Browsing by Author "Matros, Maksym"
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- Trajetória criativa de Júlio José de Brito: uma análise a partir do Sanatório de Mont'AltoPublication . Matros, Maksym; Silva, IlídioO Sanatório de Mont’Alto, edificado num extenso período entre 1932 e 1958, em São Pedro da Cova (Gondomar), como a resposta à epidemia de tuberculose, apresenta-se como um caso singular na arquitetura hospitalar portuguesa, sendo a sua relevância desvalorizada na historiografia. O presente estudo tem como objetivo geral compreender a evolução estilística do arquiteto portuense Júlio José de Brito no contexto do Sanatório, esclarecendo as transformações ao longo das sucessivas fases de projeto e construção. Para isso, utilizou-se uma metodologia que combinou a pesquisa documental e bibliográfica em arquivos municipais e arquivos históricos com um levantamento arquitetónico rigoroso do sanatório feito in situ. Este levantamento contou com medições precisas, varrimento LiDAR e registo fotográfico do estado atual, permitindo realizar uma reconstituição tridimensional a partir de fotografias de época e colmatar o vácuo deixado pela falta de desenhos originais. Complementarmente, foi realizada uma análise comparativa com obras-chaves de Júlio de Brito com o intuito de identificar continuidades e dissonâncias estilísticas entre Mont'Alto e o restante do portefólio do arquiteto. Os resultados confirmam que o Sanatório de Mont'Alto, ao longo do processo construtivo, foi sucessivamente influenciado pelo Art Déco (na fase inicial dos anos 1930, marcada por volumes geométricos arredondados e pela ausência de ornamentação), pelo estilo Português Suave (na retomada das obras no pós-guerra, evidente em elementos de inspiração tradicionalista, tais como as capelas concluídas em 1955) e pelo Movimento Moderno (nos acréscimos do final da década de 1950, de caráter funcional, modular e desprovido de decorativismo). Este percurso trilateral estilístico reflete a versatilidade de Júlio de Brito em alternar entre diferentes linguagens arquitetónicas, adaptando-se às circunstâncias da época, sem renunciar a uma certa coerência autoral, e transforma o conjunto de Mont'Alto em um testemunho da convergência entre tradição e modernidade na arquitetura portuguesa do século XX. Conclui-se que o sanatório reúne, num único projeto, a transição gradual entre correntes diferenciadas no período do Estado Novo, demonstrando que a modernização arquitetónica conviveu com o revivalismo nacionalista na obra do Brito. Em termos de implicações, o estudo contribui para a historiografia da arquitetura portuguesa por meio do registo, documentação e da interpretação deste caso pouco estudado, fornece uma base para possíveis futuras investigações no último sanatório de tuberculose do país, Mont'Alto.
