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Repositório Institucional da Fernando Pessoa

 

Entradas recentes

Uso de canabinoides no tratamento das perturbações por uso de canábis
Publication . Marques, Lara Coelho; Capela, João Paulo Soares
A Perturbação por Uso de Canábis (CUD, do inglês “Cannabis Use Disorder”) representa um desafio de saúde pública global, com cerca de 1,3% dos adultos na União Europeia a serem consumidores diários de canábis e com um aumento de 12% no número de utentes em tratamento em Portugal entre 2021 e 2022. Apesar da sua prevalência, nem a entidade reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos da América (FDA, do inglês “Food and Drug Administration”) nem a entidade europeia congénere aprovaram nenhum medicamento específico para o tratamento da CUD. Esta revisão teve como objetivo estudar os diversos fármacos canabinoides e as suas combinações, avaliados em ensaios clínicos para tratamento desta dependência. Este estudo pretende compreender qual a melhor estratégia farmacológica usando canabinoides com potencial para o tratamento clinico da CUD. A metodologia consistiu numa revisão, conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA, utilizando a estratégia PICO para a formulação da questão de pesquisa. Foram realizadas pesquisas nas bases de dados PubMed, Web of Science e Scielo, abrangendo artigos de 1973 a 2024. No total, 9 estudos com 667 participantes (519 homens e 148 mulheres) foram incluídos na análise. Nenhum dos ensaios analisados demonstrou uma eficácia consistente que permita recomendar em definitivo os canabinoides como tratamento para a CUD. Assim, é necessário que haja mais investigação, com um maior número de participantes, incluindo mais mulheres, e metodologias mais robustas para estabelecer conclusões mais sólidas.
Produção de vacinas biotecnológicas
Publication . Padrela, Catarina Andrade; Silva, Ana Catarina
As vacinas são poderosas ferramentas de saúde pública que permitem a prevenção de vários tipos de doenças. As primeiras vacinas, também conhecidas como vacinas convencionais, foram desenvolvidas com base em agentes patogénicos vivos atenuados ou inativados. Este tipo de abordagem revelou-se eficaz no controlo e prevenção de diversas doenças. Contudo avanços tecnológicos e científicos, permitiram o surgimento de uma nova geração de vacinas: as vacinas biotecnológicas. A primeira vacina biotecnológica a ser aprovada foi a vacina contra o vírus da hepatite B, através da tecnologia de DNA recombinante, utilizando células de leveduras geneticamente modificadas para expressar proteínas virais. Seguindo esta abordagem, foi posteriormente desenvolvida a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV). Mais recentemente, com o surgimento da pandemia da COVID-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, houve necessidade de desenvolver vacinas de forma rápida, eficaz e segura, com o objetivo primordial de prevenir infeções graves causadas por este vírus, bem como recuperar a vida quotidiana pré-pandemia. Neste contexto, as vacinas à base de ácidos nucleicos e as vacinas de vetor viral assumiram um papel determinante. Ao longo do presente trabalho serão referidas e descritas as diferentes técnicas utilizadas na produção de vacinas biotecnológicas, bem como exemplos concretos e detalhados de cada tipo de vacinas biotecnológicas utilizadas atualmente na prática clínica. As vacinas biotecnológicas constituem ferramentas essenciais no combate a diversas infeções e abrem caminho para novas abordagens terapêuticas contra doenças infeciosas, alguns tipos de cancro e doenças neurodegenerativas.
Cardiotoxic effects of methylone in rat H9c2 cardiomyocytes: role of oxidative stress and antioxidant intervention
Publication . Moreira, Maria Monteiro; Carvalho, Márcia; Araújo, Ana Margarida
Synthetic cathinones (SCs) have emerged in recreational contexts as a novel class of psychoactive substances, producing amphetamine-like effects but also severe cardiovascular complications, including myocardial infarction and sudden cardiac death. Despite these risks, the mechanisms underlying SC-induced cardiotoxicity remain poorly understood. This study aimed to investigate the cardiotoxic potential of methylone, one of the most widely abused first-generation SCs. H9c2 rat cardiomyoblasts were exposed to methylone (0.01 - 4.0 mM) for 24 and 48 hours. Cell viability was determined by 3- (4,5-Dimethylthiazol-2-yl)-2,5 diphenyl tetrazolium bromide (MTT) reduction assay, and intracellular levels of reactive oxygen/nitrogen species (ROS/RNS) were quantified using the 2′,7′-dichlorofluorescein diacetate