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- Autocuidado nos profissionais de saúde: estudo qualitativo sobre estratégias e desafios de estudantes estagiáriosPublication . Silva, Patrícia Teixeira; Cunha, PedroO autocuidado é definido como conceito multidimensional que envolve a autosseleção de estratégias, utilizadas para manter o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, promovendo o bem-estar psicológico, físico e profissional. Apesar da relevância de compreender os fatores subjacentes à prática de autocuidado, esta prática é marcada por falta de evidências científicas que considerem o seu impacto nos estagiários de áreas da saúde (como a enfermagem, medicina e psicologia). De forma a garantir um sistema de cuidados de saúde sustentável, torna-se crucial dar prioridade à saúde e bem-estar dos profissionais de saúde como imperativo ético da atividade profissional. O presente estudo, utilizando uma abordagem qualitativa, procurou integrar a adoção de uma visão holística da importância do autocuidado e da sua integração nos planos curriculares dos estudantes da área da saúde. Foram realizadas doze entrevistas semiestruturadas e a sua análise foi realizada com base no modelo da análise temática proposto por Braun e Clarke (2006), onde foram percetíveis diferenças significativas na perceção de autocuidado de cada participante e a sua área de formação académica. Os resultados revelam a importância que os estagiários atribuem ao autocuidado, reconhecido como imperativo para o cuidar de nós e equilíbrio entre a saúde mental, física e social. As estratégias referenciadas incluem a supervisão, saúde física, apoio psicoterapêutico, suporte social e saúde psicológica. No entanto, foram identificadas barreiras significativas na adoção destas estratégias, como a gestão de tempo, falta de apoio institucional e carga horária excessiva, reconhecendo o autocuidado como indispensável para a prática profissional e para a promoção de saúde. Os estagiários também identificaram como fundamental a inclusão do autocuidado nos planos curriculares, enaltecendo recomendações para a prática através de recursos interativos e estratégias ao longo da formação académica, estabelecer limites, consciencialização da importância do autocuidado e aprender a lidar com as emoções. Os resultados ressaltam a necessidade de abordar o autocuidado ao longo do período de formação, implicando uma abordagem informal permitindo a familiarização e adoção de práticas de autocuidado por parte dos estudantes e futuros profissionais de saúde.
- Influência da idade no sucesso dos implantes dentáriosPublication . Joyeux, Thomas; Mendes, Daniela MartinsA implantologia dentária moderna tornou-se, nos últimos anos, uma das principais soluções para reabilitar pacientes com perda dentária, seja parcial ou total. Com os avanços nos materiais, no design dos implantes e nas técnicas cirúrgicas e protéticas, os tratamentos tornaram-se mais previsíveis, estéticos e duradouros. Este progresso tem levado a um aumento significativo da procura, inclusive por parte de pacientes idosos. Ao mesmo tempo, a esperança média de vida tem aumentado. Muitas pessoas desejam manter a autonomia, a qualidade de vida e a autoestima mesmo em idades mais avançadas. Isso explica por que tantos pacientes seniores procuram hoje tratamentos com implantes. No entanto, apesar do interesse crescente, ainda existem dúvidas. Será que a idade avançada influência negativamente o sucesso dos implantes? Para responder a essa pergunta, esta revisão narrativa da literatura teve como objetivo analisar o impacto da idade na sobrevivência e no sucesso dos implantes dentários. Foram selecionados estudos clínicos publicados entre 2015 e 2025, que incluíram pacientes com 65 anos ou mais. Sempre que possível, foram também incluídas comparações com grupos de pacientes mais jovens. Foram analisados vários parâmetros. Entre eles, destacam-se: a taxa de sobrevivência dos implantes a curto, médio e longo prazo, a perda óssea marginal, e fatores como o estado periodontal, o uso de enxertos ósseos, o tabagismo, o tipo de osso, o estado geral de saúde e a regularidade das consultas de manutenção. De forma geral, os dados