FCT (DCEA) - Mestrado Integrado em Arquitetura e Urbanismo
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- A arquitetura na valorização de espaços vitivinícolas: projeto de enoturismo na Quinta de AgrelosPublication . Bouça, Sérgio Renato da Silva; Faria, Luís Pinto deEm Portugal, a vitivinicultura constitui-se como um setor de relevância económica, social e cultural inquestionável, afirmando-se como uma atividade em constante evolução, na qual a arquitetura contemporânea se pode afirmar como instrumento estratégico para a requalificação de infraestruturas produtivas, a salvaguarda e valorização da paisagem vitícola e a consolidação de práticas de enoturismo sustentável. Parte-se do pressuposto de que a disciplina da arquitetura não se limita a dar resposta a requisitos programáticos de carácter funcional e técnico inerentes à produção vitivinícola, podendo antes configurar-se como agente ativo na construção e afirmação da identidade territorial, na racionalização de recursos construtivos e energéticos e na promoção de experiências imersivas e qualificadas para os visitantes. A presente dissertação propõe-se investigar de forma crítica a inter-relação entre arquitetura, processos produtivos vitivinícolas e práticas de enoturismo, procurando aferir de que modo o espaço arquitetónico concebido pode influenciar a eficiência produtiva, a qualidade enológica, as condições de armazenamento e maturação, bem como a experiência do visitante em todas as fases do ciclo produtivo. Os resultados da investigação serão operacionalizados através do desenvolvimento de uma proposta de intervenção arquitetónica para uma unidade de vinificação de vinho verde, a localizar na Quinta de Agrelos, freguesia de Sande e S. Lourenço do Douro, concelho de Marco de Canaveses, dotada de programas complementares de enoturismo e hospitalidade. Esta proposta assume-se como caso de estudo aplicado, visando testar soluções projetuais que articulem a funcionalidade operacional, a integração morfológica e paisagística, a sustentabilidade ambiental e a qualificação da experiência enoturística, em alinhamento com os princípios de arquitetura bioclimática e os referenciais normativos da construção de baixo impacto. A reflexão crítica incide, ainda, sobre a dimensão da sustentabilidade, transversal a toda a investigação, atendendo aos desafios contemporâneos de mitigação dos impactos ecológicos da construção, da eficiência energética e da resiliência face às diretivas europeias para edifícios NZEB (Nearly Zero Energy Buildings). Em síntese, pretende-se contribuir para uma reflexão aprofundada sobre o papel da arquitetura na cadeia de valor vitivinícola e na dinamização do enoturismo, demonstrando de que forma o projeto arquitetónico, enquanto síntese entre forma, função e contexto, pode gerar valor económico, social, cultural e ambiental nos territórios de vocação vitivinícola.
- O espaço público do Bairro do Aleixo (Porto)Publication . Silva, Rogério Jorge Cunha da; Sucena, SaraO Bairro do Aleixo, na cidade do Porto, constitui o caso de estudo desta dissertação, focada especialmente na análise do seu espaço público. Inaugurado em 1974, numa área periférica da cidade, e demolido num passado recente, o Bairro teve relevância histórica no contexto da habitação social, mas também da arquitetura/urbanismo. Visando melhorar a qualidade de vida dos habitantes residentes no centro histórico da cidade que para aí foram deslocados, este bairro foi projetado sob novas ideologias urbanísticas e arquitetónicas, sofrendo, no tempo, intervenções profundas. Hoje, a sua revisita pretendeu descrever/caracterizar o espaço público do Bairro entre a sua génese e o seu desaparecimento, retratando aspetos da sua história/evolução e da relação com a envolvente próxima. Assim, cruzou-se a história da cidade a partir da cartografia de final do séc. XIX e Plano urbanísticos do séc. XX, e aprofundou-se a história do Bairro via as peças desenhadas e escritas do projeto, documentários com o contributo de arquitetos que nele participaram, e bibliografia específica. De que forma o Espaço Público do Bairro do Aleixo, desde a conceção até à demolição dos seus edifícios, evidencia a interação entre configuração morfológica, funções urbanas, dinâmicas sociais e valores simbólicos? E de que modo estes fatores condicionaram a sua identidade, integração na malha urbana e preservação da memória coletiva? A investigação demonstrou que, apesar dos constrangimentos físicos e das limitações de integração urbana, o espaço público do Bairro preservou a identidade e relevância social, devido à solidez da sua estrutura morfológica, à permanência de elementos naturais e simbólicos e, sobretudo, à apropriação comunitária