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Repositório Institucional da Fernando Pessoa

 

Entradas recentes

Ajustamento psicológico em doentes hemato-oncológicos internados: o papel do suporte social percebido
Publication . Ferreira, Telma Filipa Costa; Silva, Isabel
O internamento em contexto de doença oncológica constitui uma experiência altamente disruptiva, tendo impacto no ajustamento emocional e no bem-estar psicológico de quem se encontra. Nessa situação, os doentes hemato-oncológicos são sujeitos que, comummente, enfrentam processos terapêuticos dolorosos e invasivos, como a quimioterapia, que implicam a permanência longa em contexto de internamento hospitalar e de isolamento. O presente estudo tem como objetivo principal analisar o ajustamento psicológico a doença em doentes hemato-oncológicos internados, explorando o papel do suporte social percebido e das estratégias de ajustamento, nos indicadores emocionais de ansiedade e depressão. No presente estudo, o ajustamento será conceptualizado através dos indicadores emocionais de ansiedade e depressão, das estratégias de coping e do suporte social percebido, uma vez que se encontram interrelacionados. Foi avaliada uma amostra não aleatória constituída por 62 doentes, com uma idade media de 49,58 anos (DP= 14,03), dos quais 51,6% eram homens e 48,4% eram mulheres; 41,9% dos participantes tinha diagnostico de leucemia aguda e estavam internados para quimioterapia (82,3%) ou transplante (46,8%). O tempo medio desde o diagnostico foi de 4,94 meses (DP = 3,38). Os participantes responderam a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão, a Mini Escala de Adaptação Mental ao Cancro e a Escala de Satisfação com o Suporte Social. Os resultados obtidos permitiram identificar a importância do papel do suporte social, particularmente familiar e dos amigos, na gestão do sofrimento emocional, bem como na identificação das estratégias de coping mais utilizadas em contexto de internamento, nomeadamente o Espírito de Luta e o Fatalismo. Estratégias de preocupação ansiosa e de evitamento associaram-se a uma menor adaptação psicológica, e consequentemente a uma maior associação com os indicadores emocionais. Demonstraram ainda o impacto da sintomatologia física e das preocupações subjetivas associadas a doença, como a incerteza, nesta adaptação psicológica e na sintomatologia ansiosa e depressiva. Por fim, foi corroborado ainda a crença de que o suporte social e identificado como um fator protetor, embora a sua articulação com estratégias de coping e sofrimento psicológico permaneça pouco explorada em contexto hospitalar. Destaca-se assim, a necessidade de integrar uma avaliação do suporte social na prática clínica e a promoção de estratégias de coping mais adaptativas, sobretudo no contexto de internamento hemato-oncológico, e uma abordagem terapêutica mais centrada no contexto relacional do doente.
Estados emocionais na aprendizagem infantil no primeiro ciclo do ensino básico: o papel da competência percebida, da motivação e da dificuldade da tarefa
Publication . Romeira, Sandra Maria de Oliveira Pinto; Fernandes, Carina; Costa, Ana
A influência das emoções no desempenho escolar tem sido estudada no âmbito da Psicologia, reconhecendo-se a importância dos fatores emocionais e motivacionais nos processos de aprendizagem. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre os estados emocionais, a competência percebida e o valor atribuído à tarefa no desempenho de reconhecimento de palavras em crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico, considerando o papel da dificuldade da tarefa. Participaram no estudo 101 crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 8 anos. Os estados emocionais foram avaliados através do Self-Assessment Manikin (SAM), aplicado em três momentos distintos ao longo da realização da tarefa. A competência percebida foi avaliada através da Escala Pictórica de Competência Percebida e Aceitação Social e o valor atribuído à tarefa através da Escala Pictórica de Valor da Tarefa. O desempenho foi avaliado através da Prova de Reconhecimento de Palavras (PRP), organizada em dois blocos sequenciais de dificuldade crescente. Os resultados revelaram a ausência de correlações estatisticamente significativas entre a valência emocional e o desempenho nas tarefas da PRP. Observou-se, contudo, uma correlação positiva fraca entre a ativação emocional após o bloco de maior dificuldade e o desempenho no bloco de menor dificuldade. Verificaram-se ainda associações significativas entre a competência percebida e os estados emocionais, indicando que crianças com níveis mais elevados de competência percebida tendiam a apresentar emoções mais positivas e menores níveis de ativação perante tarefas mais exigentes. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos níveis de ativação emocional entre os diferentes momentos de avaliação. Os resultados sugerem que a competência percebida poderá desempenhar um papel relevante na experiência emocional das crianças em contexto escolar, contribuindo para uma resposta mais adaptativa perante tarefas cognitivamente exigentes. Estes dados reforçam a importância de considerar simultaneamente fatores emocionais, cognitivos e motivacionais na compreensão do desempenho infantil em contexto escolar.
