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Jornalismo Infantojuvenil: construção especializada e segmentada para crianças contemporâneas – rotinas produtivas da Visão Júnior e Radar XS
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Jornalismo infantojuvenil: construção especializada e segmentada para crianças contemporâneas – rotinas produtivas da Visão Júnior e Radar XS
Publication . Ferreira, Ana Cátia de Sousa; Sousa, Jorge Pedro; Doretto, Juliana
A presente investigação procurou compreender em que medida o jornalismo infantojuvenil se carateriza como uma prática especializada no campo jornalístico português e como se estrutura a produção noticiosa destinada à infância. A análise dos processos produtivos foi elaborada a dois estudos de caso nacionais, a revista impressa, de natureza privada, Visão Júnior, e o noticiário televisivo público Radar XS, através de uma combinação metodológica: análise de conteúdo, observação participante e entrevistas. Além disso, procedeu-se a um levantamento dos websites e das redes sociais. Do trabalho empírico resultaram 31 edições impressas e 29 episódios analisados, a partir de categorias temáticas; oito períodos de observação nas respetivas redações e reuniões online, com muitos minutos de conversas informais registados em 38 páginas de apontamentos em diário de bordo e oito questionários preenchidos; e seis entrevistas realizadas aos jornalistas das direções e editores. Todos os procedimentos foram realizados de 1 de janeiro de 2022 a 31 julho de 2024, sendo o calendário alargado para registar as restruturações internas verificadas em ambos os órgãos de comunicação social, que decorreram, coincidentemente, no fim de 2023. A construção da infância como categoria social e a especificidade da produção noticiosa para crianças constituíram os dois eixos centrais que sustentaram este trabalho, num diálogo contínuo entre teoria e prática. O estudo conclui que o jornalismo infantojuvenil, enquanto prática jornalística especializada, atua como agente de mediação na construção social das infâncias contemporâneas, vivendo as crianças num mundo único (e não separadas do “mundo dos adultos”), onde são cidadãs no presente (e não em estágio para a adultez). Apesar dos dois veículos possuírem características singulares da especialização e próprias do seu meio, ambos partilham rotinas produtivas, agendas, linguagem e discursos contextualizados, assentes em valores-notícia clássicos e contemporâneos, sem abandonar os valores basilares do jornalismo. Os dados permitem inferir que esta produção está alinhada com outros subcampos do jornalismo: participativo, construtivo, soluções e conexão. Contudo, ainda é marcada por uma lógica adultocêntrica e dependente do contexto escolar, traduzindo-se, frequentemente, numa representação unidimensional da criança enquanto “aluno”. Com este estudo torna-se evidente que fatores como a falta tempo, a inexistência de formação especializada, a pressão do mercado, as equipas reduzidas e a desvalorização profissional são constrangimentos que dificultam as rotinas produtivas, influenciam as escolhas dos gatekeepers, a construção de agenda e a participação infantil. As redações, predominantemente femininas, revelam forte motivação e resiliência, demonstrando compromisso em informar, formar, educar, entreter e servir o público mais novo. Após a análise dos resultados, esta investigação sustenta cinco ideias centrais a partir das suas descobertas. A primeira é que o jornalismo infantojuvenil apresenta o mundo às crianças pelas soft news, como mostra a literatura. Não são os acontecimentos atuais, mas as narrativas jornalísticas ligadas à atualidade mais alargada que atuam na representação da infância. As soft news, nomeadamente, as efemérides, são utilizadas estrategicamente como cabides jornalísticos para abordar temas atuais mais sensíveis. Em segundo, a curiosidade própria da “faixa etária sanduíche” (dos 7 aos 12 anos), destaca-se como essencial para os jornalistas explorem a sua vontade de saber e compreender o mundo que também lhes pertence. De seguida, identifica-se uma atuação contracorrente em três estudado com este detalhe –, em que o trabalho desenvolvido pelos jornalistas surge contracorrente, quer pelo desprestígio da prática quer pelo desinvestimento nesta especialização dentro das estruturas organizacionais. No plano da infância, sublinha-se que o jornalismo infantojuvenil reconhece as crianças como sujeito de direitos, ao garantir a informação e a participação, o que contraria as visões limitadoras predominantes. Por fim, o estudo contrapõe o discurso comum da infância estar apenas ligada ao digital, demonstrando que as crianças continuam a receber informação através de plataformas tradicionais, especialmente pela televisão, e existem desigualdades no acesso às tecnologias. As produções infantojuvenis analisadas evidenciam a importância de se continuar a estudar os meios tradicionais.
Organizational Units
Description
Keywords
, Social sciences ,Social sciences/Media and communications
Contributors
Funders
Funding agency
Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P.
Funding programme
Funding Award Number
2022.10828.BD
