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Vitimação sexual masculina: mitos, aceitação e perceções da população portuguesa

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O estudo aborda a problemática da vitimação sexual masculina, perpetrada por homens contra homens, analisando-a sob a ótica das perceções da população portuguesa, com o fim de perceber o grau de aceitação de crenças preconceituosas (mitos) associadas. A referida análise assenta no enquadramento teórico da masculinidade hegemónica, priorizando a articulação entre normas de género, sexualidade, consentimento e mecanismos socioculturais de legitimação da violência sexual. Através de uma metodologia predominantemente quantitativa, foram recolhidos dados junto de 350 participantes da população portuguesa e, posteriormente, utilizado o Male Rape Myth Acceptance Scale (MRMAS), adaptado para o contexto nacional. A avaliação das propriedades psicométricas do instrumento conduziu à obtenção de uma estrutura bifatorial composta pelas subescalas Culpabilização (da vítima) e Minimização/Exoneração do Perpetrador. Os resultados evidenciaram níveis gerais reduzidos de adesão aos mitos de vitimação sexual masculina, embora se tenha observado maior permeabilidade a representações associadas à relativização da violência e à atenuação da responsabilidade do agressor. Dentro das variáveis posteriormente analisadas, a idade revelou uma associação positiva, ainda que de magnitude reduzida, com crenças de culpabilização da vítima, enquanto os participantes do sexo masculino apresentaram maior concordância com itens de minimização e exoneração. Por sua vez, a orientação sexual constituiu a variável com associações mais consistentes, verificando-se níveis mais elevados de aceitação entre os participantes heterossexuais e valores significativamente inferiores entre participantes bissexuais. Em contrapartida, as habilitações literárias não evidenciaram diferenças estatisticamente significativas nas subescalas. A persistência destas representações traduz a influência contínua de conceções normativas de masculinidade na interpretação da violência contra homens, bem como a existência de formas subtis de deslegitimação da experiência de vitimação. Estes resultados reforçam a necessidade de respostas preventivas e sensibilizadoras, orientadas para a desconstrução de estereótipos de género e para o reconhecimento da vítimas masculina como vítima “legítima”.
This study addresses the problem of male sexual victimization, perpetrated by men against men, analysing it from the perspective of the perceptions of the Portuguese population, to better understand the degree of acceptance of associated prejudiced beliefs (myths). This analysis is based on the theoretical framework of hegemonic masculinity, prioritizing the articulation between gender norms, sexuality, consent, and sociocultural mechanisms of legitimacy of sexual violence. Through a predominantly quantitative methodology, data were collected from 350 participants from the Brazilian population and, subsequently, the Male Rape Myth Acceptance Scale (MRMAS), adapted to the national context, was used. The evaluation of the psychometric properties of the instrument led to the obtaining of a two-factor structure composed of the subscales Blame (the victim) and Minimisation/Exoneration the perpetrator. The results showed reduced overall levels of acceptance of male rape myths, although greater permeability was observed to representations associated with the relativization of violence and the attenuation of the aggressor's responsibility. Among the variables analysed subsequently, age revealed a positive association, albeit of reduced magnitude, with beliefs of victim-blaming, while male participants showed greater acceptance of items of minimization and exoneration. In turn, sexual orientation constituted the variable with the most consistent associations, with higher levels of acceptance among heterosexual participants and significantly lower values among bisexual participants. In contrast, education did not show statistically significant differences in the subscales. The persistence of these representations reflects the continued influence of normative conceptions of masculinity in the interpretation of violence against men, as well as the existence of subtle forms of delegitimization of the victimization experience. These results reinforce the need for preventive and awareness-raising responses, aimed at deconstructing gender stereotypes and recognizing male victims as "legitimate" victims.

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Palavras-chave

Masculinidade hegemónica Vítima masculina Mitos de violação masculina Estereótipos de género Hegemonic masculinity Male victim Male rape myths Gender stereotypes

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