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- Variantes moleculares de CYP2D6, OPRM1, COMT E CYP2C9: revisão integrativa das implicações farmacogenómicas na medicina dentáriaPublication . Colucci, Luigi; Fernandes, Ruben; Pereira, Ana Cláudia dos SantosA farmacogenómica representa uma vertente fundamental da medicina personalizada, com crescente relevância na Medicina Dentária. Ao estudar como as variantes genéticas influenciam a resposta aos fármacos, esta abordagem permite adaptar tratamentos às características individuais de cada paciente. Em Medicina Dentária, analgésicos e anti inflamatórios são amplamente utilizados, mas a variabilidade na resposta clínica evidencia a necessidade de estratégias terapêuticas mais precisas. Genes como CYP2D6, CYP2C9, OPRM1 e COMT têm sido implicados na metabolização de opioides e AINEs, na perceção da dor e na eficácia terapêutica. Esta revisão integrativa teve como objetivo reunir e analisar criticamente a evidência científica existente sobre a associação entre polimorfismos nestes genes e a resposta a fármacos em contexto odontológico. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science, abrangendo os últimos 20 anos. Foram incluídos estudos clínicos em humanos (ensaios clínicos, observacionais e relatos de caso), publicados em português, inglês, espanhol ou italiano. Excluíram-se revisões sistemáticas, estudos in vitro e modelos animais. Além dos dados em contexto odontológico, integraram-se estudos contextuais relevantes que abordam os mesmos genes e fármacos noutras condições clínicas. Os resultados indicam que variantes genéticas nos genes analisados estão associadas a diferenças clinicamente relevantes na eficácia, segurança e metabolização de fármacos como tramadol, codeína, ibuprofeno e propranolol. A evidência mais robusta refere-se aos genes CYP2D6 e CYP2C9, com implicações diretas na prática clínica. Apesar do seu potencial, a implementação da farmacogenómica em Medicina Dentária permanece limitada, sendo essencial desenvolver diretrizes específicas e investir em formação dos profissionais.
- A doença periodontal na gravidez como fator de risco de parto prematuro: revisão narrativaPublication . Zerbib, Eden Sarah; Cerqueira, Fátima; Araujo, PauloIntrodução: A doença periodontal (DP) é uma inflamação crónica multifatorial da cavidade oral, podendo ter implicações sistémicas. Na gravidez, alterações hormonais e imunológicas tornam os tecidos periodontais mais suscetíveis à inflamação, levando à hipótese de que a periodontite possa contribuir para problemas como parto prematuro (PP) ou baixo peso à nascença. Este estudo tem como objetivo analisar a evidência científica disponível sobre a associação entre a DP na gravidez e o risco de PP, explorando os mecanismos biológicos e a sua relevância clínica. Metodologia: Esta revisão narrativa baseou-se em artigos científicos obtidos nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e B On, publicados entre 2014 e 2024. Incluíram-se estudos observacionais, de coorte, ensaios clínicos randomizados e revisões que abordassem a relação entre a DP e o PP. As palavras-chave utilizadas foram “periodontal disease”, “periodontitis”, “pregnancy”, “preterm birth” e “preterm delivery”. Após triagem e exclusão de duplicados e artigos não relacionados, incluíram-se 59 na análise final. Resultados: A análise dos estudos indicou uma associação positiva entre a DP materna e o risco de PP e baixo peso neonatal. Dois mecanismos principais foram identificados: (1) via direta, com disseminação hematogénica de microrganismos periodontopatogénicos (ex: Porphyromonas gingivalis; Fusobacterium nucleatum) para os tecidos placentários; (2) via indireta, mediada por citocinas pró-inflamatórias (IL-1β, IL-6, TNF-α) e prostaglandina E₂, que podem induzir rutura prematura das membranas e contrações uterinas precoces. Apesar disso, a eficácia do tratamento periodontal na gestação para prevenção de PP continua controversa dado que os ensaios clínicos demonstram não haver impacto positivo consistente nos resultados obstétricos. Conclusão: A evidência científica sugere que a DP pode ser um potencial fator de risco para o PP, embora não constitua o único determinante. A deteção e tratamento precoce das DP, bem como a integração de cuidados de saúde oral nos programas de acompanhamento pré-natal, podem contribuir para a redução de complicações gestacionais e para a promoção da saúde materno-fetal.
