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- Construir sobre o construído: reutilização de edifícios com o uso de sistemas de construção em madeira e derivadosPublication . Brito, Ricardo António Teixeira de; Félix, DanielA indústria da construção civil constitui um dos principais setores com emissões de CO2, sendo responsável por aproximadamente 28% das emissões globais. Esta taxa aumenta para 40% quando são consideradas as emissões de CO2 resultantes dos materiais de construção. Neste contexto, o tipo de material utilizado na construção tem um impacto significativo na mitigação destas emissões. Em função disto e da escassez de recursos naturais, como a areia, o cascalho e os materiais para a produção de cimento, o uso da madeira na construção tornou-se uma alternativa cada vez mais atrativa. De forma a reduzir ainda mais as emissões de carbono, é fundamental adotar uma abordagem mais sustentável. Em vez de demolir edifícios, deve-se considerar prolongar a sua vida útil, evitando a consequente emissão de milhares de toneladas de carbono na atmosfera. É possível restaurar os edifícios mantendo a sua função original ou optar pela reutilização adaptativa, onde o edifício é renovado para servir uma nova finalidade. Estas estratégias não apenas preservam recursos, mas também contribuem para um ambiente mais sustentável. Após o seu abandono, os edifícios deixam de receber a manutenção necessária, o que contribui para o seu progressivo estado de degradação e compromete, de igual, modo o terreno onde estes se localizam. Esta realidade tem um impacto negativo na paisagem e na qualidade da cidade, além de representar um risco para os cidadãos. A presente dissertação pretende abordar o potencial da reutilização de edificado existente, principalmente da tipologia equipamento, usando sistemas construtivos de derivados de madeira, promovendo assim a sustentabilidade e reabilitação de edifícios existentes. O estudo inicia-se com uma análise ao parque edificado em Portugal, para compreender e conhecer a realidade do mesmo, essencialmente no que diz respeito a edifícios devolutos. Em seguida, são estudados diversos sistemas construtivos à base de madeira e derivados, de modo a analisar, avaliar e compreender as suas vantagens e desvantagens para o uso na reabilitação dos edifícios. Deste modo, o estudo baseia-se numa recolha de dados e na análise das práticas da arquitetura na reabilitação, propondo a aplicação destas soluções, com base na análise da sua estrutura, construção e organização, procurando a interligação entre a reutilização e os derivados de madeira. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é fornecer uma compreensão aprofundada neste tema. Visa-se assim, estabelecer uma base de conhecimento que abranja as condicionantes e vantagens, até agora analisadas no contexto atual, dos sistemas construtivos de madeira e seus derivados na reutilização de edifícios. Considera-se, por conseguinte, que a interligação entre estas soluções e a arquitetura, desde a conceção até à sua conclusão, revela-se crucial para o futuro da reabilitação e a sua sustentabilidade.
- Hipnoterapia no controle da dor orofacial: revisão narrativaPublication . Pedone, Manfredi Carlo; Lameiro, JoanaA dor, de acordo com o Subcomité de Taxonomia da Associação Internacional para o Estudo da Dor, é "uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a danos teciduais reais ou potenciais, ou descrita relativamente a esses danos". É sempre subjetiva e se a pessoa relata a sua experiência como dor, deve ser aceite como tal. Os fatores etiológicos para alguns tipos de dor, como os causados por disfunções temporomandibulares, incluem componentes físicos, mas também comportamentais e psicossociais, que podem não só desencadear, mas também ajudar a perpetuar a presença de dor. O impacto da dor, especialmente da dor orofacial, pode ser significativo, pois pode afetar funções essenciais como falar, mastigar e até mesmo o bem-estar emocional do paciente, implicando geralmente, tratamentos multidisciplinares. A hipnoterapia, através de técnicas de relaxamento profundo e foco na atenção, em sinergia com as terapias convencionais, pode ajudar a modular a perceção da dor, revelando-se uma abordagem alternativa eficaz no controle da dor orofacial. Ao atuar diretamente no sistema nervoso central, modula a perceção da dor através da sugestão e reestruturação cognitiva, levando a mudanças na interpretação da dor no cérebro, reduzindo sua intensidade e melhorando a tolerância do paciente. Além disso, a hipnose pode ajudar a reduzir a ansiedade e o stress, fatores frequentemente associados à exacerbação da dor orofacial. No entanto, a sua eficácia pode variar de acordo com a suscetibilidade do indivíduo e a abordagem terapêutica utilizada. Dentro de um protocolo terapêutico integrado, a hipnoterapia parece ser uma ferramenta promissora no controle da dor orofacial, especialmente para pacientes que procuram alternativas não invasivas. O presente trabalho de revisão tem como objetivo geral analisar a aplicação da hipnoterapia no controle da dor orofacial, avaliando sua eficácia, benefícios e limitações, sendo o seu objetivo específico a procura de protocolos de ação que promovam uma possível expansão da sua aplicação na medicina dentária. ff Através da combinação das palavras-chave "hipnose médica", "dor orofacial", "controle da dor", "terapia cognitivo-comportamental", "tratamento da dor crónica", nas bases de dados elétrónicas Pubmed e Science Direct foram selecionados casos clínicos de pacientes adultos submetidos a tratamento hipnótico de dor orofacial, artigos de caso-controle e revisões sistemáticas ou narrativas da literatura existente. As evidências científicas sugerem que, mesmo diante ausência de uniformidade metodológica e da dificuldade de comparação entre resultados, a hipnoterapia aplicada à dor orofacial pode trazer benefícios relevantes quando associada às abordagens convencionais. Ainda que não proporcione a eliminação completa do sintoma doloroso, mostra-se eficaz na atenuação da intensidade da dor e na promoção de melhor qualidade de vida. Ressalta-se, contudo, que a resposta terapêutica é variável, dependente tanto das características individuais dos pacientes — como a sensibilidade ao tratamento e o limiar de dor — quanto da condução clínica e das técnicas empregadas pelo profissional de saúde.
