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Repositório Institucional da Fernando Pessoa

 

Recent Submissions

Imprensa e envelhecimento: análise discursiva em jornais online de Portugal e do Brasil
Publication . Savenhago, Igor José Siquieri; Sousa, Jorge Pedro
Com uma abordagem interdisciplinar, quanti-qualitativa, inserida no campo das Ciências da Comunicação, este trabalho promove um estudo sobre a atenção dada ao processo de envelhecimento humano por dois jornais em suas versões online: um no Brasil, o A Cidade On Ribeirão Preto, e outro em Portugal, o Jornal de Notícias, no Porto. A partir do conteúdo noticioso publicado por esses veículos no período de três meses (1º de setembro a 30 de novembro de 2024) e de duas entrevistas reflexivas, realizadas com um profissional de cada jornal, busca-se avaliar como a temática do envelhecimento é abordada diante das demandas emergentes apresentadas pelos dois países diante do crescimento dos percentuais de pessoas idosas, 60+ no Brasil e 65+ em Portugal, o que obriga mudanças na estrutura social para garantir, a esses grupos, um curso de vida saudável e ativo, conforme diretrizes internacionais, nacionais e locais. As notícias e reportagens coletadas acompanham essas tendências? Discutem e aprofundam questões pertinentes à qualidade de vida na velhice ou predominam visões estereotipadas, de que as pessoas idosas são empecilhos socioeconômicos caso não se caracterizem como superidosos – aqueles extremamente ativos, praticante de esportes, com excelente memória, entre outros atributos? As velhices marginalizadas socialmente, que encontram menos espaços de expressão no cotidiano, são escanteadas também nos jornais? Um levantamento teórico sobre envelhecimento populacional, Jornalismo e envelhecimento, e importância do Jornalismo de proximidade como agente social conduz este estudo para uma análise discursiva dos dados. Espera-se, dessa forma, contribuir para subsidiar respostas que instiguem o debate sobre equidade nas condições de envelhecimento na contemponeidade e sobre a atuação da imprensa neste contexto.
O papel da comunicação organizacional nos processos de difusão do conhecimento inovador do Brasil: as unidades Embrapii
Publication . Sanita, Anderson; Cardoso, Paulo Ribeiro; Tuzzo, Simone Antoniaci
Esta tese investiga a comunicação organizacional e seu papel crucial na difusão do conhecimento inovador nas Unidades Embrapii, destacando sua importância para o fortalecimento do ecossistema de inovação no Brasil. A Embrapii apoia projetos de inovação tecnológica, promovendo a convergência entre instituições de pesquisa e o setor produtivo. As unidades vinculadas aos Institutos Federais ocupam uma posição estratégica, ao integrar ensino, pesquisa e inovação, capacitando profissionais e desenvolvendo tecnologias alinhadas às demandas do mercado. Elas atuam como pontes entre a academia e a indústria, transformando conhecimento em soluções concretas. O objetivo central deste estudo foi investigar como a comunicação organizacional influencia os processos de difusão do conhecimento inovador nas Unidades Embrapii. A pesquisa examinou a natureza dessa comunicação, identificando as estratégias mais eficazes, os desafios enfrentados pelas unidades e o impacto da cultura organizacional na eficácia das práticas comunicacionais. A metodologia combinou Grounded Theory (GT) e Design Science Research (DSR). A GT identificou padrões emergentes nas práticas comunicacionais, revelando que a colaboração interna e o feedback contínuo são essenciais para a difusão do conhecimento. A DSR transformou essas descobertas em soluções práticas, como a implementação de sistemas digitais integrados e protocolos de engajamento mais eficientes com o setor produtivo, testados e validados nas unidades de inovação. Os resultados mostram que a comunicação organizacional vai além da simples transmissão de informações. Ela é a espinha dorsal que conecta academia, setor produtivo e sociedade em um diálogo contínuo. O uso de redes sociais, workshops e ferramentas digitais facilitou o fluxo de conhecimento, permitindo que as inovações se movam rapidamente do laboratório ao mercado. As unidades que adotaram uma comunicação flexível e culturalmente adaptada destacaram-se na promoção de inovações, enquanto a resistência à mudança e falhas na comunicação interna foram os maiores obstáculos. A comunicação organizacional, mais do que um instrumento para compartilhar informações, é o tecido que une as diversas partes da organização em uma rede de colaboração. Ela alinha objetivos estratégicos e pavimenta o caminho para soluções disruptivas. Nesse contexto, a comunicação se torna um agente de mudança, moldando o ambiente organizacional para ser mais aberto, adaptável e resiliente às transformações constantes. Com uma comunicação clara e adaptativa, as Unidades Embrapii emergem como polos de inovação, catalisando mudanças profundas tanto na academia quanto na indústria. Essas unidades destacam-se como faróis de conhecimento e inovação, guiando o Brasil rumo a um futuro mais competitivo e criativo. Por meio de um diálogo contínuo, onde a comunicação é um fim em si mesma, essas unidades conseguem integrar diferentes atores em torno de uma missão comum: transformar conhecimento em valor para a sociedade. Apesar de limitações como o tamanho da amostra e desafios metodológicos, os resultados oferecem uma base rica para novas investigações. Futuros estudos poderão explorar como diferentes modelos comunicacionais podem ampliar a difusão de inovações em diversos contextos organizacionais. Assim, esta pesquisa reafirma que a comunicação organizacional é o coração pulsante da inovação, sustentando, dinamizando e conectando ideias, pessoas e mercados, pavimentando um futuro onde o diálogo será sempre o motor do progresso. As Unidades Embrapii, firmemente apoiadas em uma comunicação eficaz e estratégica, estão preparadas para liderar o cenário de inovação no Brasil, inspirando outros a seguir o mesmo caminho de sucesso.
