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- Conhecimento, atitude e práticas de profissionais de saúde em relação à utilização de substâncias psicadélicas em PortugalPublication . Silva, Maria Antónia Ramires Teixeira da; Alves, Sónia; Ribeiro, Ana BotelhoNas últimas décadas, o aumento da evidência científica relativa à eficácia das substâncias psicadélicas no tratamento de diversas condições clínicas e na promoção da saúde física e mental têm contribuído para o crescente interesse por parte da população em geral. Neste contexto, é expectável que os profissionais de saúde sejam cada vez mais solicitados para prestar aconselhamento sobre a utilização destas substâncias para fins terapêuticos e recreativos, o que implica que estejam devidamente preparados para informarem, recomendarem ou referenciarem, quando apropriado, para profissionais e/ou serviços especializados. Neste sentido, o presente estudo teve como principal objetivo descrever o conhecimento, a atitude e as práticas dos profissionais de saúde em relação à utilização de substâncias psicadélicas na prática clínica em Portugal, assim como compreender de que forma estas três varáveis (conhecimento, atitude e práticas) estão associadas. Para este fim, foi realizado um estudo exploratório, transversal, de natureza quantitativa, com recurso a um questionário online desenvolvido para o efeito - Conhecimento, Atitude e Práticas (CAP) -, administrado a profissionais de saúde em exercício da sua prática clínica em Portugal. A colheita de dados decorreu entre outubro de 2024 e maio de 2025 e a análise estatística dos dados foi realizada com o recurso ao software IBM-SPSS29.0. Responderam ao questionário 34 profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, psicólogos, psicoterapeutas - maioritariamente do género feminino (79.4%; n = 27), com uma média de idades de 44.59 (DP = 11.88), residentes maioritariamente na região Norte do país (97.1%; n = 33). Apesar dos participantes reportarem níveis reduzidos de conhecimento sobre a investigação atual e a aplicabilidade clínica das substâncias psicadélicas, evidenciaram um nível de conhecimento considerado moderado no que respeita às aplicações clínicas destas substâncias, sendo este menos evidente em relação aos seus potenciais benefícios e riscos. No que diz respeito à atitude, os profissionais de saúde apresentaram posicionamentos moderados e cautelosos em relação à segurança, legalização e potencial terapêutico. Relativamente às práticas, os participantes revelaram apresentar práticas atuais e uma preparação igualmente moderadas, não consolidadas, em relação ao aconselhamento, à referenciação de pacientes e à atualização profissional na área. Verificou-se que profissionais com níveis mais elevados de conhecimento tendem a apresentar atitudes mais favoráveis relativamente à utilização terapêutica, segurança e legalização destas substâncias. Contudo, não se observaram associações significativas entre o conhecimento e as práticas, nem entre as atitudes e as práticas, sendo consideradas variáveis independentes. O presente estudo revela a urgência de se proceder à divulgação científica sobre a utilização das substâncias psicadélicas em contextos clínicos e não clínicos e a necessidade de desenvolvimento futuro de programas de formação e treino dirigidos aos profissionais de saúde em Portugal, de modo a que se encontrem mais (e melhor) preparados para informar, discutir, orientar, recomendar e referenciar os seus pacientes para profissionais e serviços de saúde especializados.
