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Transnacionalização do crime organizado: a expansão das facções criminosas brasileiras e suas conexões com máfias europeias

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O presente estudo analisa o fenômeno da transnacionalização do crime organizado, com ênfase na expansão das facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), para territórios europeus. A investigação parte de uma abordagem criminológica que articula as dimensões territorial, econômica e organizacional do crime, buscando compreender como essas estruturas se consolidam e se projetam para além dos seus contextos de origem. A análise demonstra que o crime organizado contemporâneo não se limita à prática de atividades ilícitas, mas se estrutura como sistema de governança criminal, capaz de regular comportamentos, organizar mercados e exercer controle social em territórios específicos. A partir da ocupação territorial e da exploração de economias ilícitas, essas organizações desenvolvem mecanismos próprios de regulação, dando origem a formas de microssoberania que coexistem e, em determinados contextos, disputam o exercício da autoridade com o Estado. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas com profissionais da área de segurança pública. Os resultados evidenciam que a expansão das facções brasileiras para o cenário internacional não constitui um fenômeno isolado, mas o desdobramento dessas dinâmicas estruturais. A atuação em áreas de fronteira, o controle de rotas logísticas e a formação de alianças com organizações criminosas estrangeiras revelam a crescente inserção dessas facções em redes transnacionais do crime organizado.
This study analyzes the phenomenon of transnational organized crime, with a focus on the expansion of Brazilian criminal factions, such as the Primeiro Comando da Capital (PCC) and the Comando Vermelho (CV), into European territories. The research adopts a criminological approach that articulates territorial, economic, and organizational dimensions of crime, aiming to understand how these structures consolidate and extend beyond their original contexts. The analysis demonstrates that contemporary organized crime cannot be understood merely as the practice of illicit activities, but rather as a system of criminal governance, capable of regulating behavior, organizing illicit markets, and exerting social control within specific territories. Through territorial occupation and the exploitation of illicit economies, these organizations develop their own regulatory mechanisms, giving rise to forms of micro-sovereignty that coexist with, and in some cases challenge, state authority. Methodologically, the study employs a qualitative approach based on semi-structured interviews with public security professionals. The findings indicate that the international expansion of Brazilian factions is not an isolated phenomenon, but rather the result of these underlying structural dynamics. Their presence in border regions, control over logistical routes, and alliances with foreign criminal organizations reveal their increasing integration into transnational criminal networks.

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Palavras-chave

Transnacionalização Crime organizado Governança criminal Microssoberania Facções criminosas Tráfico internacional de drogas Transnationalization Organized crime Criminal governance Micro-sovereignty Criminal factions International drug trafficking

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