e persistência da memória coletiva. Atuando como suporte físico e simbólico das atividades coletivas e individuais, o espaço público desempenhou um papel estruturante no desenvolvimento do Bairro. Para além desta função prática, contribuiu para a consolidação de uma memória identitária partilhada, reforçando vínculos sociais e continuidade histórica da comunidade, confirmando que a vitalidade e a resiliência de um espaço público resultam da sua configuração física e do desenho urbano, mas também da relação contínua e significativa que estabelece com a comunidade que o habita. No Bairro do Aleixo, o Genius Loci manifestou-se na articulação entre forma física do espaço, sua paisagem envolvente e práticas sociais que nele se desenvolveram. As torres, pela sua escala e implantação, constituíram marcos visuais que estruturaram a perceção do Bairro e reforçaram a sua singularidade no tecido urbano. Os arruamentos e espaços verdes centrais, estabelecendo percursos a zonas de encontro, contribuíram para a vivência comunitária e a continuidade das relações sociais. A vista sobre o rio Douro, elemento natural de forte carga simbólica, ancorou o Bairro a uma geografia e a uma memória partilhada, que, de acordo com Norberg-Schulz, se constitui precisamente nesta interação entre forma construída, contexto natural e apropriação humana, gerando a identidade do lugar, e permitindo que, mesmo perante transformações físicas ou sociais, o Aleixo tenha mantido um sentido de pertença e um caráter reconhecível. Este contributo abre assim espaço para a reflexão sobre políticas de habitação, regeneração urbana e o papel do espaço público.
- Construir sobre o construído: reutilização de edifícios com o uso de sistemas de construção em madeira e derivadosPublication . Brito, Ricardo António Teixeira de; Félix, DanielA indústria da construção civil constitui um dos principais setores com emissões de CO2, sendo responsável por aproximadamente 28% das emissões globais. Esta taxa aumenta para 40% quando são consideradas as emissões de CO2 resultantes dos materiais de construção. Neste contexto, o tipo de material utilizado na construção tem um impacto significativo na mitigação destas emissões. Em função disto e da escassez de recursos naturais, como a areia, o cascalho e os materiais para a produção de cimento, o uso da madeira na construção tornou-se uma alternativa cada vez mais atrativa. De forma a reduzir ainda mais as emissões de carbono, é fundamental adotar uma abordagem mais sustentável. Em vez de demolir edifícios, deve-se considerar prolongar a sua vida útil, evitando a consequente emissão de milhares de toneladas de carbono na atmosfera. É possível restaurar os edifícios mantendo a sua função original ou optar pela reutilização adaptativa, onde o edifício é renovado para servir uma nova finalidade. Estas estratégias não apenas preservam recursos, mas também contribuem para um ambiente mais sustentável. Após o seu abandono, os edifícios deixam de receber a manutenção necessária, o que contribui para o seu progressivo estado de degradação e compromete, de igual, modo o terreno onde estes se localizam. Esta realidade tem um impacto negativo na paisagem e na qualidade da cidade, além de representar um risco para os cidadãos. A presente dissertação pretende abordar o potencial da reutilização de edificado existente, principalmente da tipologia equipamento, usando sistemas construtivos de derivados de madeira, promovendo assim a sustentabilidade e reabilitação de edifícios existentes. O estudo inicia-se com uma análise ao parque edificado em Portugal, para compreender e conhecer a realidade do mesmo, essencialmente no que diz respeito a edifícios devolutos. Em seguida, são estudados diversos sistemas construtivos à base de madeira e derivados, de modo a analisar, avaliar e compreender as suas vantagens e desvantagens para o uso na reabilitação dos edifícios. Deste modo, o estudo baseia-se numa recolha de dados e na análise das práticas da arquitetura na reabilitação, propondo a aplicação destas soluções, com base na análise da sua estrutura, construção e organização, procurando a interligação entre a reutilização e os derivados de madeira. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é fornecer uma compreensão aprofundada neste tema. Visa-se assim, estabelecer uma base de conhecimento que abranja as condicionantes e vantagens, até agora analisadas no contexto atual, dos sistemas construtivos de madeira e seus derivados na reutilização de edifícios. Considera-se, por conseguinte, que a interligação entre estas soluções e a arquitetura, desde a conceção até à sua conclusão, revela-se crucial para o futuro da reabilitação e a sua sustentabilidade.
