Percorrer por autor "Rosa, Joana de Carvalho Fresco da"
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- Vitimação sexual masculina: mitos, aceitação e perceções da população portuguesaPublication . Rosa, Joana de Carvalho Fresco da; Sani, Ana IsabelO estudo aborda a problemática da vitimação sexual masculina, perpetrada por homens contra homens, analisando-a sob a ótica das perceções da população portuguesa, com o fim de perceber o grau de aceitação de crenças preconceituosas (mitos) associadas. A referida análise assenta no enquadramento teórico da masculinidade hegemónica, priorizando a articulação entre normas de género, sexualidade, consentimento e mecanismos socioculturais de legitimação da violência sexual. Através de uma metodologia predominantemente quantitativa, foram recolhidos dados junto de 350 participantes da população portuguesa e, posteriormente, utilizado o Male Rape Myth Acceptance Scale (MRMAS), adaptado para o contexto nacional. A avaliação das propriedades psicométricas do instrumento conduziu à obtenção de uma estrutura bifatorial composta pelas subescalas Culpabilização (da vítima) e Minimização/Exoneração do Perpetrador. Os resultados evidenciaram níveis gerais reduzidos de adesão aos mitos de vitimação sexual masculina, embora se tenha observado maior permeabilidade a representações associadas à relativização da violência e à atenuação da responsabilidade do agressor. Dentro das variáveis posteriormente analisadas, a idade revelou uma associação positiva, ainda que de magnitude reduzida, com crenças de culpabilização da vítima, enquanto os participantes do sexo masculino apresentaram maior concordância com itens de minimização e exoneração. Por sua vez, a orientação sexual constituiu a variável com associações mais consistentes, verificando-se níveis mais elevados de aceitação entre os participantes heterossexuais e valores significativamente inferiores entre participantes bissexuais. Em contrapartida, as habilitações literárias não evidenciaram diferenças estatisticamente significativas nas subescalas. A persistência destas representações traduz a influência contínua de conceções normativas de masculinidade na interpretação da violência contra homens, bem como a existência de formas subtis de deslegitimação da experiência de vitimação. Estes resultados reforçam a necessidade de respostas preventivas e sensibilizadoras, orientadas para a desconstrução de estereótipos de género e para o reconhecimento da vítimas masculina como vítima “legítima”.
