Repositório Institucional da Fernando Pessoa
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O papel da medicina dentária na prevenção e tratamento da apneia obstrutiva do sono relacionada com a obesidade: uma revisão integrativa
Publication . Rebola, Fábio Silva; Guerra, Rita; Santos, Pedro Teixeira
Fundamentação: A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é uma desordem respiratória crónica e multifatorial, associada a hipoxemia intermitente, fragmentação do sono e consequências clínicas e sociais significativas. A obesidade é reconhecida como seu principal fator de risco modificável, enquanto a nutrição e a medicina dentária vêm sendo progressivamente incorporadas às estratégias de rastreio e tratamento.
Objetivos: Esta revisão integrativa da literatura teve como objetivo analisar as interfaces entre AOS, obesidade, nutrição e atuação da medicina dentária, identificando padrões, lacunas e propostas interdisciplinares.
Desenvolvimento: A pesquisa foi conduzida nas bases PubMed, Web of Science e LILACS, entre janeiro e abril de 2025, utilizando descritores combinados com operadores booleanos. Foram incluídos 28 estudos publicados entre 2020 e 2025, analisados qualitativamente e organizados em quatro eixos temáticos: (1) fisiopatologia da AOS em contexto de obesidade, (2) intervenções nutricionais, (3) atuação da medicina dentária e (4) modelos de abordagem interdisciplinar. Os resultados indicam que a adiposidade visceral influencia diretamente a colapsabilidade da via aérea superior e agrava marcadores inflamatórios. Estratégias alimentares como a dieta mediterrânica, bem como intervenções hipoenergéticas, mostraram-se eficazes na redução da gravidade da AOS e no controle de comorbidades. A medicina dentária destaca-se tanto no rastreio clínico como na terapêutica com dispositivos intraorais, especialmente os de avanço mandibular. A integração entre especialidades favorece diagnósticos precoces, maior adesão terapêutica e melhores desfechos clínicos.
Conclusões: Conclui-se que o manejo da AOS deve ser centrado no paciente e pautado por uma abordagem multidimensional, envolvendo profissionais de diferentes áreas. A escassez de ensaios clínicos e a heterogeneidade metodológica apontam para a necessidade de futuras investigações com maior rigor científico e padronização interdisciplinar.
Designs de cavidade de acesso: preservação estrutural e risco de fraturas dentárias póstratamento endodôntico – revisão integrativa
Publication . Asad, Amira; Martins, Luís França
A cavidade de acesso é a etapa inicial do tratamento endodôntico e desempenha um papel crucial na eficácia e longevidade do dente tratado. A presente estudo tem como objetivo comparar os diferentes designs de cavidade de acesso, tradicional (TradAC), conservadora (ConsAC) e ultraconservadora (UltraAC) quanto à preservação estrutural do dente e o risco de fraturas dentárias pós-tratamento endodôntico. Por meio de uma revisão integrativa da literatura científica publicada entre 2015 e 2025, foram analisados 45 artigos, onde foram priorzados estudos in vitro, revisões sistemáticas e meta-análises que abordassem a relação entre o design da cavidade de acesso e fatores como resistência à fratura, eficácia da instrumentação e qualidade da obturação. Os resultados demonstraram que cavidades minimamente invasivas (ConsAC e UltraAC) preservam melhor a estrutura dentária e contribuem para maior resistência à fratura, principalmente em dentes com estrutura coronária remanescente reduzida. No entanto, esse benefício estrutural pode vir acompanhado de desafios clínicos, como a dificuldade na localização dos canais e maior risco de insucesso da instrumentação e obturação, o que pode comprometer o selamento e favorecer a reinfeção. A literatura também revela que o uso de tecnologias auxiliares, como microscópio operatório e instrumentos ultrassónicos, é essencial para superar as limitações dos acessos conservadores. Além disso, a técnica restauradora empregada após o tratamento endodôntico influencia significativamente a resistência final do dente, sendo muitas vezes mais determinante do que o tipo de cavidade utilizado. Embora a cavidade de acesso tradicional ofereça previsibilidade e facilidade de execução, sua abordagem mais invasiva compromete a integridade biomecânica do dente a longo prazo. Por outro lado, a UltraAC apresenta grande potencial em termos de preservação, mas requer maior precisão técnica e suporte tecnológico para garantir sua eficácia clínica. Conclui-se que, embora os acessos conservadores ofereçam vantagens biomecânicas claras, ainda são necessários mais estudos clínicos robustos para validar sua superioridade e viabilidade em longo prazo. A escolha do design ideal deve considerar não apenas a anatomia dentária e o caso clínico, mas também os recursos disponíveis e a experiência do profissional.