apontam para uma conclusão clara: a idade, por si só, não parece ser um fator determinante para o insucesso dos implantes. Na verdade, vários estudos mostraram que os resultados em pacientes idosos são semelhantes — e por vezes até melhores — do que os observados em pessoas mais jovens. Essa vantagem pode estar ligada a diferentes fatores. Por exemplo, os idosos costumam exercer menos força mastigatória, o que reduz o stress sobre os implantes. Além disso, tendem a seguir melhor as orientações clínicas e a manter uma rotina mais estável. Por outro lado, alguns fatores mostraram-se mais relevantes do que a idade. Entre eles, destacam-se a presença de periodontite avançada, o uso de enxertos ósseos complexos, tabagismo, doenças sistémicas mal controladas e a ausência de manutenção regular. Esses elementos têm impacto direto no prognóstico, independentemente da faixa etária. Assim, os resultados desta revisão indicam que a idade avançada não deve ser vista como uma contraindicação absoluta à colocação de implantes. Mais importante do que a idade cronológica é uma avaliação global e personalizada do paciente. Isso inclui conhecer o estado de saúde geral, a motivação para o tratamento, a capacidade de manter uma boa higiene oral e a possibilidade de realizar acompanhamento clínico contínuo. Em conclusão, a implantologia dentária pode ser uma opção segura, eficaz e duradoura para pacientes idosos. Com um planeamento adequado e uma abordagem individualizada, é possível alcançar bons resultados funcionais e estéticos, mesmo em fases mais avançadas da vida.
- Utilização do isolamento absoluto em endodontia em médicos dentistas generalistas e endodontistas: um estudo transversalPublication . Albuquerque, Christophe; Vasconcelos, Natália; Abreu, IsabelObjetivo: Este estudo tem como principal objetivo investigar e comparar a utilização do isolamento absoluto em tratamentos endodônticos realizados por Médicos Dentistas generalistas e por Médicos Dentistas com prática clínica maioritária em endodontia. Metodologia: Realizou-se um estudo transversal, com recurso a um questionário online. Participaram 147 Médicos Dentistas, tendo sido os dados analisados estatisticamente com o programa SPSS, considerando um nível de significância de 0,05. Resultados: A amostra, composta maioritariamente por participantes do género feminino (61,2%), tinha uma idade média de 38,1 anos e experiência profissional média de 13,5 anos. Cerca de 92,5% dos participantes tiveram o primeiro contacto com o isolamento absoluto durante o ensino pré-graduado e 74,2% consideraram suficiente a ênfase dada à técnica nessa fase. A grande maioria dos inquiridos (91,9%) acredita que o isolamento absoluto aumenta a taxa de sucesso dos tratamentos dentários. Os endodontistas utilizam o isolamento absoluto com maior frequência e rapidez do que os generalistas, sendo que 87,3% dos primeiros recorrem sempre, sem exceção, à técnica em tratamentos endodônticos. Cerca de 64,3% dos profissionais que não usavam isolamento absoluto mostraram-se recetivos a reconsiderar a sua utilização mediante formação adequada. Discussão: Os resultados obtidos evidenciam uma elevada perceção da importância do isolamento absoluto na prática clínica, especialmente em procedimentos endodônticos, refletindo-se numa taxa de utilização sistemática por parte dos endodontistas. No entanto, observam-se diferenças relevantes entre grupos, com os Médicos Dentistas generalistas a apresentarem menos frequência de uso e menor domínio técnico. Os obstáculos mais referidos à aplicação da técnica, como a destruição coronária, o apinhamento dentário ou a falta de treino, apontam para lacunas formativas que podem ser superadas com estratégias pedagógicas adequadas. A valorização clara dos workshops práticos e do apoio de profissionais experientes reforça a necessidade de uma abordagem formativa centrada na prática e na mentoria clínica. Conclusão: A utilização do isolamento absoluto estando relativamente bem difundida e sendo percecionada como essencial para o sucesso clínico requer ainda uma adoção mais sistemática. Esta deverá ser promovida através de estratégias educativas consistentes e em linha com os padrões internacionais.