probe. The protective effects of the antioxidants ascorbic acid, N-acetyl-L-cysteine, and Trolox were also evaluated. Methylone induced concentration-dependent cytotoxicity, with an IC50 of 0.98 mM. ROS/RNS production increased markedly in both a concentration- and time-dependent manner, reaching a 4.8- fold increase after 24 h at IC50. Among the antioxidants tested, only ascorbic acid significantly improved cell viability. These results demonstrate that methylone exerts cardiotoxic effects in vitro, with oxidative stress playing a central role in its toxicity. The partial protection conferred by ascorbic acid highlights its potential as a therapeutic candidate against SC-induced cardiac injury.
Biofilmes bacterianos: implicações nas infeções protésicas
Publication . Correia, Filipa Raquel Silva; Cerqueira, Fátima
As infeções bacterianas associadas a próteses constituem um problema clínico cada vez mais relevante, especialmente quando surge a formação de biofilmes que dificultam o diagnóstico e o tratamento destas infeções. Os biofilmes são uma comunidade organizada de microrganismos, da mesma ou de diferentes espécies, revestidos por uma camada de proteção que lhes confere elevada resistência a antibióticos e ao sistema imunitário do hospedeiro. A presença de biofilmes em próteses envolve diversas complicações, desde o impacto económico até à necessidade de remoção da prótese. Desta forma, procura-se entender quais as espécies microbianas mais relevantes e prevalentes associadas a infeções protésicas, mecanismos de resistência dos biofilmes, fatores promotores da sua formação e potenciais tipos de biomateriais e terapêuticas eficientes para a minimização deste problema. Além disso, o farmacêutico representa cada vez mais um papel fundamental numa equipa multidisciplinar para o acompanhamento necessário aos doentes, na deteção de problemas associados à medicação e na reconciliação terapêutica. Nesse âmbito, este trabalho reflete uma revisão narrativa sobre a implicação que a formação de biofilmes bacterianos tem nas infeções em diferentes tipos de próteses com ênfase em possibilidades para a prevenção e alternativas de tratamento dos biofilmes, salientando a importância do estudo em estratégias inovadoras e da investigação contínua para a redução da morbilidade, melhoria do prognóstico dos doentes e diminuição dos custos associados a estas complicações.
Escetamina: uma estratégia inovadora para o tratamento da depressão resistente
Publication . Cordova Jerves, John Sebastian; Pimenta, Adriana; Souto, Renata
A escetamina, o enantiómero S da cetamina racémica, tem sido amplamente investigada como uma alternativa terapêutica inovadora na depressão resistente ao tratamento (TRD), uma condição clínica complexa caracterizada pela ausência de resposta a múltiplos antidepressivos tradicionais. Este trabalho consistiu numa revisão crítica da literatura científica recente, com foco nos mecanismos farmacológicos, farmacocinéticos, bem como na eficácia e segurança da escetamina administrada por via intranasal (ESK-IN) em associação com antidepressivos orais. A escetamina atua como antagonista dos recetores NMDA nos interneurónios GABAérgicos, o que leva a um aumento da libertação de glutamato e à ativação subsequente dos recetores AMPA, mecanismos que estimulam a neuroplasticidade e contribuem para a sua ação antidepressiva rápida. A análise dos principais ensaios clínicos de fase 3, incluindo os ensaios clínicos TRANSFORM-1, TRANSFORM-2, TRANSFORM-3, ESCAPE-TRD e os estudos SUSTAIN-2 e SUSTAIN-3, demonstrou uma redução significativa dos sintomas depressivos em diversos subgrupos de doentes com TRD em especial o ensaio clínico TRANSFORM-2, no qual a ESK-IN associada a antidepressivos resultou numa diferença média de -4,0 pontos na escala MADRS face ao grupo placebo. A via intranasal revelou vantagens farmacocinéticas claras, como maior biodisponibilidade e início de ação mais rápido face à via oral. No entanto, a ESK-IN exige monitorização rigorosa, devido ao seu perfil de efeitos adversos, como dissociação, elevação transitória da pressão arterial e risco potencial de abuso. Foram ainda discutidas perspetivas futuras da escetamina noutras perturbações psiquiátricas, incluindo depressão pós-parto, perturbação bipolar e stress pós-traumático onde os resultados preliminares têm sido encorajadores. Ainda assim, apesar dos dados promissores, é essencial o desenvolvimento de estudos independentes, controlados, com maior duração e amostras mais representativas, de modo a consolidar o perfil de eficácia, segurança e aplicabilidade da escetamina na prática clínica alargada.