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- Expressão da agressividade nos adeptos de futebol: cenários de visionamento e pertença a claquesPublication . Pereira, Diogo Alexandre Oliveira; Seabra, Daniel; Fernandes, ÂngelaA presente investigação centra-se na expressão da agressividade nos adeptos de futebol, procurar explorar as diferenças nos níveis de agressividade basal entre indivíduos pertencentes a claques e não pertencentes, bem como analisar de que forma os diferentes contextos de visionamento, casa, cafés/bares e estádio, podem influenciar essa expressão. A investigação procurou, assim, contribuir para um melhor entendimento dos fatores individuais, sociais e situacionais que influenciam os comportamentos agressivos associados ao fenómeno do futebol, um cenário onde a emoção coletiva interage com elementos identitários e contextuais. A amostra incluiu 210 participantes, maioritariamente homens, com idades compreendidas entre os 18 e os 59 anos. Os dados forma recolhidos por meio da aplicação de um questionário sociodemográfico e de um instrumento padronizado de avaliação da agressividade, designadamente Buss-Perry Aggression Questionnaire. Os participantes foram também categorizados segundo a tipologia de classes sociais de Goldthorpe, permitindo uma análise mais detalhada da diversidade socioeconómica e do perfil profissional dos adeptos. Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas entre os indivíduos pertencentes a claques e os não pertencentes, com os primeiros a apresentarem níveis mais elevados de agressividade, sobretudo ao nível da agressão física e raiva. Com isto, reforça-se a ideia de que o fator de pertença a claque pode atuar como potenciador da expressão da agressividade. No que diz respeito aos contextos de visionamento, foi registada uma associação significativa entre os contextos em que os jogos são assistidos e os níveis de agressividade reportados. Participantes que demonstraram tendência em assistir aos jogos em cafés ou bares apresentaram valores mais elevados de agressividade do que aqueles que assistem os jogos em casa. Assim, considera-se que o ambiente social, nomeadamente os espaços públicos podem estimular a propensão a comportamentos agressivos. Embora o visionamento em estádios não tenha revelado níveis significativamente mais altos do que em cafés/bares, apresentou níveis mais elevados do que o visionamento em casa. A análise das correlações indicou ainda que determinadas variáveis sociodemográficas, como o sexo, também podem influenciar a expressão da agressividade, sendo os homens a demonstrar valores mais elevados em quase todas as dimensões avaliadas. Em suma, os dados sugerem que tanto a pertença a claques como o local de visionamento dos jogos são fatores relevantes na expressão da agressividade entre adeptos. Estes resultados apontam para a importância do desenvolvimento de estratégias de intervenção ajustadas a diferentes realidades contextuais e grupais, promovendo uma vivência mais segura e saudável do desporto.
- A participação de crianças e jovens refugiados e migrantes no processo de acolhimento residencialPublication . Pereira, Leonor Bastos; Sani, Ana IsabelEste estudo explora a participação de crianças refugiadas e migrantes em instituições de acolhimento residencial, analisando desafios e melhores práticas. Mais de metade da população de refugiados é constituída por crianças. Antes de mais, são crianças e requerem uma atenção especial. Enquanto refugiadas, estão particularmente em risco devido à incerteza e às perturbações sem precedentes que continuam a moldar as suas vidas. Enfrentam ameaças à sua segurança e bem-estar significativamente maiores do que a maioria das crianças. A natureza abrupta e frequentemente violenta das situações de emergência, a rutura dos sistemas de apoio familiar e comunitário e a grave falta de recursos com que se depara a maioria dos refugiados tem um impacto profundo no seu bem-estar físico e psicológico. De acordo com o artigo 12.º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989), “as crianças têm o direito de participar em todas as decisões que as afetem, sendo as suas opiniões ‘devidamente ponderadas’ de acordo com a sua idade e maturidade”. Permitir que os refugiados recuperem o controlo sobre as suas vidas é fundamental. Através da participação, podem influenciar as decisões que os afetam, o que, por sua vez, tem um impacto positivo na sua autoestima. Utilizando uma abordagem qualitativa, este estudo recolheu dados através de entrevistas semi-estruturadas com académicos e profissionais de casas de acolhimento. Embora a participação seja reconhecida como um direito, a sua implementação enfrenta barreiras estruturais, culturais e institucionais.
