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- Perceções culturais da ciberviolência de género nos jogos online: um estudo comparativoPublication . Silva, Andra Ciara Mota Fernandes da; Sacau, AnaEste estudo, investiga as dinâmicas de ciberviolência de género em ambientes de jogos virtuais, onde mulheres frequentemente enfrentam discriminação, assédio e abuso. Tendo a ciberviolência de género tantas dimensões, as principais formas de ciberviolência de género aqui discutidas, envolvem o assédio sexual, o ciberstalking, intimidações, ameaças, insultos de género, exclusão e discriminação. O método utilizado é de origem qualitativa, centrado em entrevistas semiestruturadas às mulheres consideradas gamers de Angola, Brasil e Portugal. Foram selecionadas dez participantes de cada país para este estudo. O estudo revelou que a maioria das participantes joga regularmente e está exposta a ciberviolência de género, incluindo insultos e assédio, embora algumas a normalizem. O impacto emocional varia, e as estratégias de mitigação incluem bloqueio, denúncia e ocultação de género, levando, em alguns casos, à redução ou abandono da atividade. Quanto às políticas das plataformas, a maioria das participantes considera-as ineficazes no combate ao problema.
- Silêncio masculino: a perceção do homem agressor nos relacionamentos abusivosPublication . Correia, Rosilene Moreira; Pinto, António Paulo VieiraO presente estudo teve como objetivo analisar os fatores que influenciam a permanência de homens em relacionamentos abusivos, avaliando de que forma as construções sociais da masculinidade contribuem para a reprodução da violência de género. A investigação adotou uma abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas realizadas a vinte homens inseridos em programas de responsabilização judicial. Os resultados evidenciaram seis categorias principais: histórico familiar de violência; fatores socioeconómicos; perceção distorcida da violência; ciclo de violência e reconciliação; dependência emocional; e participação em programas de reeducação. Constatou-se que a permanência dos homens em vínculos abusivos decorre da interação entre fatores históricos, emocionais e estruturais, sendo reforçada pela masculinidade hegemónica e pela fragilidade institucional dos mecanismos de responsabilização. Conclui-se que a violência doméstica é um fenómeno multidimensional que exige políticas públicas integradas, capazes de articular prevenção, responsabilização e apoio psicossocial. Ao dar voz aos homens agressores, este estudo contribui para o aprofundamento do conhecimento académico e oferece subsídios para estratégias de intervenção e formulação de políticas públicas mais eficazes no combate à violência de género.
- Evolução das abordagens farmacológicas no tratamento da paramiloidose amiloidótica familiarPublication . Martins, Ana Patrícia Pinto; Silva, Carla Sousa e; Moutinho, CarlaA Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é uma patologia neurodegenerativa hereditária, causada pela deposição sistémica de fibrilas amiloides constituídas por transtirretina (TTR) em múltiplos tecidos. Esta condição resulta, na maioria dos casos, de mutações pontuais no gene da TTR, que comprometem a estabilidade da sua estrutura tetramérica, promovendo a dissociação em monómeros instáveis e facilitando a agregação amiloide. As manifestações clínicas surgem habitualmente entre a terceira e a quarta décadas de vida, tornando imprescindível a compreensão aprofundada dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos. Nos últimos anos, têm sido desenvolvidas terapêuticas inovadoras com impacto significativo no curso clínico da PAF. Os estabilizadores da TTR, como o Tafamidis, representam uma abordagem farmacológica eficaz, ao promoverem a estabilização da estrutura tetramérica da proteína, prevenindo a sua dissociação. O Tafamidis foi o primeiro fármaco aprovado para o tratamento da PAF e demonstrou eficácia na redução da progressão da neuropatia e na melhoria da qualidade de vida dos doentes. Paralelamente, surgiram terapias que visam reduzir a produção da TTR hepática, através de mecanismos de silenciamento génico. Entre estas destacam-se os fármacos baseados em RNA de interferência (RNAi), como o Patisiran e o Vutrisiran, que atuam promovendo a degradação do RNA mensageiro (RNAm) da TTR no fígado, diminuindo significativamente os níveis circulantes da proteína mutada. O Patisiran demonstrou, em ensaios clínicos, melhorias neurológicas mensuráveis. O Vutrisiran, de administração subcutânea e posologia menos frequente, surge como uma alternativa mais conveniente, mantendo níveis de eficácia semelhantes. Outra abordagem relevante é representada pelos oligonucleótidos antisense, como o Inotersen, que também atuam ao nível do RNAm da TTR, inibindo a sua tradução. Apesar da necessidade de monitorização rigorosa devido ao risco de efeitos adversos hematológicos e renais, o Inotersen mostrou resultados positivos na estabilização da doença. O transplante hepático, anteriormente considerado o tratamento de referência, tem vindo a ser progressivamente substituído por estas terapias menos invasivas e mais amplamente acessíveis. Embora eficaz na eliminação da produção hepática de TTR mutada, o transplante apresenta limitações, como a seleção restrita de candidatos e os riscos inerentes ao procedimento cirúrgico. Apesar de tradicionalmente pouco explorada, a saliva tem-se revelado um fluido biológico de interesse na investigação da PAF, devido à presença de depósitos de TTR nas glândulas salivares de doentes afetados. Alterações no proteoma salivar poderão refletir processos patológicos subjacentes. Embora preliminares, estes dados sugerem que a análise salivar poderá constituir uma ferramenta complementar na investigação de biomarcadores não invasivos, contribuindo para o diagnóstico precoce e estratificação de doentes. Em suma, os avanços recentes nas terapias direcionadas à TTR representam um marco na abordagem da PAF, possibilitando intervenções mais eficazes e adaptadas às necessidades individuais dos doentes. A sua integração com ferramentas de diagnóstico inovadoras poderá potenciar uma medicina mais personalizada e centrada no doente.
- Saúde mental e gestão de stress de adultos católicos e não católicos em PortugalPublication . Fernandes, Rita Pinto; Meneses, Rute; Gomes, InêsA relação entre religiosidade e saúde mental tem sido amplamente estudada, revelando-se especialmente relevante em contextos de stress. Em Portugal, onde o catolicismo continua a ter um peso cultural significativo, torna-se pertinente explorar de que forma diferentes níveis de envolvimento religioso influenciam o bem-estar psicológico. O presente estudo tem como objetivo comparar estratégias de gestão de stress e saúde mental entre católicos praticantes, católicos não praticantes e indivíduos sem religião em Portugal. Com base em dados secundários recolhidos no âmbito do projeto “Práticas de (Auto-)Cuidados de Saúde em Portugal e Fatores Associados”, a amostra foi constituída por 389 participantes divididos em três grupos: católicos praticantes (n = 86), católicos não praticantes (n =132) e indivíduos sem religião (n = 171). Foram aplicados, através do Google Forms, um questionário sócio-demográfico elaborado para o efeito, o MHI-5 (Mental Health Inventory) e uma escala de práticas de coping, com inclusão de indicadores como consumo de substâncias, apoio social e práticas religiosas. Os resultados revelaram correlações estatisticamente significativas entre algumas estratégias de coping e a saúde mental, com diferenças relevantes entre os grupos. Os católicos praticantes recorreriam mais frequentemente à religião como forma de enfrentamento, enquanto os participantes sem religião apresentavam maior uso de substâncias. Estes achados reforçam a importância da religião enquanto possível fator protetor face ao stress, sobretudo quando associada a estratégias de coping positivas como o apoio social.
