Percorrer por autor "Almeida, Ana Catarina Cardoso de"
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- A cooperação internacional portuguesa no sector da saúde: da fragmentação ao holismoPublication . Almeida, Ana Catarina Cardoso de; Seixas, Paulo CastroNa última avaliação realizada pelo CAD-OCDE à cooperação internacional portuguesa, em 2010, a palavra que mais ressalta pela sua recorrente utilização para a caracterizar é fragmentada. A aplicação desta adjectivação à cooperação que o país realiza no sector da saúde, coloca no mesmo contexto dois cenários conceptualmente opostos: a prestação de uma ajuda fragmentada num sector cujo foco é holístico e multideterminado, a saúde. Perante esta constatação, o fracasso a que estarão devotados os ODM, a somar à ausência de estudos académicos ou outras publicações que permitam caracterizar a cooperação internacional portuguesa no sector, para nortear o seu direccionamento estratégico rumo a caminhos que ofereçam melhores garantias de qualidade, eficácia e eficiência no futuro, desenvolveu-se a investigação relatada. Através dela, pretende-se proporcionar uma visão geral, do tipo aproximativo, da cooperação internacional portuguesa (pública e privada) no sector da saúde, explorandoa e descrevendo-a enquanto sistema - diagnóstico estratégico - para assim se descobrir qual o lugar ocupado pelas abordagens holísticas neste contexto, caracterizando-se o actual cenário de “fragmentação” e o cenário desejável ou normativo, o “holístico”. Para dar resposta a estes objectivos realizou-se um estudo descritivo-exploratório, transversal, qualitativo, com uma amostra por casos típicos constituída por 18 pessoas. Os dados foram recolhidos maioritariamente através de entrevista semi-estruturada e o seu tratamento realizado através da análise de conteúdo, processando-se a construção do conhecimento de modo indutivo e sistemático. O diagnóstico estratégico realizado permite constatar uma forte incidência de ameaças associadas a uma forte concentração de pontos fracos, situação indicativa, da necessidade de sobrevivência deste sector da cooperação. No cenário actual as causas que explicam a fragmentação concentram-se, essencialmente, a nível institucional ou intermédio e as falhas ao nível da relação macro-institucional. No cenário desejável, foi considerado como ideal para a concretização da cooperação no sector da saúde, a existência de uma estratégia geral de base holística que embase todas as intervenções a realizar no sector e que conduza, em termos de acção, à construção de sistemas de cuidados de saúde em pirâmide nos países parceiros. Da aplicação deste paradigma holístico às intervenções de cooperação, considerado pela maioria operacionalizável e importante ou fundamental, resultam, como mais-valias para o sector, maior impacto e sustentabilidade para as intervenções e rentabilização de recursos. Contudo, na forma como o país coopera, uma série de situações constituem uma dificuldade para a sua aplicação efectiva à prática, concentrando-se a sua maioria nos níveis de relação e institucional/intermédio. As decisões estratégicas a tomar para chegar do seu cenário actual fragmentado, ao seu cenário desejado, holístico, encontram-se concentradas em maior número a nível intermédio/institucional.
