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Jornalismo infantojuvenil: construção especializada e segmentada para crianças contemporâneas – rotinas produtivas da Visão Júnior e Radar XS

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Abstract(s)

A presente investigação procurou compreender em que medida o jornalismo infantojuvenil se carateriza como uma prática especializada no campo jornalístico português e como se estrutura a produção noticiosa destinada à infância. A análise dos processos produtivos foi elaborada a dois estudos de caso nacionais, a revista impressa, de natureza privada, Visão Júnior, e o noticiário televisivo público Radar XS, através de uma combinação metodológica: análise de conteúdo, observação participante e entrevistas. Além disso, procedeu-se a um levantamento dos websites e das redes sociais. Do trabalho empírico resultaram 31 edições impressas e 29 episódios analisados, a partir de categorias temáticas; oito períodos de observação nas respetivas redações e reuniões online, com muitos minutos de conversas informais registados em 38 páginas de apontamentos em diário de bordo e oito questionários preenchidos; e seis entrevistas realizadas aos jornalistas das direções e editores. Todos os procedimentos foram realizados de 1 de janeiro de 2022 a 31 julho de 2024, sendo o calendário alargado para registar as restruturações internas verificadas em ambos os órgãos de comunicação social, que decorreram, coincidentemente, no fim de 2023. A construção da infância como categoria social e a especificidade da produção noticiosa para crianças constituíram os dois eixos centrais que sustentaram este trabalho, num diálogo contínuo entre teoria e prática. O estudo conclui que o jornalismo infantojuvenil, enquanto prática jornalística especializada, atua como agente de mediação na construção social das infâncias contemporâneas, vivendo as crianças num mundo único (e não separadas do “mundo dos adultos”), onde são cidadãs no presente (e não em estágio para a adultez). Apesar dos dois veículos possuírem características singulares da especialização e próprias do seu meio, ambos partilham rotinas produtivas, agendas, linguagem e discursos contextualizados, assentes em valores-notícia clássicos e contemporâneos, sem abandonar os valores basilares do jornalismo. Os dados permitem inferir que esta produção está alinhada com outros subcampos do jornalismo: participativo, construtivo, soluções e conexão. Contudo, ainda é marcada por uma lógica adultocêntrica e dependente do contexto escolar, traduzindo-se, frequentemente, numa representação unidimensional da criança enquanto “aluno”. Com este estudo torna-se evidente que fatores como a falta tempo, a inexistência de formação especializada, a pressão do mercado, as equipas reduzidas e a desvalorização profissional são constrangimentos que dificultam as rotinas produtivas, influenciam as escolhas dos gatekeepers, a construção de agenda e a participação infantil. As redações, predominantemente femininas, revelam forte motivação e resiliência, demonstrando compromisso em informar, formar, educar, entreter e servir o público mais novo. Após a análise dos resultados, esta investigação sustenta cinco ideias centrais a partir das suas descobertas. A primeira é que o jornalismo infantojuvenil apresenta o mundo às crianças pelas soft news, como mostra a literatura. Não são os acontecimentos atuais, mas as narrativas jornalísticas ligadas à atualidade mais alargada que atuam na representação da infância. As soft news, nomeadamente, as efemérides, são utilizadas estrategicamente como cabides jornalísticos para abordar temas atuais mais sensíveis. Em segundo, a curiosidade própria da “faixa etária sanduíche” (dos 7 aos 12 anos), destaca-se como essencial para os jornalistas explorem a sua vontade de saber e compreender o mundo que também lhes pertence. De seguida, identifica-se uma atuação contracorrente em três estudado com este detalhe –, em que o trabalho desenvolvido pelos jornalistas surge contracorrente, quer pelo desprestígio da prática quer pelo desinvestimento nesta especialização dentro das estruturas organizacionais. No plano da infância, sublinha-se que o jornalismo infantojuvenil reconhece as crianças como sujeito de direitos, ao garantir a informação e a participação, o que contraria as visões limitadoras predominantes. Por fim, o estudo contrapõe o discurso comum da infância estar apenas ligada ao digital, demonstrando que as crianças continuam a receber informação através de plataformas tradicionais, especialmente pela televisão, e existem desigualdades no acesso às tecnologias. As produções infantojuvenis analisadas evidenciam a importância de se continuar a estudar os meios tradicionais.
