sustentabilidade acadêmica vai além da adoção de medidas ambientais básicas, englobando uma abordagem integrada que fomenta a interdisciplinaridade, a pesquisa aplicada e o compromisso comunitário. As universidades públicas possuem o potencial de catalisar mudanças significativas tanto em suas operações cotidianas quanto na influência de políticas públicas, cultivando consciência cidadã e promovendo inovações tecnológicas e sociais para enfrentar desafios emergentes. Objetivou-se, assim, averiguar a implementação de práticas sustentáveis em universidades públicas e seu impacto na promoção da sustentabilidade ambiental e na saúde das comunidades acadêmicas. Metodologicamente, aplicou-se uma revisão bibliográfica exploratória e comparativa sob as vias de uma pesquisa qualitativa, confrontada com os dados obtidos em relatórios de gestão e plano de logística sustentável. Observou-se que a gestão responsável de resíduos tem contribuído diretamente para mitigar a pobreza e preservar o meio ambiente, que o gênero feminino, mesmo sendo maioria na instituição, não ocupa a maior parte das posições de liderança, que a saúde e bem-estar no trabalho continua enfrentando o silêncio no caso de saúde mental, que parcerias e meios de implementação são viáveis, quando bem estruturadas. Essas ações beneficiam a comunidade universitária, incluindo estudantes, professores e funcionários, e ainda dispõe de repercussões positivas na vizinhança local e além. Além dos benefícios ambientais, as universidades públicas são primárias na educação e conscientização sobre sustentabilidade. Concluiu-se, deste modo, que ao demonstrarem compromisso com metas ambientais ambiciosas e alcançáveis, essas instituições não apenas inspiram outras entidades educacionais, mas também influenciam políticas públicas e setores privados a adotarem estratégias semelhantes. Esse papel de liderança é crucial para impulsionar uma transformação mais ampla em direção a um desenvolvimento sustentável global. No contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, enfatizou-se como as universidades públicas podem contribuir para vários desses objetivos, como Erradicação da Pobreza (ODS 1), Fome Zero e Agricultura Sustentável (ODS 2), Saúde e Bem-estar (ODS 3), Igualdade de Gênero (ODS 5), Trabalho Decente e Crescimento Econômico (ODS 8) Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11), Consumo e Produção Responsáveis (ODS 12) e Parcerias e Meios de Implementação (ODS17). Com o alinhamento de suas práticas e objetivos com essas metas globais, as universidades fortalecem seu impacto local à medida que ampliam sua relevância e contribuição para desafios globais urgentes.
Nanopartículas para aplicação oncológica
Publication . Teixeira, Inês Rocha; Coelho, Maria João
Durante as últimas décadas, uma infinidade de nanopartículas foi desenvolvida e avaliada devido à potencial aplicação como agentes diagnósticos e terapêuticos. As nanopartículas terapêuticas visam entregar de forma mais eficiente um agente terapêutico ao local patológico, evitando a sua acumulação em órgãos e tecidos saudáveis. Atualmente as terapias para o tratamento de cancro são, de um modo geral, as mesmas que se utilizam desde há 40 anos e consistem basicamente em disseção cirúrgica, radioterapia e/ou quimioterapia. Estas terapias têm uma eficácia limitada, altos níveis de citotoxicidade e vários efeitos secundários indesejados. Adicionalmente, a natureza da doença é tal que, a menos que se destruam todas as células do cancro, as hipóteses de reincidência são elevadas e normalmente estão associadas a tumores mais agressivos e resistentes à terapia. A nanotecnologia proporciona uma nova forma de abordar esta doença, tanto a nível do diagnóstico, como da terapia e prevenção. Assim, o objetivo deste trabalho é fazer uma revisão de literatura de modo a analisar as vantagens e os principais obstáculos da nanotecnologia no tratamento oncológico, bem como avaliar os progressos obtidos na prática clínica com esta tecnologia. Para tal, a metodologia utilizada consistiu na pesquisa de artigos num banco de dados online, a PubMed. Para reduzir o número de artigos obtidos e tornar os resultados mais específicos, foram definidas palavras-chave e critérios de inclusão e exclusão. Como critérios de inclusão consideraram-se: o idioma (português e inglês), a data da publicação (últimos 15 anos) e a tipologia dos trabalhos publicados (revisões sistemáticas e narrativas). Excluíram-se todos os artigos que não atendiam ao objetivo do trabalho ou não respondiam aos critérios de inclusão definidos. Verificou-se que a nanotecnologia tem diversas aplicações ao nível de todas as fases do processo do cancro, e que, apesar dos bons avanços científicos alcançados ao longo dos últimos anos, ainda há muita informação a descobrir e muitos desenvolvimentos a estudar. No entanto, não existe qualquer dúvida que as mais recentes tecnologias (como o recurso a nanopartículas ou à inteligência artificial) assumirão um papel extremamente decisivo no futuro, no que toca à prevenção, diagnóstico e tratamento, não só do cancro como potencialmente de outras doenças.