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- Crenças legitimadoras da violência nas relações de intimidade: o impacto das variáveis sociodemográficas e dinâmicas relacionaisPublication . Santos, Cláudio Cavalcanti Simões dos; Fernandes, ÂngelaA violência conjugal e entre parceiros íntimos constitui um grave problema para a saúde pública e sociedade. Contudo, os estudos dentro desta temática são maioritariamente dedicados à análise dos comportamentos violentos (presença ou ausência), pondo de parte as crenças que os legitimam e perpetuam, deixando para segundo plano a própria génese deste fenómeno e criando desta forma ambiguidades conceptuais. O presente estudo procurou ligar o comportamento violento e as crenças, analisando o impacto das variáveis sociodemográficas e as próprias [dinámicas] relacionais na adesão a crenças legitimadoras da violência conjugal. O presente estudo é quantitativo, não-experimental, transversal e correlacional. A amostra, não probabilística e recolhida por conveniência foi constituída por 351 participantes, dos quais 76,4% eram do sexo feminino. A amostra é maioritariamente constituída por jovens e com formação superior. O presente protocolo de investigação incluiu um questionário sociodemográfico e relacional, a Escala de Crenças sobre a Violência Conjugal (ECVC) e para a avaliação da violência por parceiro íntimo, utilizou-se a versão portuguesa da Revised Conflict Tactics Scales (CTS2), adaptada por Paiva e Figueiredo (2002). A análise de dados recorreu a modelos de regressão linear múltipla e à Análise de Variância. Os resultados demonstram que o perfil sociodemográfico atua como o principal preditor das crenças. O sexo (feminino) e o avançar da idade revelam-se fatores protetores e em contrapartida, o estado civil (divorciado/separado) demonstrou ser o principal preditor positivo, estando presente transversalmente em todos os resultados obtidos, sugerindo que estes indivíduos têm maior tendência a deter crenças que legitimem o uso de violência nas relações. Por outras palavras, estes resultados sugerem que ser do sexo feminino e ser mais velho estão inversamente associados à legitimação da violência, e ser divorciado/separado associa-se a uma maior justificação do abuso nas relações de intimidade. Por outro lado, as variáveis inerentes à dinâmica relacional (duração, coabitação e componente sexual), ao contrário do que foi encontrado na literatura, não apresentam um impacto estatisticamente significativo nas crenças legitimadoras. Através dos resultados obtidos pela análise do item complementar integrado no instrumento relativo à iniciação da violência física, a experiência prévia de vitimização ou perpetração de agressões não cria diferenças estatisticamente significativas no que diz respeito às crenças que legitimam a violência. Conclui-se desta forma que as crenças que justificam este fenómeno não são facilmente alteradas pelo contexto ou vivência relacional, estando profundamente enraizadas num macrossistema sociocultural mais amplo. Face a estes resultados, destaca-se a necessidade de intervenções focadas a nível institucional, junto de jovens e respostas clínicas especializadas no acompanhamento psicoterapêutico de indivíduos em processo de rutura conjugal.
