ESSFP (OTA) - Terapêutica da Fala
URI permanente para esta coleção:
Navegar
Percorrer ESSFP (OTA) - Terapêutica da Fala por autor "Caridade, Lara Fernandes"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Fatores de risco e trajetória do desenvolvimento de linguagem entre os 24 e os 30 mesesPublication . Caridade, Lara Fernandes; Peixoto, Vânia; Maia, FátimaObjetivo: O presente trabalho tem como objetivo analisar os fatores de risco e a trajetória do desenvolvimento da linguagem em crianças entre os 24 e os 30 meses, destacando as principais características e condicionantes deste período crítico do desenvolvimento infantil. Métodos: Foi realizado um estudo observacional com uma amostra de crianças nesta faixa etária, selecionadas segundo critérios rigorosos de inclusão e exclusão. Utilizou-se o instrumento padronizado “Inventário de Desenvolvimento Comunicativo MacArthur Bates: Palavras e Frases 16-30 meses” e o “Questionário de Caracterização Sociodemográfica e Clínica” na faixa etária dos 24 aos 30 meses para avaliação do desenvolvimento linguístico, bem como questionários dirigidos aos pais sobre antecedentes familiares, condições socioeconómicas e fatores de risco perinatais. Os dados foram analisados estatisticamente para identificar associações entre os fatores de risco e o desempenho linguístico. Resultados: Observou-se uma correlação positiva no desenvolvimento entre os 24 e 30 meses, indicando que crianças com maior desenvolvimento inicial mantêm essa tendência. Apesar disso, as correlações são moderadas a fracas (inferior a 0.5). No desenvolvimento lexical e expressivo, houve um aumento no número médio de palavras faladas e compreendidas entre as duas fases (18-24 meses e 24-30 meses), com os maiores saltos em "Palavras conectivas" (376%) e "Palavras e expressões para fazer perguntas" (231%). Observou-se um aumento significativo e consistente no vocabulário produzido (de 100-200 para 400-500 palavras) e melhoria nas capacidades morfológicas e sintáticas ("Formas de Palavras I", "Verbos Difíceis", "Formas de Palavras II"). A associação entre o desenvolvimento linguístico e fatores sociodemográficos revelou correlações fracas (entre -0.20 e 0.30). O nível de escolaridade dos pais e o nível socioeconómico mostraram correlações positivas fracas, ligeiramente mais fortes na primeira fase. O tempo de ecrã apresentou uma correlação negativa fraca na primeira fase (τ = -0.20), sugerindo que maior exposição pode estar ligada a menor desenvolvimento do vocabulário. Outros fatores como número de irmãos, ordem na fratria, idade dos pais, tempo de gestação e peso ao nascimento tiveram correlações muito fracas. Conclusão: O período dos 24 aos 30 meses é uma fase crítica de rápido desenvolvimento linguístico, com variabilidade individual influenciada por fatores como a escolaridade dos pais, a qualidade das interações comunicativas e o tempo de exposição a ecrãs. A identificação e intervenção precoces são cruciais para um desenvolvimento saudável e para prevenir consequências negativas a longo prazo. Apesar das limitações metodológicas (como dificuldades no preenchimento de questionários e desistências), este estudo confirma a existência de trajetórias estáveis e a influência de fatores ambientais modificáveis, reforçando a importância de intervenções precoces baseadas em evidências e abordagens personalizadas centradas na criança e na família.