- Framing, mitos e opiniões: influência na credibilidade de vítimas de violência sexualPublication . Mateus, Sara Daniela Moura; Sani, Ana IsabelO presente estudo originou de uma inquietação fundamental: como é que a forma como os media retratam casos de violência sexual e os mitos de violação afetam a credibilidade que atribuímos às vítimas? Para responder a esta pergunta, a investigação desenvolveu-se em duas vertentes que se complementam: uma revisão sistemática da literatura e um estudo empírico com jovens portugueses. Na primeira parte, foi realizada uma revisão sistemática de 14 estudos publicados entre 2015 e 2025, que analisaram o impacto do framing e dos mitos de violação na perceção da credibilidade das vítimas. Os resultados revelaram que os discursos mediáticos, sobretudo em contextos digitais, operam como filtros interpretativos que reforçam estereótipos de género, descredibilizam as vítimas e humanizam os agressores. Elementos como o consumo de álcool pela vítima, o tempo demorado até à denuncia, ou a ausência de resistência física foram fatores frequentemente associados a atribuição de menor credibilidade. Além disso, observou-se uma clara assimetria moral que penaliza comportamentos femininos fora das normas tradicionais e favorece agressores com elevado estatuto social. Também os homens vítimas enfrentam descrédito acentuado, fruto de mitos específicos associados à masculinidade hegemónica. Na segunda parte, foi desenvolvido um estudo empírico, com 131 jovens adultos portugueses. Foi utilizada uma metodologia quantitativa com componentes qualitativas, através da aplicação de um questionário online contruído com base na literatura. Os participantes foram expostos a diferentes versões de um cenário de violência sexual, manipulando variáveis como o género da vítima, a presença de mitos e comentários. O questionário foi construído de raiz, sendo divido em duas partes com respostas fechas e uma questão aberta para cada vítima, uma feminina e uma masculina. Os resultados demonstraram uma tendência generalizada de apoio às vítimas, contrariando a literatura mais pessimista sobre a aceitação dos mitos de violação. No entanto, este apoio revelou-se ambivalente: persistem formas subtis de dúvida e questionamento da vítima, como o consumo de álcool, o tempo até à denúncia ou a falta de existência de força física. Esta culpabilização subtil sugere que os mitos de violação evoluíram para formas menos explícitas, mas ainda presentas. A análise de género evidenciou que as participantes femininas mostraram níveis mais elevados de perceção de credibilidade na vítima, em contraste com os homens, que se revelaram mais reticentes, sobretudo no caso da vítima feminina. Conclui-se que, apesar de haver indícios de mudança e maior sensibilização, as estruturas cognitivas subjacentes aos mitos de violação continuam presentes, exigindo estratégias de intervenção mais profunda e culturalmente contextualizadas.
- Personality and parenthood: a comparative study in adultsPublication . Augusto, Cláudia Sofia Maia; Fonte, CarlaPersonality traits are known to influence how individuals experience and respond to major life transitions, yet research on how parenthood may shape adult personality remains limited. Parenting introduces emotional, social, and behavioral challenges that could promote or constrain the development of specific traits. This quantitative, cross-sectional study examined (1) personality differences between parents and non-parents, (2) gender differences within these groups, and (3) the influence of sociodemographic variables (socioeconomic status, marital status, professional activity, and education) on personality traits. Data were collected from 708 adults (77.1% women, 22.9% men) via online survey, including a sociodemographic questionnaire, the Ten-Item Personality Inventory (TIPI), and the Autotelic Personality Questionnaire (APQ). Participants (330 parents, 378 nonparents) were recruited through snowball sampling. Data analysis involved descriptive statistics, t-tests, and ANOVAs using IBM SPSS Statistics. Ethical approval and informed consent were obtained. Parents scored significantly higher than non-parents in extraversion, conscientiousness, and emotional stability, as well as in some dimensions of Autotelic Personality, including persistence, intrinsic motivation, low selfcenteredness and attentional control. Within-group analyses revealed that gender, education, employment, and socioeconomic status were associated with trait variation. Employed parents and those with higher education or multiple children yielded statistically significant findings for some personality traits, suggesting a link between life context and personality expression. Among non-parents, women demonstrated higher conscientiousness and agreeableness, while men scored higher in emotional stability. Higher educational level and employment were also linked with increased self-regulation and emotional resilience. These results support the notion that parenthood is a transformative life experience that fosters growth in adaptive personality traits. The findings align with prior literature suggesting that the demands of parenting reinforce responsibility, self-regulation, and emotional resilience. Changes in personality traits may reflect not only the parenting role itself but also broader contextual factors such as gender roles, socioeconomic conditions, and occupational engagement. Taken together, the results highlight parenthood as a potential catalyst for positive personality development. Understanding how life roles shape traits can inform support programs for parents and non-parents alike. Future longitudinal and cross-cultural research is needed to better understand the causal mechanisms behind these personality shifts and their broader implications.
