FCHS (DCPC) - Ciência Política e Relações Internacionais
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Percorrer FCHS (DCPC) - Ciência Política e Relações Internacionais por orientador "Ramos, Cláudia Toriz"
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- O Ártico no século XXI: competição entre grandes potências e a racionalidade geopolítica do interesse dos EUA pela GroenlândiaPublication . Torres, Júlia Gonçalves; Ramos, Cláudia TorizO Ártico tem-se tornado cada vez mais importante no mundo da política internacional no século XXI, principalmente devido às suas mudanças climáticas. O degelo progressivo da região, não só altera o seu equilíbrio ambiental, como também resulta em possíveis novas rotas marítimas e o acesso a recursos naturais que antes eram inalcançados. Essas mudanças permitem que o Ártico se torne uma área estratégica importante, onde grandes potências como Estados Unidos, Rússia e China apresentem cada vez mais interesse pela região. Neste contexto, este trabalho permite analisar o Ártico como um local onde a competição política tem vindo a aumentar, e onde fatores ambientais, económicos e militares se interligam. As mudanças do degelo, a instabilidade do permafrost e as mudanças no ecossistema, criam novas oportunidades para a exploração económica, especialmente na área de energia, mineração e pesca. Além disso, a abertura de novas rotas marítimas, como a Rota do Nordeste e a Passagem do Noroeste, introduzem novas possibilidades logísticas que podem transformar significativamente o comércio internacional. À medida que a região se tem tornado mais acessível, os países começam a apresentar maiores interesses. A Rússia, possuindo a maior parte do território no Ártico, investe significativamente em infraestrutura, exploração de energia e tecnologia de navegação, nomeadamente frota de navios quebra-gelo. Por outro lado, a China tem procurado afirmar-se como um ator importante na região, investindo em projetos de exploração e desenvolvimento. Os Estados Unidos, embora possuam uma presença mais limitada historicamente, têm vindo a reconhecer a importância estratégica do Ártico. É neste quadro que se insere a análise da Groenlândia enquanto elemento central da disputa geopolítica na região. A Groenlândia está localizada estrategicamente no Atlântico Norte, sendo fundamental para o controlo de rotas marítimas e sistemas de defesa e vigilância. Além disso, a ilha possui potencial em recursos naturais, incluindo minerais raros e energéticos, cuja exploração se torna cada vez mais viável com o degelo. A proposta de compra da Groenlândia pelos Estados Unidos, feita durante a administração de Donald Trump, não foi apenas uma ideia isolada, mas sim parte de uma estratégia mais ampla. Embora interpretada em debates políticos como uma excentricidade, a ideia pode ser entendida como parte das dinâmicas de competição entre grandes potências e da crescente importância do Ártico, tendo em consideração a teoria realista das relações internacionais. Em suma, este trabalho argumenta que o interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia reflete uma racionalidade geopolítica consistente com os pressupostos do realismo nas Relações Internacionais. A tentativa de reforçar a presença na região, garantir acesso a recursos e conter a influência de rivais como a Rússia e a China é uma lógica que se encaixa com a teoria do realismo nas Relações Internacionais. Desta forma, o Ártico emerge como um novo espaço de disputa no sistema internacional, onde fatores ambientais e estratégicos convergem para redefinir as dinâmicas de poder no século XXI.
