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- Psicopatia e gestão de conflitos: dinâmicas interpessoais num estudo quantitativo com adultos portuguesesPublication . Fonseca, Iara Beatriz Fernandes; Cunha, Pedro; Fonte, CarlaA psicopatia tem sido tradicionalmente associada a contextos criminais e forenses; porém, a investigação contemporânea tem evidenciado que os traços psicopáticos também se manifestam de forma subclínica na população geral, com impacto interpessoal, emocional e relacional. A gestão de conflitos constitui uma dimensão central das relações humanas, influenciada por características individuais, como traços de personalidade, empatia, regulação emocional e orientação interpessoal. A relação entre psicopatia e gestão de conflitos assume relevância para a Psicologia Clínica e da Saúde, ao permitir compreender dinâmicas interpessoais menos cooperativas e fatores associados ao bem-estar psicológico. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre as dimensões da psicopatia e os estilos de gestão de conflito em adultos da população portuguesa. Foi realizado um estudo quantitativo, descritivo e transversal, com 724 participantes portugueses, entre os 18 e os 82 anos (M = 37,04; DP = 14,91). A recolha de dados decorreu online, mediante consentimento informado, com recurso a um questionário sociodemográfico, à Self-Report Psychopathy Scale III (SRP-III) e ao Rahim Organizational Conflict Inventory-II (ROCI-II). Os resultados evidenciaram menor expressão do Comportamento Antissocial, coerente com a natureza comunitária e não forense da amostra, sugerindo uma manifestação mais subtil dos traços psicopáticos. Na gestão de conflito, verificou-se maior utilização da Integração, indicando tendência para respostas cooperativas. Contudo, níveis mais elevados de traços psicopáticos associaram-se a menor utilização da Integração e do Compromisso, e a maior recurso à Dominação. As regressões destacaram a Manipulação Interpessoal como preditor positivo da Dominação e negativo da Integração, enquanto a Insensibilidade Afetiva se associou negativamente a estilos que implicam cedência, compromisso ou afastamento do confronto. A presente investigação contribuiu para aprofundar a compreensão da psicopatia em contexto não forense, ao sublinhar a importância de competências socioemocionais, comunicacionais e relacionais na compreensão e prevenção de dinâmicas interpessoais disfuncionais.
