Percorrer por autor "Barbosa, Diana Marisa Soares"
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- A avaliação do estado nutricional, do desperdício alimentar e do nível de insegurança alimentar de indivíduos a receber apoio pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (PO APMC)Publication . Barbosa, Diana Marisa Soares; Guerra, RitaIntrodução: Atualmente as desigualdades sociais têm sido apontadas como uma das principais causas da insegurança alimentar (IA), que por sua vez, apresenta repercussões consideráveis ao nível do estado nutricional e da saúde das populações. O Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (PO APMC) visa o fornecimento de alimentos a fim de promover a sua segurança alimentar. Objetivo: Avaliar as características sociodemográficas, relativas ao estilo de vida, à perceção do estado de saúde, ao desperdício alimentar e ao estado nutricional, associadas com o nível de IA, do representante dos agregados familiares a receber apoio alimentar pelo PO APMC no concelho de Gondomar. População e Métodos: O estudo apresentado é relativo à primeira avaliação de um estudo longitudinal em curso. Os dados foram recolhidos entre Janeiro e Março de 2018 e incluem: dados sociodemográficos, do estilo de vida, auto-perceção do estado de saúde, indicadores antropométricos (peso, estatura, perímetro da cintura), força preensora da mão e questões relacionadas com o desperdício alimentar. Avaliou-se o nível de IA (segurança alimentar, IA leve, moderada ou grave) através da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Resultados: A amostra é constituída por 45 participantes (35 mulheres), com idades entre os 23 e os 72 anos e com média de idades igual a 49 (DP: 11) anos. Verificou-se que 41 (91,1%) participantes encontravam-se em situação de IA, distribuídos pelos diferentes níveis leve, moderada e grave (33,0%, 22,0%, 36,0%). De entre os indivíduos que apresentam IA, seja leve, moderada ou grave, uma maior proporção, 66,7%, encontra-se na categoria “desempregado”. A maior proporção de indivíduos desempregados, 28,9% encontra-se no nível “IA grave” (p=0,046). Uma maior proporção de indivíduos que reportam a ocorrência de desperdício alimentar, 70,0%, encontra-se no nível “IA moderada” (p=0,005). São os indivíduos deste nível que desperdiçam maior número de alimentos, mediana [distância interquartil (DIQ)] = 1 (1), p≤0,015. Uma maior proporção de indivíduos nos níveis “segurança alimentar”, “IA moderada” e “IA grave” apresentam risco muito aumentado de ter complicações cardiovasculares e metabólicas, 40,0%; uma maior proporção de indivíduos que se encontram no nível “IA leve”, apresentam risco aumentado de ter complicações cardiovasculares e metabólicas, 66,7% (p=0,038). As mulheres que se encontram no nível de “IA grave” apresentam valores médios de força preensora da mão inferiores às mulheres das outras categorias de IA: 15,1 (DIQ: 9,7) kgf versus ≥20,3 (DIQ: 3,3) kgf (p=0,004). Conclusão: Verificou-se que uma elevada proporção dos beneficiários do PO APMC em Gondomar vivia em situação de IA, a maioria no nível grave. Verificou-se ainda que a situação de desemprego se associa a IA, assim como o desperdício alimentar. Para além disso, a maior proporção de indivíduos incluídos no estudo apresentava risco aumentado e muito aumentado de doenças cardiovasculares e metabólicas e as mulheres da categoria IA grave apresentavam menor força preensora da mão, o que poderá estar associada a pior estado funcional e nutricional.