Análise comparativa do tratamento ortodôntico convencional versus tratamento com alinhadores dentários de última geração: revisão sistemática integrativa
Publication . Elbaz, Sami; Assunção, Amélia; Pinho, Mónica Morado
Introdução: O tratamento ortodôntico teve avanços significativos nos últimos anos, disponibilizando várias opções para ajudar os pacientes a obter um sorriso estético. Os aparelhos convencionais, o pilar do tratamento ortodôntico durante décadas, envolvem o uso de braquetes e fios de metal para mover gradualmente os dentes para a posição desejada, sendo frequentemente associados a desconforto, restrições alimentares e preocupações estéticas. A introdução dos alinhadores de nova geração revolucionou o tratamento ortodôntico ao oferecer uma alternativa quase invisível, e são apelativos por serem mais estéticos e por ser possível remover durante as refeições e para higiene oral. Apesar da crescente popularidade, ainda é discutida a sua eficiência em comparação aos aparelhos fixos convencionais. É essencial compreender as diferenças entre o tratamento ortodôntico convencional e os alinhadores invisíveis, dado que com avanço da tecnologia, os pacientes e profissionais de medicina dentária necessitam de informações baseadas em evidências para tomar decisões seguras e eficientes.
Objetivo: Avaliar e comparar as evidências disponíveis dos resultados do tratamento ortodôntico com alinhadores invisíveis e aparelhos fixos convencionais, tendo em consideração a eficácia e tempo de tratamento, o conforto e a estabilidade dos resultados. Metodologia: Pesquisa bibliográfica realizada nas bases de dados Pubmed recorrendo a MeSh Terms combinados com os operadores booleanos e focando em estudos publicados entre 2014 e 2024. Os artigos foram selecionados de acordo com critérios de inclusão e exclusão previamente determinados.
Resultados: Relativamente à eficácia do tratamento, a maioria dos estudos verificou que os dois tipos de tratamento são eficazes na correção de diferentes tipos de má oclusão, apresentando resultados comparáveis em termos de alinhamento dentário, melhoria oclusal e taxas de sucesso clínico. Quanto à dor e conforto, a maioria dos estudos indica que os alinhadores transparentes estão associados a níveis mais baixos de dor e maior conforto durante o tratamento, especialmente nas fases iniciais. A duração média do tratamento, vários estudos referem que os alinhadores invisíveis podem permitir tratamentos mais curtos. A maioria dos estudos aponta para um menor número de consultas programadas e de urgência nos pacientes tratados com alinhadores invisíveis. No que respeita à saúde periodontal, os estudos tendem a mostrar melhores resultados nos pacientes com alinhadores invisíveis. Por outro lado, em termos de estética do sorriso e resultados estéticos finais, alguns estudos sugerem uma ligeira vantagem dos aparelhos fixos convencionais, nomeadamente em aspetos como o controlo de movimentos dentários mais complexos. A maioria dos estudos revela uma maior satisfação entre os utilizadores de alinhadores transparentes, sobretudo devido à estética e ao menor desconforto.
Conclusão: Tanto os alinhadores invisíveis como os aparelhos fixos convencionais são eficazes no tratamento de más oclusões, com resultados semelhantes em alinhamento e sucesso clínico. No entanto, os alinhadores invisíveis oferecem maior conforto, menos dor, menor duração do tratamento, menos consultas e melhor saúde periodontal. Já os aparelhos fixos podem ter ligeira vantagem em alguns aspetos estéticos. A satisfação dos pacientes tende a ser maior com os alinhadores invisíveis, principalmente por sua aparência discreta e conforto. A escolha do tratamento deve considerar as necessidades e preferências individuais.
