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- Estilos parentais e ansiedade em crianças com perturbação do espetro do autismo: um estudo exploratórioPublication . Rocha, Beatriz Andrade; Marinho, SusanaA Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) caracteriza-se por dificuldades persistentes na comunicação e interação social, associadas a padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento (APA, 2022). Diversos estudos têm evidenciado a elevada prevalência de sintomatologia ansiosa nesta população, a qual, quando não identificada e acompanhada, pode comprometer significativamente o bem-estar emocional e a qualidade de vida da criança (Van Steensel et al., 2011). A parentalidade, enquanto fator estruturante no desenvolvimento emocional e comportamental, adquire particular importância no contexto do autismo, tendo os estilos parentais demonstrado influência na forma como a criança lida com as suas dificuldades e desafios emocionais (Karst & Van Hecke, 2012). O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre os estilos parentais e os níveis de ansiedade em crianças com PEA, procurando identificar eventuais associações com a sintomatologia ansiosa. Para tal, foi adotada uma metodologia quantitativa, com a participação de nove mães de crianças diagnosticadas com PEA, a quem foram aplicados um Questionário Sociodemográfico, o SCARED-R (Screen for Child Anxiety Related Emotional Disorders – Revised) (Pereira et al., 2013) e o QDEP (Questionário de Dimensões e Estilos Parentais) (Pedro et al. 2015). A análise revelou resultados elevados nas subescalas de Perturbação de Pânico, Fobia Social e Perturbação Obsessivo-Compulsiva, assim como a predominância do estilo parental autoritativo. Destaca-se a identificação de uma correlação positiva e significativa entre o estilo autoritativo do pai e os níveis de ansiedade da criança, um resultado que contraria o que é evidenciado pela literatura, sugerindo a necessidade de considerar variáveis contextuais e características específicas desta amostra. Este estudo, apesar das suas limitações, contribui para uma melhor compreensão da dinâmica familiar em crianças com PEA e da forma como os estilos parentais podem influenciar a expressão da sintomatologia ansiosa, salientando a importância de integrar a avaliação e o acompanhamento parental nas intervenções dirigidas a esta população. Por fim, são discutidos aspetos relevantes que justificam o aprofundamento em investigações futuras. Os resultados reforçam a pertinência de estudos com amostras mais amplas, de modo a clarificar o papel da parentalidade no bem-estar emocional de crianças com autismo.
- Relação entre o uso excessivo da internet, autoestima e sentimento de solidão em jovens adultos portuguesesPublication . Peixoto, Bruno Rafael Sousa; Matos, MartaO presente estudo estudo teve como objetivo investigar a relação entre o uso excessivo da Internet, a autoestima e o sentimento de solidão em jovens adultos portugueses com idades entre os 18 e os 25 anos. Foi adotada uma metodologia quantitativa, através da aplicação de questionários online a uma amostra de 71 participantes. Os instrumentos utilizados incluíram o Internet Addiction Test (IAT), a Rosenberg Self-Esteem Scale (RSES) e a UCLA Loneliness Scale, os resultados revelaram correlações estatisticamente significativas entre as variáveis principais: observou-se uma correlação negativa forte entre autoestima e solidão, indicando que níveis mais elevados de autoestima estão associados a níveis mais baixos de solidão. Verificou-se também uma correlação negativa moderada a forte entre autoestima e uso problemático da Internet, bem como uma correlação positiva moderada entre solidão e uso problemático da Internet, adicionalmente, a análise de correlação entre a idade e as variáveis revelou que participantes mais velhos tendem a apresentar níveis ligeiramente mais elevados de autoestima, embora não tenham sido encontradas associações significativas entre a idade e os níveis de solidão ou de dependência da Internet. No que respeita ao género, não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas nas variáveis em estudo (autoestima, solidão e uso problemático da Internet). Estes resultados sublinham a importância de considerar o impacto do uso excessivo da Internet na saúde psicológica dos jovens adultos, em particular nas dimensões da autoestima e da solidão, destacando a necessidade de promover estratégias de uso saudável da Internet e intervenções de suporte psicológico.
- Falsas memórias: a fragilidade da prova testemunhal e do reconhecimento de pessoas no processo penal brasileiroPublication . Rocha, Kalliane de Oliveira Pessoa Galvão; Pereira, Debora SimõesAs falsas memórias constituem um fenômeno psicológico que envolve a lembrança imprecisa, distorcida ou até mesmo a criação de eventos que jamais ocorreram. No âmbito do processo penal brasileiro, esse fenômeno tem gerado intensos debates, especialmente quanto à confiabilidade dos depoimentos testemunhais e dos procedimentos de reconhecimento de pessoas. Esses elementos, embora amplamente utilizados na formação da convicção do julgador, nem sempre são submetidos a critérios científicos de validação. Pesquisas em neurociência e psicologia cognitiva apontam que a memória humana é falível, sendo moldada por múltiplos fatores, como o tempo, a sugestão, a pressão emocional, o ambiente de coleta da prova e a interação social entre vítimas e testemunhas. No Brasil, os reconhecimentos são frequentemente realizados em contextos informais, muitas vezes nas delegacias, sem o cumprimento de diretrizes técnicas que poderiam minimizar riscos de erro. A falta de protocolos uniformes, aliada ao estresse das vítimas, aumenta significativamente a possibilidade de condenações injustas com base em provas frágeis. Tais falhas procedimentais atentam contra princípios fundamentais do processo penal, como o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. Diante desse cenário, torna-se urgente a adoção de medidas estruturais e formativas, como o treinamento especializado de agentes públicos, a implementação de protocolos científicos de reconhecimento e o fortalecimento da cultura jurídica voltada à crítica da prova testemunhal. Promover um processo penal mais técnico, garantista e baseado em evidências confiáveis é essencial para evitar erros judiciais, proteger os direitos fundamentais dos acusados e assegurar a credibilidade das decisões proferidas pelo Judiciário.