This research aimed to understand the extent to which children’s journalism is characterised as a specialised practice within the Portuguese journalistic field, and howthe production of news content is structured. The analysis of news production processes was developed based on two national case studies: the privately owned print magazine Visão Júnior and the public television news programme Radar XS. It was adopted a mixed-method approach, involving content analysis, participant observation, and interviews. In addition, a mapping of relevant websites and social media platforms was conducted. The empirical work resulted in the analysis of 31 print editions and 29 television episodes. That was based on thematic categories, eight observation periods in the respective newsrooms and online meetings, including informal conversations registered in 38 pages of field notes, eight questionnaires, and six interviews conducted with directors and editors. All research procedures were carried out between 1 January 2022 and 31 July 2024. This timeline was extended to record the internal restructurings that took place in both media organisations, which coincidentally occurred at the end of 2023. Within a continuous dialogue between theory and practice, this study relies on two central axes: the construction of childhood as a social category, and the specific nature of news production for children. Among the main findings, the study concludes that children journalism, as a specialised journalistic practice, acts as a mediating agent in the social construction of contemporary childhoods, living children in a single world (and not apart from the “adult world”), as citizens of the present (rather than in preparation for adulthood). Although both media outlets possess distinctive specialisation and mediumspecific features, production routines, editorial agendas, language, and contextualized narratives are shared by them. They are grounded in both classical and contemporary news values, without abandoning the core principles of journalism. The data allow us to infer that this form of production is aligned with other journalistic subfields: participatory journalism, constructive journalism, solutions journalism, and connection journalism. Nonetheless, the production remains shaped by an adult-centred logic and is highly dependent on the school context, often resulting in a one-dimensional representation of the child as a “student.” This study makes it clear that factors such as time constraints, lack of specialised training, market pressure, small editorial teams, and professional undervaluation represent a body of meaningful limitations. These hinder production routines, influence gatekeepers’ editorial decisions, shape the news agenda, and restrict children’s participation. Mostly female, the editorial boards and their professionals, demonstrate strong motivation and resilience, revealing a clear commitment to informing, educating, entertaining, and serving younger audiences. Based on the analysis of the results, this study supports five core insights derived from its findings. The first is that children's journalism presents the world to children through soft news, as the literature shows. It is not current events, but journalistic narratives linked to broader current affairs that shape the representation of childhood. Soft news, namely ephemerides, are strategically used as news peg to address more sensitive current issues. Secondly, the inherent curiosity of the “sandwich age group” (7 to 12 years old) emerges as essential for journalists to explore their willingness to know and understand the world to which they also belong. Thirdly, the study identifies a counter-current dynamic operating on studied in such detail – where the work developed by journalists runs against the grain, whether due to the lack of recognition or institutional disinvestment in this specialization by its organisational structures. In what concerns childhood, it is underlined that this media journalism genre recognises younger ones as rights-holders by ensuring access to information and participation, thus challenging dominant limiting perspectives. Finally, the study defines the prevailing discourse that associates childhood solely with digital environments. It becomes clearer that children continue to access information through traditional platforms, particularly television, and that substantial inequalities persist in terms of access to technology. The analysed children’s news productions in this research highlight the importance of continuing to study and value conventional media.