O impacto do tempo de ecrã na saúde oral das crianças: revisão sistemática
Publication . Cardoso, Eduarda Silva; Macho, Viviana
Introdução: O aumento do tempo dedicado ao uso de dispositivos eletrónicos entre as crianças tem sido associado a impactos negativos na saúde oral, tema que tem recebido crescente atenção em estudos recentes.
Objetivos: O objetivo desta revisão sistemática foi avaliar se as crianças que utilizam os dispositivos eletrónicos apresentam alterações na saúde oral. Esta revisão sistematizada teve como objetivo responder à seguinte questão: O uso excessivo de dispositivos eletrónicos poderá influenciar negativamente a saúde oral em pacientes pediátricos?
Material e Métodos: A pesquisa foi conduzida em bases de dados reconhecidas, como PubMed, Web of Science e B-on. Os termos de pesquisa utilizados de acordo com o MeSH foram “oral health”; “caries”; “bruxism”, “children”; “screen time”; “sleep” articuladas com o marcador booleano “AND” ou “OR”. Foram selecionados estudos com amostras de crianças e adolescentes (menores de 18 anos) usuários de dispositivos eletrônicos. Foram excluídos estudos de revisão, meta-análises, investigações com adultos, estudos em modelos animais ou in vitro.
Resultados: De um total inicial de 342 artigos, 8 estudos atenderam aos critérios e foram analisados. Os resultados indicam uma associação significativa entre o tempo excessivo em frente ao ecrã e o aumento do risco de problemas de saúde oral, incluindo cáries, índices elevados de placa e gengivite, além de menor frequência de escovagem dentária (menos de duas vezes por dia).
Conclusão: O uso excessivo de dispositivos eletrónicos pode contribuir para o desenvolvimento de manifestações orais adversas e negligência nos cuidados dentários. Dessa forma, o dentista desempenha um papel crucial na identificação precoce desses sinais, apoiando o diagnóstico e a intervenção adequada.
Avaliação da capacidade de selamento dos cimentos biocerâmicos versus MTA: revisão integrativa
Publication . Palmieri, Gianluca; Vasconcelos, Natália
O objetivo da obturação do sistema de canais radiculares é criar um selamento hermético que impeça a microinfiltração de fluídos no interior do sistema canalar. Desta forma uma adequada obturação deve evitar a entrada bacteriana e eliminar quaisquer microrganismos residuais que possam permanecer após a fase de limpeza e conformação dos canais radiculares, de forma a prevenir a reinfeção do espaço canalar ou a manutenção da infeção. O principal objetivo desta revisão integrativa é comparar e avaliar a capacidade de selamento endodôntico utilizando dois tipos de cimentos obturadores, um à base de MTA (Agregado de Trióxido Mineral) e um cimento biocerâmico, a fim de determinar qual deles pode garantir melhores resultados em termos de capacidade de selamento. Para tal foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, B-On e ScienceDirect com diversas palavras-chave combinadas entre si. A questão de investigação desta revisão foi “Que tipo de cimento de obturação, biocerâmico ou MTA, é mais indicado para permitir um melhor selamento canalar?” Foram incluídos diversos tipos de estudos, tais como ensaios clínicos randomizados, estudos de caso-controlo, estudos in vivo, estudos in vitro, estudos transversais e estudos longitudinais, publicados desde o ano de 2018 e que avaliaram a realização do tratamento endodôntico com os dois tipos de cimentos e compararam a sua capacidade de selamento. Desta forma obtiveram-se 12 artigos que cumpriam os critérios de inclusão desta revisão. Estes artigos são todos estudos in vitro e apresentam amostras que variam entre os 34 dentes e os 125 dentes. Verificou-se que a maioria dos estudos afirma que os cimentos biocerâmicos apresentam melhores resultados a nível da capacidade de selamento endodôntico do que os cimentos à base de MTA. No futuro são necessários mais estudos, com maiores tempos de follow-up, e que simulem condições orais para fornecer mais suporte sobre a capacidade de selamento destes materiais. Será necessário desenvolver estudos mais padronizados, que avaliem o mesmo tipo de cimentos, biocerâmicos e MTA, para uma maior fiabilidade de resultados.