- Impacto do Alojamento Local na reabilitação dos edifíciosPublication . Pereira, Miguel Ângelo da Silva; Branco-Teixeira, MiguelA seguinte dissertação apresenta e explora a temática do impacto que o alojamento local exerce na reabilitação dos edifícios. O presente estudo visa a obtenção do grau de mestre em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade Fernando Pessoa. O Alojamento Local é uma tipologia que nasceu após a década de 1960 e, como tal, a partir desse momento, obteve um crescimento exponencial até aos dias de hoje. Esse crescimento é obtido e demonstrado não só a nível do turismo, como a nível social, cultural e económico. A principal característica do AL é servir os turistas de modo a que os mesmos usufruam de experiências e vivências tal e qual os residentes locais. Para isso, o Alojamento Local está mais situado nos centros históricos das cidades que, geralmente, estão perto de monumentos, estabelecimentos gastronómicos, paisagens, ente outras. A Reabilitação é um processo de conservação e preservação de material urbano como arquitetónico. É um processo que se constatou a partir da carta de Atenas, de 1933 e que englobava, primeiramente só os monumentos, como forma de um símbolo do passado, de identidade e das vivências dos locais e que, com o passar do tempo, obteve várias revisões e adquiriu uma importância de tal modo que, passamos da escala de um edifício (micro-escala) e passamos a pensar no urbano (macro-escala). Contudo, o ato de reabilitar é um processo difícil de executar pois necessita de um conjunto de parâmetros para que a mesma ser realizada. Os fatores mais importantes e necessários a ter em conta são o investimento monetário, pois sem isso, nada é possível, um estudo intensivo do caso em específico e por fim, a mão de obra especializada e qualificada. Nos dias de hoje, existe todo um regulamento e processos para que a reabilitação seja praticada. O impacto que o Alojamento Local tem na reabilitação de edifícios é devido ao fator de que existe um investimento não só a nível nacional como estrangeiro em edifícios que se encontram em situação de ruína ou até mesmo devoluto, localizadas nos centros históricos que, ganham “vida” a serem reabilitadas para o efeito de AL. Como tal, graças ao crescimento desta nova tipologia de turismo, faz com que com as habitações e suas envolventes sejam reabilitadas de modo a que tenham uma nova imagem a nível arquitetónico e urbano. Por fim, após uma introdução teórica acerca do Alojamento Local e da Reabilitação de edifícios será apresentado um caso de estudo situado na Rua do Sol, pertencente à União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, no distrito do Porto, focado na reabilitação do mesmo para efeito de Alojamento Local.