La présente étude a cherché à comprendre dans quelle mesure le journalisme destiné aux enfants et aux adolescents se caractérise comme une pratique spécialisée dans le domaine journalistique portugais et comment s'organise la production d'informations destinées aux enfants. L'analyse des processus de production a été élaborée à partir de deux études de cas nationales, le magazine imprimé privé Visão Júnior et le journal télévisé public Radar XS, à l'aide d'une combinaison méthodologique: analyse de contenu, observation participante pa et entretiens. En outre, une enquête a été menée sur les sites web et les réseaux sociaux. Le travail empirique a donné lieu à l'analyse de 31 éditions imprimées et 29 épisodes télévisés, à partir de catégories thématiques; huit périodes d'observation dans les rédactions respectives et réunions en ligne, avec de nombreuses minutes de conversations informelles consignées dans 38 pages de notes dans un journal de bord et huit questionnaires; et six entretiens réalisés avec des journalistes de la direction et des rédacteurs en chef. Toutes les procédures ont été réalisées du 1er janvier 2022 au 31 juillet 2024, le calendrier ayant été prolongé afin d'enregistrer les restructurations internes qui ont eu lieu dans les deux organes de communication sociale, qui ont coïncidé avec la fin de l'année 2023. La construction de l'enfance en tant que catégorie sociale et la spécificité de la production d'informations pour les enfants ont constitué les deux axes centraux qui ont soutenu ce travail, dans un dialogue continu entre théorie et pratique. L'étude conclut que le journalisme pour enfants et adolescents, en tant que pratique journalistique spécialisée, agit comme un agent de médiation dans la construction sociale de les enfances contemporaines, les enfants vivant dans um monde unique (et non séparé du “monde des adultes”), où elles sont des citoyens à part entière (et non en stage vers l'âge adulte). Bien que les deux médias possèdent des caractéristiques singulières de spécialisation propres à leur milieu, ils partagent tous deux des routines de production, des agendas, un langage et des discours contextualisés, fondés sur des valeurs journalistiques classiques et contemporaines, sans abandonner les valeurs fondamentales du journalisme. Les données permettent de déduire que cette production s'aligne sur d'autres sous-domaines du journalisme: participatif, constructif, solutions et connexion. Cependant, elle reste marquée par une logique centrée sur les adultes et dépendante du contexte scolaire, ce qui se traduit souvent par une représentation unidimensionnelle de l'enfant en tant qu' “élève”. Cette étude montre clairement que des facteurs tels que le manque de temps, l'absence de formation spécialisée, la pression du marché, les équipes réduites et la dévalorisation professionnelle sont des contraintes qui entravent les routines de production, influencent les choix des gatekeepers, l'élaboration de l'agenda et la participation des enfants. Les rédactions, majoritairement féminines, font preuve d'une forte motivation et d'une grande résilience, démontrant leur engagement à informer, former, éduquer, divertir et servir le jeune public. Après analyse des résultats, cette recherche soutient cinq idées centrales à partir de ses conclusions. La première est que le journalisme destiné aux enfants présente le monde à travers des actualités légères, comme le montre la littérature. Ce ne sont pas les événements actuels, mais les récits journalistiques liés à l'actualité au sens large qui influencent la représentation de l'enfance. Les actualités légères, notamment les commémorations, sont utilisées de manière stratégique comme accroches journalistiques pour aborder des sujets d'actualité plus sensibles. Deuxièmement, la curiosité propre à la “tranche d'âge sandwich” (de 7 à 12 ans) est essentielle pour que les journalistes explore leur désir de connaître et de comprendre le monde qui leur appartient également. Ensuite, on identifie une action à contre-courant à trois niveaux. Dans le domaine du journalism lui-même, on observe un scénario portugais – jamais étudié avec autant de détails – dans lequel le travail des journalistes va à contre-courant, tant en raison du discrédit dont souffre cette pratique que du désinvestissement dans cette spécialisation au sein des structures organisationnelles. Au niveau de l'enfance, il est souligné que le journalism pour enfants et adolescents reconnaît les enfants comme des sujets de droits, en garantissant l'information et la participation, ce qui va à l'encontre des visions limitantes prédominantes. Enfin, l'étude contredit le discours courant selon lequel l'enfance est uniquement liée au numérique, en démontrant que les enfants continuent de recevoir des informations par le biais de plateformes traditionnelles, en particulier la télévision, et qu'il existe des inégalités dans l'accès aux technologies. Les productions pour enfants et adolescents analysées soulignent l'importance de continuer à étudier les medias traditionnels.