Poluição atmosférica de fontes industriais urbanas e o seu potencial impacto na saúde humana: estudo caso – controle em comunidades urbanas de Manaus /Amazonas /Brasil
Publication . Custódio, Paulo; Barros, Nelson; Telles, Camila Maria Paiva França
No presente estudo, foram analisados os efeitos e os riscos ambientais na saúde humana causados por fontes industriais urbanas. Definiu-se duas comunidades, um caso, diretamente afetada pelas emissões de uma fonte industrial e outra controle, fora dessa influência. Foram empregados métodos de pesquisa e metodologias, aplicados às duas comunidades de forma igual, resultando em elementos de análise e comparação, definitivos para os resultados finais da pesquisa. A opção dos Métodos Exploratório, Descritivo e campanhas do registro dos poluentes do ar, resume os procedimentos do escopo metodológico adotado. A aplicação do Método Exploratório, foi realizada através de questionário na etapa inicial, contribuindo no conhecimento dos ambientes, e fundamentando o desenvolvimento e etapas posteriores do estudo. No uso do Método Descritivo, foi definido como objeto de tratamento os prontuários médicos, com informações e dados das Unidades Básicas de Saúde - UBS, de ambas as comunidades. Este procedimento permitiu a definição de um modelo descritivo quantitativo, com categorias/variáveis de saúde, que foram tratadas pelo software SPSS versão 27 e aplicados testes estatísticos, que gerou Tabela cruzada com variáveis categóricas para descrição e inferência dos fatores associados a doenças respiratórias e dermatológicas e Tabela de estatística descritiva das comunidades. Estas Tabelas avaliaram os níveis de associação, relação de significância e o tamanho dos efeitos das variáveis de saúde, sendo submetidas aos testes estatísticos de Qui-quadrado de Pearson (χ2), para a correção de Yates, teste de Monte Carlo e intervalos de confiança e teste V de Cramer total. No uso do sensor de qualidade do ar (PurpleAir) registrou-se campanha em 2022, os valores médios de referência de 24hs de PM2,5 e PM10 e utilizados dados secundários meteorológicos (direção e velocidade do vento, temperatura e precipitação) do INMET, em ambas as comunidades, considerando condições de verão e inverno amazônico. Os dados foram tratados usando o teste de desvio à Normalidade de Shapiro-Wilk e teste de U-Mann-Whitney de significância das diferenças entre comunidades. Foram elaborados Gráficos do tipo boxplot, nos períodos sazonais em análise, de PM2,5 e PM10, e traçadas as linhas limítrofes (guidelines), recomendadas pela OMS (2021), que demonstraram as diferenças significativas da qualidade do ar nas comunidades e o comportamento destes materiais particulados em sazonalidades diferentes. Os resultados produzidos neste estudo, permitiram uma avaliação detalhada sobre o problema da poluição no âmbito geral para as comunidades abordadas na cidade de Manaus, criando perspectivas para o aumento do nível de conscientização do poder público e sociedade de modo geral, visando repercutir no futuro possibilidades de um maior controle dos níveis de emissões das atividades produtivas poluidoras, melhorando a qualidade de vida e saúde para a sociedade manauara. As recomendações presentes na Agenda 2030, estabelecem a redução da poluição atmosférica, para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da população, a presente metodologia aplicada por meio de procedimentos observacionais, representa avanços no processo de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular em cidades como Manaus, onde a qualidade do ar, pode se transformar em um problema de saúde pública. Portanto, este tipo de estudo, destaca a importância do controle em meio urbano dos determinantes ambientais, como a poluição atmosférica, que tem poder deletério ao ser humano.