- Trajetória criativa de Júlio José de Brito: uma análise a partir do Sanatório de Mont'AltoPublication . Matros, Maksym; Silva, IlídioO Sanatório de Mont’Alto, edificado num extenso período entre 1932 e 1958, em São Pedro da Cova (Gondomar), como a resposta à epidemia de tuberculose, apresenta-se como um caso singular na arquitetura hospitalar portuguesa, sendo a sua relevância desvalorizada na historiografia. O presente estudo tem como objetivo geral compreender a evolução estilística do arquiteto portuense Júlio José de Brito no contexto do Sanatório, esclarecendo as transformações ao longo das sucessivas fases de projeto e construção. Para isso, utilizou-se uma metodologia que combinou a pesquisa documental e bibliográfica em arquivos municipais e arquivos históricos com um levantamento arquitetónico rigoroso do sanatório feito in situ. Este levantamento contou com medições precisas, varrimento LiDAR e registo fotográfico do estado atual, permitindo realizar uma reconstituição tridimensional a partir de fotografias de época e colmatar o vácuo deixado pela falta de desenhos originais. Complementarmente, foi realizada uma análise comparativa com obras-chaves de Júlio de Brito com o intuito de identificar continuidades e dissonâncias estilísticas entre Mont'Alto e o restante do portefólio do arquiteto. Os resultados confirmam que o Sanatório de Mont'Alto, ao longo do processo construtivo, foi sucessivamente influenciado pelo Art Déco (na fase inicial dos anos 1930, marcada por volumes geométricos arredondados e pela ausência de ornamentação), pelo estilo Português Suave (na retomada das obras no pós-guerra, evidente em elementos de inspiração tradicionalista, tais como as capelas concluídas em 1955) e pelo Movimento Moderno (nos acréscimos do final da década de 1950, de caráter funcional, modular e desprovido de decorativismo). Este percurso trilateral estilístico reflete a versatilidade de Júlio de Brito em alternar entre diferentes linguagens arquitetónicas, adaptando-se às circunstâncias da época, sem renunciar a uma certa coerência autoral, e transforma o conjunto de Mont'Alto em um testemunho da convergência entre tradição e modernidade na arquitetura portuguesa do século XX. Conclui-se que o sanatório reúne, num único projeto, a transição gradual entre correntes diferenciadas no período do Estado Novo, demonstrando que a modernização arquitetónica conviveu com o revivalismo nacionalista na obra do Brito. Em termos de implicações, o estudo contribui para a historiografia da arquitetura portuguesa por meio do registo, documentação e da interpretação deste caso pouco estudado, fornece uma base para possíveis futuras investigações no último sanatório de tuberculose do país, Mont'Alto.
- Análise arquitetônica comparativa entre as obras de José Carlos Loureiro: a Casa J. Carlos Loureiro e a Casa-Atelier Júlio ResendePublication . Lima, Ágata Bujes de; Ferreira, João CastroEsta dissertação, intitulada "Análise Arquitetônica Comparativa Entre As Obras De José Carlos Loureiro: a Casa J. Carlos Loureiro e a Casa-Atelier Júlio Resende" desenvolve-se no âmbito do curso de Mestrado Integrado em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Fernando Pessoa e busca analisar os princípios de projeto em duas obras representativas do arquiteto José Carlos Loureiro: a Casa do Arquiteto (1949) e a Casa-Atelier Júlio Resende (1962), ambas localizadas no município de Gondomar, distrito do Porto, norte de Portugal. Embora tenham sido concebidas em um intervalo temporal relativamente próximo, com programas e contextos locais análogos, as obras adotam abordagens distintas: uma incorporando referências internacionais e cosmopolitas, e a outra, evidenciando características da arquitetura tradicional portuguesa. Nesse sentido, a pesquisa propõe, por meio de uma análise comparativa, examinar os fatores que levaram Loureiro a adotar tais estratégias projetuais em um contexto aparentemente homogêneo. A metodologia adotada inclui uma fundamentação teórica voltada para o contexto histórico da época, enquadrando as obras nesse panorama, além do redesenho das peças desenhadas originais, visitas aos edifícios e aplicação de conceitos teóricos de análise arquitetônica no processo de análise comparativa. O objetivo desta dissertação, portanto, é analisar as semelhanças e diferenças entre as obras, explorando simultaneamente a relação entre as escolhas de Loureiro e o contexto histórico e arquitetônico da época, a fim de compreender a dualidade presente em seus projetos e as diferentes influências que moldaram suas decisões.