- Violência sexual baseada em imagens não consensuais: atitudes e crenças e experiência de vitimação em PortugalPublication . Castro, Telma Sofia Gonçalves; Sani, Ana IsabelA presente dissertação analisa o fenómeno do Abuso Sexual Baseado em Imagem (ASBI), uma forma crescente de ciberviolência, caracterizada pela divulgação, criação ou ameaça de partilha de conteúdos íntimos sem consentimento. A investigação integra dois estudos complementares: uma revisão sistemática da literatura internacional e um estudo empírico centrado na realidade portuguesa. A revisão sistemática teve como objetivo analisar as crenças, atitudes e prevalência do ASBI, reunindo estudos publicados entre 2017 e 2024. Os resultados revelaram a persistência de crenças que culpabilizam a vítima e legitimam o comportamento do agressor. Identificou-se uma relação direta entre atitudes minimizadoras e práticas de ASBI, evidenciando a influência de normas sociais e estereótipos. Apesar disso, confirmou-se que o ASBI é uma realidade transversal e multifacetada, com implicações relevantes para a saúde mental das vítimas e para a necessidade de intervenção social e jurídica. O estudo empírico, realizado com uma amostra de 252 participantes, teve como objetivo analisar as crenças e atitudes face ao ASBI, bem como a prevalência e os impactos da vitimação. A maioria dos participantes rejeitou explicitamente o ASBI, mas persistem crenças conservadoras, sobretudo entre os homens e entre vítimas. Verificou-se uma tendência para a culpabilização da vítima e para a aceitação de ideias como a inevitabilidade da divulgação de conteúdos íntimos. No que respeita à prevalência, 8.7% dos participantes reportaram ter sido vítimas de ASBI, sendo as ameaças de divulgação o comportamento mais comum. Os agressores identificados foram maioritariamente homens (81.8%) e próximos da vítima (parceiros ou amigos). As motivações mais referidas incluíram controlo, imaturidade e vingança, refletindo dinâmicas de poder nas relações íntimas. Os impactos da vitimação revelaram-se significativos: humilhação, tristeza, insegurança, danos e dificuldades nas relações interpessoais e no contexto profissional. Tais consequências reforçam a necessidade de uma resposta multidimensional, que integre apoio psicológico, jurídico e educacional. Em conjunto, os dois estudos sublinham a urgência de investir na educação para o consentimento, em campanhas de sensibilização, na formação de profissionais e na criminalização eficaz de todas as formas de ASBI. No contexto português, onde esta forma de violência ainda é pouco estudada, torna-se imperativo aprofundar o conhecimento existente, de forma a desenvolver respostas adequadas às vítimas e prevenir futuras ocorrências.
