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- Policiais no banco dos réus: traçando um perfilPublication . Silva, Luiz Carlos Jean Renaud da; Pinto, António Paulo VieiraA atuação policial é, desde a criação da polícia moderna no século XIX, objeto de escrutínio público e crítica dos círculos acadêmicos, em razão de casos de abusos e desvios que minam a confiança da sociedade nas forças de segurança. No Brasil, onde a Polícia Militar é a mais numerosa instituição policial e também a responsável pela maior parte das ações de repressão à criminalidade, a produção científica sobre delitos cometidos por policiais é ainda escassa, não refletindo a relevância desse fenômeno. Esta dissertação busca delinear o perfil criminológico dos policiais com comportamento desviante, tendo como base amostral os policiais militares do Estado do Paraná condenados criminalmente no período de 2012 a 2022, visando aprofundar o conhecimento do tema, bem como subsidiar políticas públicas de prevenção, controle e repressão. Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, longitudinal e retrospectiva, com recorte geográfico no Estado do Paraná e amostragem construída a partir da análise de sentenças condenatórias definitivas extraídas de sistemas institucionais. A base geral envolveu aproximadamente 165 mil registros administrativos, os quais foram organizados em torno de cerca de 23 mil vínculos funcionais únicos, dos quais foram retirados 4.579 policiais formalmente investigados e de onde, por fim, se extraiu uma amostra final de 261 policiais militares condenados com trânsito em julgado. Foram consideradas variáveis sociodemográficas e funcionais (idade, sexo, tempo de serviço, graduação, lotação, renda estimada) e penais (tipo de crime, data da sentença). Aplicaram-se medidas descritivas de tendência central e dispersão, bem como o modelo de Estimativas de Equações Generalizadas (GEE), para identificar fatores estatisticamente associados à condenação judicial. Os resultados indicam maior probabilidade de condenação entre policiais do sexo masculino (OR=4,30), praças (OR=2,72) e aqueles lotados em unidades de divisa interestadual (OR=1,71), bem como uma tendência de redução nas condenações ao longo do tempo (OR=0,91 por ano observado), todos com significância estatística (p<0,05). Conclui-se que é possível traçar um perfil criminológico relevante dos policiais militares condenados, capaz de subsidiar políticas institucionais de supervisão, prevenção e controle, contribuindo para o fortalecimento da integridade organizacional e para a restauração da confiança pública nas forças de segurança.
- Papel do stress oxidativo na cardiotoxicidade da 3,4-dimetilmetcatinona: estudo in vitro em células H9c2Publication . Rocha, Verónica Juliana Magalhães da; Carvalho, Márcia; Araújo, Ana MargaridaAs catinonas sintéticas fazem parte do grupo das novas substâncias psicoativas (NSP) e são amplamente utilizadas como drogas recreativas devido aos seus efeitos psicoestimulantes, semelhantes aos das anfetaminas. A sua rápida disseminação constitui uma preocupação crescente para a saúde pública, sobretudo pelo risco de efeitos cardiovasculares graves, como arritmias, enfarte agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca. Contudo, os mecanismos subjacentes à sua cardiotoxicidade permanecem pouco esclarecidos. Este estudo teve como objetivo investigar o potencial efeito cardiotóxico de uma destas substâncias, a 3,4-dimetilmetcatinona (3,4-DMMC), bem como o envolvimento do stress oxidativo neste processo. As células H9c2 foram expostas a várias concentrações de 3,4-DMMC (0,005 a 0,8 mM) durante 24 e 48 horas. A viabilidade celular foi avaliada através do ensaio de redução do MTT. A produção de espécies reativas de oxigénio e azoto (ROS/RNS) foi medida por fluorescência, utilizando o marcador DCFH-DA, em diferentes tempos (0,5 a 48 h), após incubação com a 3,4-DMMC nas concentrações correspondentes à EC10 e EC50. Para avaliar o efeito protetor de antioxidantes, as células foram pré-incubadas com ácido ascórbico (AA, 0,1 mM), Nacetilcisteína (NAC, 1 mM) ou Trolox (TRX, 0,2 mM), seguidas de exposição à 3,4- DMMC na concentração equivalente à EC40 durante 24 e 48 horas. A 3,4-DMMC reduziu significativamente a viabilidade celular de forma dependente da concentração, sem diferenças estatisticamente significativas entre os dois tempos de incubação. Observou-se um aumento progressivo dos níveis de ROS/RNS ao longo do tempo, com significância estatística a partir das 3 horas. Entre os antioxidantes testados, apenas o ácido ascórbico conseguiu atenuar os efeitos tóxicos da 3,4-DMMC. Os resultados obtidos demonstram que a 3,4-DMMC induz cardiotoxicidade in vitro de forma dependente da concentração, estando o stress oxidativo envolvido neste efeito. O ácido ascórbico revelou um efeito protetor claro, reforçando a importância de estudos futuros para melhor compreender os mecanismos de toxicidade e identificar estratégias terapêuticas eficazes.