- Alojamento temporário pós-catástrofe: princípios e boas práticas de implementaçãoPublication . Rocha, Beatriz Gomes Ribeiro da; Félix, DanielNas últimas décadas, os fenómenos naturais têm aumentado significativamente, originando cenários de desastre que afetam pessoas em diversas partes do mundo. Uma das consequências mais imediatas e visíveis destes eventos é a destruição parcial ou total das habitações, deixando milhares de pessoas desalojadas e em situação de vulnerabilidade extrema. As situações de crise resultantes de fluxos migratórios, guerras e outros fatores, têm igualmente desencadeado situações de emergência e carência de soluções de alojamento. Nestas circunstâncias, o alojamento temporário assume-se como uma das respostas para garantir abrigo, proteção e dignidade, funcionando como elemento estruturante para a recuperação do quotidiano das populações afetadas. Apesar da sua importância, os alojamentos temporários têm revelado varias limitações. Muitas das soluções implementadas baseiam-se em estruturas estandardizadas e de produção em massa, concebidas com lógicas militarizadas. Este tipo de abordagem, embora eficiente na resposta imediata, ignora fatores culturais, sociais e ambientais, resultando em espaços desumanizados, pouco adaptáveis e frequentemente rejeitados pelas comunidades. Além disso a ausência de planeamento para o seu destino final contribuem para o desperdício de recursos e para impactos ambientais significativos. A presente dissertação analisa de forma crítica estes desafios, identificando os principais problemas associados às soluções de alojamento temporário habitualmente adotadas e ilustrando as suas consequências na vida das populações deslocadas. Paralelamente, explora alternativas que privilegiam a sustentabilidade, a eficiência de recursos e a integração cultural, apresentando estratégias que incluem a reutilização, a reconversão e a aplicação de princípios de economia circular. Estas abordagens permitem não apenas responder à emergência, mas também criar soluções mais duradouras, que podem ser integradas nos processos de reconstrução e desenvolvimento comunitário.
- Artur Andrade na Aboinha: tempo e transformaçõesPublication . Viana, Ana Beatriz Soares; Silva, IlídioEsta dissertação analisa os projetos de Artur Andrade para o lugar da Aboinha, em Gondomar, acompanhando as suas diferentes fases de transformação, a casa inicial de segunda habitação do arquiteto, em 1954, e a adaptação a Estalagem Santiago em 1967, mas também as suas alterações posteriores a partir de 1991. O estudo sobre o enquadramento biográfico do autor e o contexto do Movimento Moderno em Portugal, indispensáveis para situar o caso de estudo e interpretar coerentemente as opções projetuais do arquiteto, distinguindo-as das alterações subsequentes. A investigação centra-se na reconstituição rigorosa das fases de 1954 e 1967, conjugando processos de obra, desenhos, memórias descritivas, registos fotográficos e bibliografia especializada. O projeto inicial revela uma obra alinhada com os princípios funcionalistas, nomeadamente os cincos pontos para a arquitetura moderna definidos por Le Corbusier, sendo até possível fazer uma aproximação à Villa Savoye, assim como influências brasileiras, dado o seu carácter curvilíneo e as semelhanças próximas à Casa de Vidro de Lina Bo Bardi. A adaptação de 1967, motivada pelo novo programa turístico, introduz um corpo de maior escala e infraestruturas, marcando uma inflexão tardo-moderna na trajetória de Andrade, talvez com inspirações inglesas, ainda que indiretas. A remodelação de 1991, já não conduzida pelo arquiteto, acentua a descaracterização do conjunto, dificultando a leitura do projeto inicial e revelando as tensões entre conservação, mudança de uso e viabilidade funcional. Os resultados destacam a importância arquitetónica desta obra múltipla no panorama moderno português e a sua utilidade para compreender a evolução de Artur Andrade, da adesão entusiástica ao Movimento Moderno à abertura a linguagens tardo-modernas. Metodologicamente, o trabalho demonstra o valor da reconstituição gráfica crítica para colmatar lacunas documentais em obras muito transformadas, permitindo fixar uma interpretação fundamentada do objeto. Perante a iminência de novas alterações, esta dissertação fixa uma leitura que poderá apoiar estudos futuros sobre a obra de Artur Andrade e informar estratégias de preservação do património moderno, frequentemente sujeito a sucessivas adaptações.
