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- Vitimação múltipla infantil e juvenil: estudo comparativo com amostras clínica e não clínicaPublication . Bastos, Daniela Alexandra Pereira de Sousa; Sani, Ana IsabelA vitimação múltipla infantojuvenil tem sido objeto de extensa pesquisa internacional pela relevância da avaliação do impacto no desenvolvimento de crianças e jovens. A parca pesquisa nacional justifica o desenvolvimento deste trabalho, que se inicia com uma revisão da literatura no tema, seguindo-se um estudo empírico. Nesse estudo pretendeuse a compreensão da vitimação múltipla infantil e juvenil junto de uma amostra de jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, dividido em dois grupos (com e sem acompanhamento psicológico), os quais responderam ao Questionário de Vitimação Juvenil (JVQ). Este mesmo instrumento foi igualmente aplicado aos responsáveis legais dos jovens de modo a obter-se uma avaliação por heterorelato da experiência de vitimação dos jovens. Os resultados indicaram que há uma experiência frequente dos jovens de situações de violência, destacando-se os crimes convencionais entre os que são mais experienciados e a vitimação sexual como menos comum. A experiência cumulativa de violência existe, comprovando-se a vitimação múltipla infantil e juvenil e a polivitimação. Estes fenómenos não são necessariamente mais comuns em população com sinalização clínica revelando que este problema está largamente extendido à população na faixa etária analisada, não existindo diferenças significativas entre os jovens quando comparadas as tipologias de violência, a vitimação múltipla ou a polivitimação. Os dados fornecidos pelos pais corroboram com as tipologias de crimes mais e menos frequentes (Convencional vs. Sexual) experienciadas pelos filhos. Os valores para a vitimação múltipla confirmam a existência do fenómeno. A polivitimação é assinalada como mais comum no grupo clínico. Importa alertar para o fenómeno da vitimação múltipla infantil e juvenil visando uma avaliação e intervenção mais eficazes junto desta população.
- Vivências da maternidade de mulheres vítimas de violência conjugalPublication . Vieira, Ana Catarina Ferreira; Sani, Ana Isabel; Pereira, DoraO fenómeno da violência conjugal tem vindo a revelar-se como um flagelo cada vez mais marcante e crescente na sociedade Portuguesa, contudo, é ainda bastante desconsiderada a influência que estas vivências exercem sob a relação que estas vítimas estabelecem com os seus filhos, bem como as práticas educativas que adotam. Após uma revisão teórica sobre o tema, apresentamos um estudo qualitativo que teve como principal objetivo, compreender de que forma a violência conjugal entre parceiros íntimos, pode afetar o exercício da parentalidade materna. Para tal foi constituída uma amostra de 15 mulheres mães e vítimas de violência conjugal, com vista a compreender o modo como estas percecionam os seus estilos parentais educativos. Para tal, recorreu-se à entrevista individual semiestruturada, tendo a mesma sido gravada e os dados transcritos posteriormente para análise de conteúdo. Os dados foram organizados em cinco categorias relativas às vivências maternais e de violência conjugal de cada participante: perceções acerca dos conceitos de maternidade, violência, motivos que justificaram a continuidade na relação abusiva, abandono da relação conjugal abusiva e maternidade em contexto de violência. Os resultados mostraram que a vivência destas mães em contexto de relação abusiva, comporta efeitos na sua relação com os seus filhos, e que, não obstante às suas experiências negativas, relativas aos abusos das quais foram alvo pelos seus agressores, estas mães tentam a preservar as suas capacidades, motivações e competências, no que diz respeito aos seus papéis no contexto da maternidade. O estudo permitiu-nos refletir sobre a temática e o desenvolvimento de intervenções mais eficazes junto de mães vítimas e os seus filhos, e ações preventivas que devem ser alargadas à comunidade.
- Criminalidade feminina e papéis de género: a atuação do sistema de justiçaPublication . Oliveira, Andreia Salomé Lopes de; Caridade, SóniaA dissertação apresentada consiste numa abordagem à criminalidade feminina, nomeadamente no que respeita à atuação do sistema de justiça. O estudo científico desta temática é ainda insuficiente e pouco preciso, gerando alguma preocupação. Com base num enquadramento teórico que explora os fatores históricos inerentes ao aparecimento desta criminalidade, e as características de género, que moldam a forma de atuação do sistema, a presente investigação pretende explorar e descrever a perceção dos operadores judiciários face ao crime feminino. Desta forma participaram no estudo dez profissionais de justiça diretamente ligados ao fenómeno. Optou-se por utilizar uma metodologia qualitativa, através da utilização da técnica da entrevista, acompanhada por um guião devidamente concebido, de forma a responder às questões de investigação. Os resultados obtidos mostram que as mulheres cada vez mais procuram oportunidades de reconhecimento no crime, onde a sua inclusão é cada vez mais crescente, igualando-se em certos aspetos ao homem. Os papéis de género estabelecidos que continuam a refletir o domínio andrógeno, e a falta de consciência global do fenómeno, proporcionam grandes obstáculos e desigualdades na intervenção ao crime. Com base nos dados analisados, entende-se a necessidade de adaptar o sistema e simultaneamente sensibilizar a sociedade às mudanças no crime, de forma a ser possível o seu combate eficaz.