- Empresas militares privadas e o grupo Wagner: noções fundamentais, uso global e o caso da República Centro-AfricanaPublication . Duarte, Pedro Miguel Claro Silva; Ramos, Cláudia TorizAs Empresas Militares Privadas são um fenómeno que tem vindo a ganhar cada vez mais dimensão nas últimas décadas. Estas empresas são utilizadas pelos Estados, de forma a estes ficarem isentos de responsabilidades, em cenários de conflito, devido à falta de enquadramento legislativo concreto para essas forças. O grupo Wagner, uma das EMP mais famosas da atualidade, é uma “ferramenta” de política externa utilizada pela Rússia de forma a concretizar ambições geopolíticas e económicas, principalmente no continente africano, obtendo assim resultados positivos, nomeadamente na República Centro-Africana (RCA). Pretende-se com este trabalho abordar a atual realidade das Empresas Militares Privadas, em especial a do grupo Wagner e a sua atuação na República Centro-Africana. Interessa compreender os principais conceitos e diferenças entre estas empresas privadas que fornecem serviços na área militar e de segurança e o alcance das suas funções, desde apoio logístico até ao envolvimento direto em conflitos armados. Pretende-se, também, explanar as diversas problemáticas ligadas com o crescente recurso às EMP, mais concretamente, os problemas jurídicos no ramo do Direito Internacional Humanitário. Ainda no âmbito deste trabalho, serão analisados o grupo Wagner e a forma como esta empresa controlada pelo oligarca russo Yevgeny Prigozhin atua de acordo com as ambições do Kremlin, explorando os recursos de países africanos, nomeadamente da RCA, e aí colocando em causa os direitos humanos.
- O populismo nacionalista como um desafio à União EuropeiaPublication . Costa, Beatriz Ribeiro; Ramos, Cláudia TorizO presente estudo aborda o populismo nacionalista como um desafio à União Europeia. O populismo nacionalista não é um fenómeno recente, no entanto tem vindo a afirmar-se no século XXI, paulatinamente, por todo o mundo. No caso europeu, de acordo com as vozes que se ouvem, os populistas europeus de ideário nacionalista tendem a desestruturar aquilo que tradicionalmente caracteriza a União Europeia. Agendas e discursos eurocéticos, antiprogressistas, xenófobos e racistas fazem atualmente parte do discurso de certos grupos políticos, de eurodeputados e de chefes de Estado e de Governo que compõem as instituições da União Europeia. O presente Projeto é composto por dois capítulos principais. O primeiro capítulo aborda a definição e a análise do populismo nacionalista e o conjunto de fatores que tem levado ao seu ressurgimento no continente europeu. No capítulo seguinte, é feita a investigação e a análise do reforço de forças políticas de ideário nacionalista nas instituições da União Europeia, nomeadamente no Parlamento Europeu e no Conselho Europeu. Por fim, são feitas algumas considerações sobre os desafios que tal coloca à União Europeia.
- Segurança e estratégia espacial da União EuropeiaPublication . Lins, Rafael Lencastre de Menezes e Cruz Dueire; Ramos, Cláudia TorizO presente trabalho analisa a evolução da política espacial da União Europeia (UE) no quadro da segurança internacional e da autonomia estratégica. Historicamente sustentada na cooperação sob o Direito Espacial Internacional e na parceria técnica com a Agência Espacial Europeia (ESA), a estratégia europeia enfrenta hoje um ambiente crescentemente competitivo, marcado pela ascensão de potências concorrentes e pela influência disruptiva de atores privados. O espaço tornou-se um domínio crítico para o funcionamento das sociedades modernas, integrando infraestruturas essenciais como os sistemas Galileo, Copernicus e GovSatCom. Contudo, vulnerabilidades estruturais — nomeadamente o aumento dos detritos espaciais, ameaças cibernéticas evidenciadas pelo ataque à rede KA-SAT em 2022, e a dependência de lançadores externos — comprometem a soberania e a resiliência do bloco. Com base numa metodologia de revisão bibliográfica e documental, o estudo examina como instrumentos como o Regulamento (UE) 2021/696 e a proposta do EU Space Act visam mitigar estas dependências, promovendo uma governação mais integrada e a internalização de ativos estratégicos. Conclui-se que a UE atravessa uma transição paradigmática de ator dependente para polo soberano e competitivo, processo acelerado pelo impacto geopolítico da invasão da Ucrânia em 2022. Esta transição reforça a natureza de tripla utilização (triple-use) das tecnologias espaciais — civil, militar e comercial — e a imperatividade de uma autonomia estratégica que assegure a estabilidade das sociedades europeias num contexto global de crescente disputa tecnológica e militar.