- Além da visão: o papel dos sentidos para humanizar a arquiteturaPublication . Reis, Pedro Nuno Moreira; Félix, DanielA arquitetura tem sido um campo em permanente evolução, espelhando as culturas e ideologias dos contextos socioculturais em que se insere. Na contemporaneidade, tornou-se acessível à maioria da população graças à globalização, mas enfrenta um desafio primordial: a excessiva disseminação e internacionalização resultou em inúmeras obras concebidas com uma abordagem meramente visual, descurando a experiência espacial dos seus ocupantes. Esta rutura advém de múltiplos fatores, entre eles, uma mudança nas ideologias dos arquitetos, que passaram a privilegiar cada vez mais a criação de projetos para contemplação, em detrimento de espaços centrados no ser humano. Este afastamento surge, em parte, porque, embora as dimensões sensoriais e percetivas fossem fundamentais na história da arquitetura, foram progressivamente substituídas por considerações económicas e exigências técnicas à medida que as sociedades se modernizaram. Atualmente, as obras arquitetónicas são frequentemente concebidas como entidades autónomas, desprovidas da riqueza sensorial que estabelece a simbiose entre o espaço e o seu utilizador. Assim, o ato de projetar transcende a pura objetividade, pois os edifícios devem ser, acima de tudo, espaços vivos que criam laços profundos entre os indivíduos e o ambiente envolvente. É urgente colmatar esta dicotomia entre o espaço construído e a vivência do ocupante, pois só assim será possível compreender o profundo impacto que a arquitetura exerce no bem-estar físico e psicológico, transformando edifícios em verdadeiros catalisadores de qualidade de vida. Esta dissertação procura explorar como os vários elementos da linguagem arquitetónica podem ser estrategicamente articulados pelo arquiteto, em função dos significados que ambiciona materializar nos espaços que concebe.
- Un lugar de identidad. Chantada: casco antiguo. Área de rehabilitación integral (ARI)Publication . Cadahía Fernández, Belén; Sucena, SaraUn lugar es un fenómeno de la percepción y la experiencia del mundo por parte del hombre. Al moverse por el entorno adquiere relaciones vitales con el ambiente que lo rodea y este entorno muestra un conjunto de características que define el lugar, una imagen ambiental acuñada por Norberg-Schulz como “espacio existencial”, la experiencia única de cada individuo interpretada a través de la memoria (Pallasma, 2023, p.144). Experimentar el entorno es situarse en el espacio, el aquí donde el centro es el “yo”. La arquitectura forma parte de este entorno, un medio para dar al hombre un apoyo existencial para orientarse e identificarse (Norberg-Schulz, 1979, p.52). En Chantada, memorias y experiencias anteriores estructuran el espacio existencial de la autora. Experimentar Chantada, un enfoque desde dentro, la experiencia corporal, y desde fuera, aplicaciones Web, para mostrar un recorrido o viaje de un lugar a outro lugar, hacia el punto de destino, el casco antiguo de Chantada. Un punto de apoyo existencial a partir del cual se orienta e identifica. El casco antiguo de Chantada está formado por un conjunto de edificios, “cosas concretas” que denotan su carácter y personalidad. Conservan la memoria y tradiciones anteriores, son un anclaje en el pasado que continua presente en la vida de los ciudadanos. Políticas de rehabilitación del patrimonio construido denominadas como Áreas de Rehabilitación Integral (ARI) favorecen la conservación de este lugar de memoria y de la identidad centralizada, simbólica y cultural. Actualmente, el casco antiguo es un punto de apoyo existencial en las identidades de los ciudadanos a partir del cual se orientan e identifican. Un lugar compartido por una cantidad de ciudadanos, una característica de la identidad. La imagen común de “lo mismo” que nos hace iguales. La identidad está relacionada con la experiencia del lugar.