Desastres naturais, resiliência e políticas públicas humanitárias em Portugal continental
Publication . Paula Filho, Abdon Baptista de; Freitas, Judite A. Gonçalves; Fonseca, Osvaldo Albuquerque
Em um cenário de desastres naturais cada vez mais frequentes devido às mudanças climáticas e crescentes desigualdades sociais, as políticas públicas eficazes para gestão de riscos são cruciais. Esta tese analisa os enunciados das Políticas Públicas Humanitárias (PPH) em Portugal continental, incidindo na análise do conteúdo formal dos documentos e não em sua implementação prática. A gestão de desastres é um campo interdisciplinar onde políticas definem ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação. Contudo, os conceitos de risco e resiliência a desastres são complexos, e a concepção das políticas enfrenta desafios significativos. Utilizando metodologia mista, a pesquisa critica métodos de medição de riscos como o INFORM Risk Index, apontando subjetividade e falta de transparência. O estudo recorre ao Centre for Research on the Epidemiology of Disasters (CRED) para identificar os principais riscos em Portugal entre 2000 e 2022: Ondas de Calor, Incêndios Florestais e Inundações Urbanas. A tese propõe o Método SVOR (Seleção de Variáveis Objetivas de Resiliência Orientadas para Riscos Específicos), buscando variáveis simples e mensuráveis, guiadas por estratégias do "Natural Disaster Warfare" – Defesa, Reforço e Evacuação. Este método visa identificar onde as políticas devem atuar para fortalecer comunidades. A análise explora a evolução das legislações da UE e de Portugal, avaliando a racionalidade dos documentos a nível nacional e municipal dos quatro municípios de maior risco (Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria). Uma lacuna crítica identificada é a ausência de políticas específicas para Ondas de Calor, comprometendo a eficácia na resposta e mitigação. A principal fragilidade está na execução e controle das políticas, não na formulação. Problemas como complexidade organizacional, coordenação limitada e baixa participação cidadã são barreiras significativas à implementação eficaz. O estudo destaca a necessidade de evidências mensuráveis e envolvimento comunitário, mostrando a interconexão entre planejamento técnico e execução social na gestão de desastres. As recomendações incluem a criação de um Plano Nacional para Ondas de Calor, fortalecimento da coordenação interinstitucional, simplificação da estrutura de comando, implementação de sistemas de monitoramento contínuo, integração de dados em tempo real, promoção do envolvimento comunitário, fortalecimento de infraestrutura e educação sobre riscos. Ao identificar lacunas e entraves à execução, o estudo avança o conhecimento em gestão de desastres, oferecendo o método SVOR e um roteiro de recomendações para alinhar planejamento e prática. É um chamado para uma gestão de riscos mais objetiva e coordenada, centrada na resiliência comunitária, reconhecendo que na "guerra" contra desastres naturais, a preparação eficaz é a chave para minimizar perdas.
O método APAC como modelo de reinserção social do condenado e de diminuição da reincidência criminal
Publication . Calzado, Afonso Delfino; Jólluskin, Gloria
A presente dissertação analisa a metodologia adotada pela Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) enquanto modelo institucional alternativo de execução penal, tendo como base empírica a experiência vivenciada na Unidade Masculina do interior do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais. Inicialmente, toma-se a premissa de que a pena privativa de liberdade, em sua configuração tradicional, se revela ineficaz, desumana e estruturalmente seletiva. Desta feita, o trabalho tem como objetivo examinar em que medida a proposta apaqueana rompe, de fato, com os paradigmas excludentes do sistema carcerário convencional ou se reconfigura como instrumento simbólico de funcionalidade ao modelo punitivo vigente. A abordagem metodológica é qualitativa, de matriz crítica, com aplicação de entrevistas estruturadas para 100 (cem) recuperandos e análise de referencial bibliográfico, à luz de um referencial teórico correlatos à criminologia crítica, a política criminal, dos princípios fundamentais, da justiça restaurativa, direito penal e da sociologia do poder disciplinar. Após a implementação da metodologia supracitada, os resultados indicam que a APAC promove, na percepção dos recuperandos, práticas concretas de reconstrução subjetiva, valorização da dignidade humana, resgate de vínculos familiares e reconhecimento social, propondo o rompimento com o estigma da criminalidade. Mesmo, que doutro lado, envolto por tensões institucionais vinculadas à seletividade e restribilidade de ingresso, à hegemonia religiosa, à insuficiência estrutural, à opacidade da meritocracia e à dificuldade concreta de reintegração plena. Conclui-se que a APAC opera simultaneamente como espaço de ruptura e de normalização simbólica, exigindo leitura dialética e constante reavaliação de seus efeitos concretos sobre os sujeitos penalizados. Uma vez que a ausência de criticidade colocaria sob pena a instrumentalização da proposta como fachada humanista de legitimação do sistema penal seletivo. O trabalho sustenta, por logo, a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso à execução penal humanizada sem reproduzir filtros morais, estruturais, espirituais ou institucionais de pertencimento ou resistência, com o afã de tornar a dignidade não uma promessa, mas um ponto de partida irrenunciável da justiça criminal em um Estado democrático de Direito.