- A perceção de estigma em populações psiquiátricasPublication . Gonçalves, Margarida Leite; Matos, MartaA literatura tem vindo a mostrar que indivíduos que vivem com um diagnóstico psiquiátrico ou encaram dificuldades psicológicas, são ainda alvo de estigma e atitudes discriminatórias por parte da sociedade. A falta de conhecimento relativa a problemas de saúde mental levou a que ao longo do tempo tenham sido criadas conceções erróneas, que conduziram ao preconceito e à discriminação. Apesar do aumento da literacia e do desconstruir destas ideias, o estigma persiste até aos dias de hoje. O presente estudo combina uma metodologia quantitativa e qualitativa com desenho descritivo comparativo, no qual se pretende analisar a perceção do estigma numa amostra da população psiquiátrica e de que modo esta perceção é consistente com o olhar da sociedade perante problemas de saúde mental. Consideraram-se duas amostras distintas da população, uma amostra psiquiátrica (n=42) e uma amostra da população geral (n=51). Os resultados obtidos revelaram que a população psiquiátrica apresenta uma perceção de estigma consideravelmente elevada, sobretudo no que toca a atitudes da comunidade perante problemas de saúde mental. Quando comparados os resultados entre as amostras deste estudo verificaram-se diferenças significativas, o que confirma que a vivência direta de estigma num indivíduo com um problema mental se traduz numa perceção mais sensível às manifestações de estigma, discriminação e preconceito. Este contraste aponta para a necessidade de continuar a investir em estratégias de sensibilização, na psicoeducação e na promoção da empatia na sociedade, de modo a reduzir o estigma projetado e indivíduos que vivem com uma perturbação mental. Foi também possível verificar que, na sua generalidade, a amostra psiquiátrica apresenta níveis baixos de estigma internalizado, sugerindo que fatores protetores como o apoio psicológico, a inserção em contextos inclusivos e protegidos, e o apoio familiar podem ter um impacto bastante positivo.
- Violência sexual baseada em imagens não consensuais: atitudes e crenças e experiência de vitimação em PortugalPublication . Castro, Telma Sofia Gonçalves; Sani, Ana IsabelA presente dissertação analisa o fenómeno do Abuso Sexual Baseado em Imagem (ASBI), uma forma crescente de ciberviolência, caracterizada pela divulgação, criação ou ameaça de partilha de conteúdos íntimos sem consentimento. A investigação integra dois estudos complementares: uma revisão sistemática da literatura internacional e um estudo empírico centrado na realidade portuguesa. A revisão sistemática teve como objetivo analisar as crenças, atitudes e prevalência do ASBI, reunindo estudos publicados entre 2017 e 2024. Os resultados revelaram a persistência de crenças que culpabilizam a vítima e legitimam o comportamento do agressor. Identificou-se uma relação direta entre atitudes minimizadoras e práticas de ASBI, evidenciando a influência de normas sociais e estereótipos. Apesar disso, confirmou-se que o ASBI é uma realidade transversal e multifacetada, com implicações relevantes para a saúde mental das vítimas e para a necessidade de intervenção social e jurídica. O estudo empírico, realizado com uma amostra de 252 participantes, teve como objetivo analisar as crenças e atitudes face ao ASBI, bem como a prevalência e os impactos da vitimação. A maioria dos participantes rejeitou explicitamente o ASBI, mas persistem crenças conservadoras, sobretudo entre os homens e entre vítimas. Verificou-se uma tendência para a culpabilização da vítima e para a aceitação de ideias como a inevitabilidade da divulgação de conteúdos íntimos. No que respeita à prevalência, 8.7% dos participantes reportaram ter sido vítimas de ASBI, sendo as ameaças de divulgação o comportamento mais comum. Os agressores identificados foram maioritariamente homens (81.8%) e próximos da vítima (parceiros ou amigos). As motivações mais referidas incluíram controlo, imaturidade e vingança, refletindo dinâmicas de poder nas relações íntimas. Os impactos da vitimação revelaram-se significativos: humilhação, tristeza, insegurança, danos e dificuldades nas relações interpessoais e no contexto profissional. Tais consequências reforçam a necessidade de uma resposta multidimensional, que integre apoio psicológico, jurídico e educacional. Em conjunto, os dois estudos sublinham a urgência de investir na educação para o consentimento, em campanhas de sensibilização, na formação de profissionais e na criminalização eficaz de todas as formas de ASBI. No contexto português, onde esta forma de violência ainda é pouco estudada, torna-se imperativo aprofundar o conhecimento existente, de forma a desenvolver respostas adequadas às vítimas e prevenir futuras ocorrências.