Vitimação sexual masculina: mitos, aceitação e perceções da população portuguesa
Publication . Rosa, Joana de Carvalho Fresco da; Sani, Ana Isabel
O estudo aborda a problemática da vitimação sexual masculina, perpetrada por homens contra homens, analisando-a sob a ótica das perceções da população portuguesa, com o fim de perceber o grau de aceitação de crenças preconceituosas (mitos) associadas. A referida análise assenta no enquadramento teórico da masculinidade hegemónica, priorizando a articulação entre normas de género, sexualidade, consentimento e mecanismos socioculturais de legitimação da violência sexual. Através de uma metodologia predominantemente quantitativa, foram recolhidos dados junto de 350 participantes da população portuguesa e, posteriormente, utilizado o Male Rape Myth Acceptance Scale (MRMAS), adaptado para o contexto nacional. A avaliação das propriedades psicométricas do instrumento conduziu à obtenção de uma estrutura bifatorial composta pelas subescalas Culpabilização (da vítima) e Minimização/Exoneração do Perpetrador. Os resultados evidenciaram níveis gerais reduzidos de adesão aos mitos de vitimação sexual masculina, embora se tenha observado maior permeabilidade a representações associadas à relativização da violência e à atenuação da responsabilidade do agressor. Dentro das variáveis posteriormente analisadas, a idade revelou uma associação positiva, ainda que de magnitude reduzida, com crenças de culpabilização da vítima, enquanto os participantes do sexo masculino apresentaram maior concordância com itens de minimização e exoneração. Por sua vez, a orientação sexual constituiu a variável com associações mais consistentes, verificando-se níveis mais elevados de aceitação entre os participantes heterossexuais e valores significativamente inferiores entre participantes bissexuais. Em contrapartida, as habilitações literárias não evidenciaram diferenças estatisticamente significativas nas subescalas. A persistência destas representações traduz a influência contínua de conceções normativas de masculinidade na interpretação da violência contra homens, bem como a existência de formas subtis de deslegitimação da experiência de vitimação. Estes resultados reforçam a necessidade de respostas preventivas e sensibilizadoras, orientadas para a desconstrução de estereótipos de género e para o reconhecimento da vítimas masculina como vítima “legítima”.
A importância da inteligência emocional e do ciúme na relação íntima
Publication . Guimarães, Jorge Daniel Ferreira; Cunha, Pedro
A presente dissertação teve como objetivo analisar a relação entre a inteligência emocional e os ciúmes no contexto das relações íntimas monogâmicas, partindo da premissa de que a inteligência emocional, entendida como a capacidade de identificar, compreender e regular emoções próprias e alheias, pode constituir um fator protetor na qualidade dos vínculos afetivos. Para tal, foi desenvolvido um estudo quantitativo, descritivo, correlacional e transversal, com uma amostra de 487 participantes adultos residentes em Portugal, com idades compreendidas entre os 18 e mais de 65 anos. Foram utilizados o Questionário de Competências Emocionais (QCE), a Escala dos Três Tipos de Ciúme (E3TC) e um questionário sociodemográfico. Os resultados evidenciaram que níveis mais elevados de inteligência emocional se associam a menores níveis de ciúme ansioso e possessivo. Globalmente, os resultados reforçam a inteligência emocional como um recurso protetor nas relações íntimas, atenuando manifestações disfuncionais de ciúme associadas à insegurança, controlo e vigilância e, sugerem que, embora a inteligência emocional apresente relativa estabilidade, o ciúme revela uma natureza multidimensional e maior sensibilidade a fatores desenvolvimentais e contextuais.
Ciclos económicos em Portugal e respostas de política económica (2000–2025)
Publication . Gaio, Tomás das Neves; Vasconcelos, Luísa
O presente trabalho analisa os ciclos económicos em Portugal no período 2000–2025 e as respostas de política económica que os acompanharam. Identificam-se quatro subperíodos distintos que incluem a fase de integração monetária (2000–2007), a crise financeira global e da dívida soberana (2008–2014), a recuperação e o choque pandémico (2015–2021), e o ciclo inflacionista pós-pandémico (2022–2025). A análise empírica baseia-se em indicadores macroeconómicos recolhidos junto ao Eurostat, INE, Banco de Portugal e Comissão Europeia. Os resultados evidenciam que o ciclo II (2008–2014) foi o mais grave, enquanto o ciclo III (2015–2021) se caracterizou por uma recuperação gradual interrompida pelo choque exógeno da pandemia em 2020. O ciclo IV (2022–2025) regista a primeira recuperação em forma de V e os primeiros excedentes orçamentais da série analisada. Verificou-se uma eficácia diferenciada da política monetária do BCE e da política orçamental portuguesa, resultantes da pertença a uma união monetária e aos condicionalismos do Pacto de Estabilidade e Crescimento.