La presente investigación tuvo como objetivo comprender en qué medida el periodismo infantojuvenil se caracteriza como una práctica especializada dentro del campo periodístico portugués, así como analizar cómo se estructura la producción de noticias dirigida a la infancia. El análisis de los procesos de producción se desarrolló a partir de dos estudios de caso nacionales, la revista impresa de titularidad privada Visão Júnior y el informativo de la televisión pública Radar XS, mediante una combinación metodológica: análisis de contenido, observación participante y entrevistas. Además, se realizó un levantamiento de los sitios web y de las redes sociales asociadas a ambos medios. Del trabajo empírico resultó el análisis de 31 ediciones impresas y 29 episodios televisivas, a partir de categorías temáticas; ocho períodos de observación en las respectivas redacciones y en reuniones en línea, con numerosos minutos de conversaciones informales registrados en 38 páginas de notas de campo y ocho cuestionarios; así como seis entrevistas realizadas a periodistas de las direciones editoriales y equipos de redacción. Todos los procedimientos se llevaron a cabo entre el 1 de enero de 2022 y el 31 de julio de 2024, ampliándose el calendario para registrar reestructuraciones internas verificadas en ambos medios de comunicación, que ocurrieron, coincidentemente, a finales de 2023. La construcción de la infancia como categoría social y la especificidad de la producción informativa destinada a los niños constituyeron los dos puntos centrales que sustentaron este estudio, en un diálogo continuo entre teoría y práctica. El estudio concluye que el periodismo infantojuvenil, como práctica periodística especializada, actúa como agente de mediación en la construcción social de las infancias contemporáneas, vivendo los niños en un mundo único (y no separado del “mundo adulto”), y en el presente (no únicamente en preparación para la adultez). Aunque ambos medios presentan características particulares derivadas de su especialización y del soporte que utilizan, comparten rutinas productivas, agendas editoriales, lenguaje y discursos contextualizados, sustentados en valores-noticia tanto clásicos como contemporáneos, sin renunciar a los principios fundamentales del periodismo. Los datos permiten inferir que esta producción se alinea con otros subcampos del periodismo: periodismo participativo, constructivo, de soluciones y de conexión. No obstante, la producción sigue estando marcada por una lógica adultocéntrica y depende en gran medida del contexto escolar, lo que se traduce, con frecuencia, en una representación unidimensional de la infancia como “alumnado”. A través de este estudio, se evidencia que factores como la falta de tiempo, la inexistencia de formación especializada, la presión del mercado, los equipos reducidos y la desvalorización profesional constituyen restricciones que dificultan las rutinas de producción, influyen en las decisiones editoriales de los gatekeepers, condicionan la construcción de la agenda y limitan la participación infantil. Las redacciones, mayoritariamente compuestas por mujeres, muestran una fuerte motivación y resiliencia, revelando un compromiso claro con informar, formar, educar, entretener y servir al público más joven. A partir del análisis de los resultados, esta investigación sostiene cinco ideas fundamentales derivadas de sus hallazgos. La primera es que el periodismo infantojuvenil presenta el mundo a los niños a través de las noticias ligeras, como lo demuestra la literatura. No son los acontecimientos actuales, sino las narrativas periodísticas vinculadas a la actualidad más amplia las que actúan en la representación de la infancia. Las noticias ligeras, como las efemérides, se emplean estratégicamente como ganchos periodísticos para abordar temas de actualidad más sensibles. En segundo lugar, la curiosidad propia de la llamada “franja etaria sándwich” (de 7 a 12 años) se destaca como esencial para que los periodistas exploren su deseo de conocer y comprender el mundo al que también pertenecen. En tercer lugar, se identifica una actuación contracorriente en tres niveles. En el próprio campo del periodismo, se revela un contexto portugués – nunca estudiado con tal nível de detalle – en el que el trabajo desarrollado por los periodistas se configura como una práctica contracorriente, ya sea por el desprestigio asociado a esta especialidad, ya sea por el desincentivo institucional dentro de las estructuras organizativas. En el plano de la infancia, se subraya que el periodismo infantojuvenil reconoce a niñas y niños como sujetos de derechos, al garantizar el acceso a la información y promover su participación, desafiando así las visiones limitantes predominantes. Por último, el estudio cuestiona el discurso común que asocia la infancia exclusivamente al entorno digital, demostrando que los niños continúan accediendo a la información a través de plataformas tradicionales, especialmente la televisión, y que persisten desigualdades significativas en el acceso a la tecnología. Las producciones infantojuveniles analizadas ponen de manifiesto la importancia de continuar investigando y valorizando los medios tradicionales.

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Jornalismo especializado Jornalismo infantojuvenil Criança contemporânea Visão Júnior Radar XS Specialized journalism Children's journalism Contemporary children Journalisme spécialisé Journalisme pour enfants Enfants contemporains Periodismo especializado Periodismo infantil Niños contemporáneos

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