Repositório Institucional da Fernando Pessoa
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A Inteligência Artificial como vetor de integração entre a investigação e a prática pedagógica: a utilização de agentes de IA na aprendizagem das Ciências Forenses
Publication . Borges Gouveia, Luis; *TRS - Tecnologias
No atual cenário de constante evolução das Ciências Forenses, a integração de novas propostas tecnológicas na formação académica é imperativa para garantir a excelência e o rigor da prática pericial. A apresentação propõe a exploração do potencial transformador dos agentes de Inteligência Artificial (IA) como ferramenta pedagógica inovadora na aprendizagem das Ciências Forenses, alinhando-se com a missão do congresso de reformular o ensino e a investigação na área.
O recurso à IA informa uma proposta que promova uma formação mais integrada e harmonizada. Inclui estratégias concretas para a utilização da IA em ambiente académico, desde a simulação de cenários de crime complexos, à análise de grandes conjuntos de dados para fins de investigação, até ao desenvolvimento de tutores virtuais personalizados que se adaptam ao ritmo de aprendizagem de cada interação realizada.
A IA pode potenciar o fortalecimento da ligação entre a investigação científica e a atividade pericial de rotina. A capacidade da IA para processar e analisar publicações científicas relevantes pode acelerar a transposição do conhecimento para a prática, assegurando que os futuros peritos estejam na vanguarda da inovação.
Importa, neste contexto, debater os desafios e as considerações éticas inerentes à adoção da IA, salientando a importância de uma implementação criteriosa que complemente, e não substitua, o raciocínio crítico, a competência e experiência humana. A IA, quando utilizada de forma estratégica e ética, pode constituir uma poderosa aliada na formação de uma nova geração de especialistas forenses, melhor preparados para os desafios de um mundo em constante mudança e para a busca da verdade baseada em evidências científicas sólidas.
Platelet-rich fibrin em comparação ao enxerto de tecido conjuntivo no tratamento das recessões gengivais: uma revisão sistemática
Publication . Lugli, Elena; Pimentel, Frederico
A recessão gengival é uma condição clínica comum que afeta a estética, a função e o conforto oral. Esta revisão sistemática teve como objetivo avaliar se o uso de fibrina rica em plaquetas (PRF) melhora a taxa de cobertura radicular completa, a estética e reduz a morbidade pós-operatória em comparação com o enxerto de tecido conjuntivo (CTG). A metodologia foi baseada numa pesquisa nas bases de dados PubMed, Cochrane Library e B-On. A seleção dos estudos seguiu os critérios PRISMA, aplicando critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Foram analisados oito ensaios clínicos randomizados publicados entre 2014 e 2024. O risco de viés foi avaliado com a ferramenta do Joanna Briggs Institute (JBI). Os estudos incluídos demonstraram que o CTG apresenta melhores resultados em termos de cobertura radicular completa e espessura dos tecidos, especialmente quando associado a técnicas cirúrgicas como Coronally Advanced Flap (CAF) e Vestibular Incision Subperiosteal Tunnel Access (VISTA). No entanto, o PRF mostrou-se clinicamente eficaz em casos de recessões menos extensas, com vantagens claras na redução da dor, menor tempo cirúrgico e melhor aceitação por parte dos pacientes. Em termos estéticos, ambos os biomateriais apresentaram bons resultados subjetivos, com ligeira preferência dos pacientes pelo PRF devido ao menor desconforto. A comparação entre PRF e CTG no tratamento da recessão gengival sugere que ambas as abordagens são eficazes, embora com indicações clínicas distintas. A escolha do biomaterial deve considerar o biotipo gengival, a extensão da recessão, a tolerância à dor e as expectativas do paciente. Estudos futuros com amostras maiores, seguimento a longo prazo e padronização na preparação do PRF são essenciais para reforçar a evidência atual e apoiar decisões clínicas baseadas em resultados mais robustos.
Prevalência da má oclusão esquelética de classe III numa população ortodôntica: estudo transversal
Publication . Scopelliti, Evelina; Gião, Ana; Pinho, Mónica Morado
Introdução: As más oclusões esqueléticas são frequentes na prática ortodôntica, sendo a Classe III particularmente relevante pelas suas implicações funcionais e estéticas. Caracteriza-se por uma discrepância antero-posterior entre maxila e mandíbula, geralmente de origem multifatorial. A sua prevalência varia entre populações, justificando estudos que contribuam para o diagnóstico precoce e o planeamento terapêutico adequado.
Objetivo: Este estudo teve como objetivo determinar a prevalência da má oclusão esquelética de Classe III numa população ortodôntica, bem como analisar a sua distribuição segundo o sexo.
Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, baseado na análise de fichas clínicas e telerradiografias de pacientes ortodônticos com idade igual ou superior a 9 anos, atendidos no Hospital-Escola da Universidade Fernando Pessoa. A avaliação da Classe III foi realizada através da análise cefalométrica de Ricketts na plataforma WebCeph, em combinação com os parâmetros sagitais, verticais e transversais registados no software do Hospital. Foram aplicados critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, e os dados foram analisados estatisticamente.
Resultados: A amostra foi composta por 143 pacientes, dos quais 89 (62,2%) do género feminino e 54 (37,8%) masculino. A Classe III esquelética foi observada em 12,6% (n = 18), sendo mais prevalente nos homens (16,7%) do que nas mulheres (10,1%). A Classe I foi predominante no grupo feminino (39,3%) e a Classe II no masculino (48,1%). Apesar das diferenças, não houve associação estatisticamente significativa entre género e classificação esquelética (χ²(2) = 1,339; p = 0,512).
Conclusões: A Classe III apresentou prevalência relevante, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do plano terapêutico adequado. Estudos futuros devem considerar fatores hereditários e ambientais, de forma a minimizar a severidade desta má oclusão.
O efeito do probiótico L. Reuteri no tratamento de suporte periodontal: revisão sistemática
Publication . De Masi, Diletta; Castro, Filipe
A periodontite caracteriza-se por um processo crônico de inflamação que compromete progressivamente os tecidos responsáveis pela fixação dos dentes, tais como gengiva, ligamento periodontal e osso alveolar, se não tratada adequadamente, pode evoluir para a perda dentária devido à destruição desses tecidos. A principal causa da periodontite é a formação de biofilme bacteriano subgengival, composto por microrganismos patogênicos que desencadeiam uma resposta inflamatória exagerada. O tratamento convencional, que inclui o procedimento de remoção mecânica de depósitos supra e subgengivais com alisamento das superfícies radiculares (RAR) para remoção do biofilme e a melhora da higiene oral, é eficaz, mas as recidivas da doença ainda são comuns. O probiótico Lactobacillus reuteri demonstrou eficácia no suporte ao tratamento periodontal, reduzindo bactérias patogênicas, modulando a inflamação e promovendo um microbioma oral saudável. Estudos clínicos mostram melhorias nos parâmetros periodontais, posicionando o L. reuteri como um coadjuvante promissor na gestão da periodontite.
Uso de instrumentação mecanizada versus instrumentação manual na pulpectomia na dentição primária: revisão de escopo
Publication . Lakhdari, Si-Mohamed; Correia, Patrícia Nunes; Costa, Maria Esmeralda Alves Graça Ribeiro
Este trabalho consiste numa revisão de escopo com o objetivo principal de mapear e sintetizar os conhecimentos atuais sobre a utilização de sistemas endodônticos manuais e mecanizados (rotatórios, reciprocantes e adaptativos), na realização da pulpectomia em dentes decíduos. Pretendeu-se compreender os impactos clínicos destes sistemas em determinados parâmetros, como sucesso do tratamento, tempo operatório, dor pós-operatória, comportamento da criança e extrusão apical, entre outros. Para tal, foi conduzida uma revisão, conforme as diretrizes metodológicas do Joanna Briggs Institute (JBI) para uma revisão de escopo. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados publicados entre 2015 e 2025, identificados nas bases de dados PubMed e Cochrane, além da análise cruzada das referências dos artigos selecionados. A triagem e extração de dados seguiram as etapas do fluxograma PRISMA. No total, foram incluídos 23 estudos, após leitura completa e aplicação dos critérios de elegibilidade. Os parâmetros clínicos avaliados nos estudos foram: tempo operatório, qualidade da obturação, redução microbiana, comportamento da criança, dor pós-operatória, sucesso clínico e sucesso radiográfico. A maioria dos estudos foi realizada no continente asiático. O sistema rotatório foi o mais representado (87,5 %), seguido pelo sistema reciprocante (20,83 %) e pelo sistema adaptativo (8,33 %). Os parâmetros clínicos avaliados tendem a favorecer os sistemas mecanizados, especialmente no que diz respeito ao tempo operatório, à qualidade da obturação e à redução microbiana. No entanto, a instrumentação manual continua a ser uma referência padrão na endodontia pediátrica. O comportamento da criança foi pouco estudado de forma sistemática, o que limita a robustez das conclusões nesse aspeto. Da mesma forma, os dados sobre os sistemas adaptativos ainda são escassos, evidenciando a necessidade de mais estudos nestes dois domínios.
