Percorrer por data de Publicação, começado por "2026-07-07"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Autocuidado e saúde mental em psicólogos portugueses: um estudo correlacional e preditivoPublication . Cerqueira, Joana Catarina da Costa; Fonte, CarlaA prática profissional dos psicólogos aporta elevadas exigências emocionais, cognitivas e relacionais contínuas, emergindo o autocuidado como um imperativo ético e de eficácia clínica, amplamente referenciado na literatura pela sua capacidade de promover a saúde mental e mitigar a sintomatologia psicopatológica associada ao desgaste profissional. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação preditiva e comparativa entre o autocuidado e a saúde mental, considerando simultaneamente indicadores de bem-estar e sintomatologia psicopatológica. A investigação seguiu um desenho quantitativo, transversal, de natureza correlacional e preditiva. A amostra foi constituída por 322 psicólogos portugueses, membros efetivos da Ordem dos Psicólogos Portugueses, maioritariamente do sexo feminino (87,6%) e com idades compreendidas entre os 24 e 68 anos (M=39,7; DP=9,9). Os participantes responderam, por via digital, a um Questionário Sociodemográfico, à Escala de Avaliação de Autocuidado para Psicólogos (EAAP), ao Mental Health Continuum–Short Form (MHC-SF) e à Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21). As análises correlacionais revelaram associações positivas significativas entre as dimensões do autocuidado e o bem-estar, e associações negativas com a sintomatologia psicopatológica. No que concerne à práticas de suporte, verificou-se que os psicólogos com supervisão apresentaram níveis significativamente superiores de desenvolvimento e apoio profissional. Similarmente, os participantes com prática de intervisão evidenciaram níveis superiores de apoio e desenvolvimento profissional, estratégias cognitivas e no bem-estar social. Os modelos de regressão linear múltipla demonstraram que as dimensões do autocuidado predizem significativamente o bem-estar emocional e o bem-estar social. Relativamente à sintomatologia psicopatológica, o autocuidado explicou 16,4% da variância da depressão, 9,4% do stress e 5,6% da ansiedade. O equilíbrio de vida destacou-se como o preditor mais consistente dos indicadores de bem-estar e sintomatologia psicopatológica. Em conclusão, os resultados empíricos confirmam o papel bivalente do autocuidado na arquitetura psicológica dos psicólogos, demonstrando que o envolvimento intencional nestas práticas atua de forma abrangente, ao associar-se a índices superiores de bem-estar e a menores níveis de sintomatologia psicopatológica.
