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- Avaliações imobiliárias e a crise habitacional em PortugalPublication . Silva, Nuno Filipe Ávila Melo da; Neves, Ana; Pimentel, JoséO presente trabalho analisa o papel das avaliações imobiliárias no mercado português, particularmente no contexto da crise habitacional, procurando compreender a sua influência na formação de preços, no acesso à habitação e na justiça social. A investigação estrutura-se em vários capítulos: enquadramento teórico e conceptual, metodologia, análise crítica das práticas avaliativas, estudo de casos concretos, discussão regulatória e, por fim, sistematização de resultados e recomendações. Nas últimas décadas, o mercado imobiliário português sofreu transformações profundas, sobretudo após 2010, com o aumento do investimento estrangeiro, o turismo urbano e políticas como os “vistos gold” e o regime fiscal para residentes não habituais. Estes fatores aceleraram a valorização de imóveis em Lisboa, Porto e Algarve, contribuindo para o aumento dos preços. Em paralelo, a estagnação salarial e o encarecimento do custo de vida agravaram a inacessibilidade habitacional, caracterizada por diversos organismos como uma verdadeira crise. Neste contexto, as avaliações imobiliárias assumem um papel central, já que são utilizadas para determinar o valor de mercado dos imóveis e sustentam decisões económicas, financeiras, fiscais, sociais e urbanísticas. No setor financeiro, servem de base para a concessão de crédito hipotecário, sendo determinantes para a estabilidade do sistema bancário. Avaliações imprecisas ou sobrevalorizadas podem fomentar especulação e bolhas, como se verificou na crise de 2008. Do ponto de vista social, as avaliações condicionam o acesso à habitação: quando refletem dinâmicas especulativas, contribuem para afastar residentes dos centros urbanos e agravar desigualdades. Ao mesmo tempo, são ferramentas indispensáveis para políticas públicas, desde programas de reabilitação urbana até ao arrendamento acessível. No plano técnico, permitem analisar o valor do solo e das construções em função da localização, acessibilidade e estado de conservação, sendo cruciais para o planeamento urbano e a gestão do território. Legal e fiscalmente, constituem a base para impostos como IMI e IMT, e são usadas em heranças, expropriações e litígios. A avaliação imobiliária é também um campo de crescente relevância académica e profissional, cruzando áreas como engenharia, economia, geografia, direito, estatística e ciência de dados. A incorporação de novas tecnologias – desde sistemas de informação geográfica até modelos estatísticos e inteligência artificial – abre caminho para maior automatização, precisão e transparência. Contudo, subsiste a necessidade de regulação mais clara, pois as avaliações não são processos neutros, estando sujeitas a pressões de mercado, políticas públicas e interesses financeiros. Assim, o objetivo central do trabalho é avaliar em que medida as práticas de avaliação contribuem para a crise habitacional em Portugal, identificando discrepâncias entre valores de avaliação e preços reais de transação, a influência de fatores externos (especulação, gentrificação, investimento estrangeiro) e possíveis formas de ajustamento metodológico e regulatório. Pretende-se propor recomendações que promovam maior equidade social, transparência nos processos e eficácia regulatória, aproximando os valores avaliados da realidade de uso dos imóveis e da capacidade das populações de aceder a habitação digna e sustentável.
- Inovação na gestão escolar: para uma educação mais personalizadaPublication . Lai, Mirna; Trigo, Miguel; Gaio, SofiaA presente dissertação investiga como modelos de gestão escolar inovadores podem ser implementados no ensino básico, conciliando práticas tradicionais com as exigências contemporâneas da personalização da educação. Em um contexto marcado pela ascensão da inteligência artificial generativa e por transformações sociais aceleradas, esta pesquisa investiga como a inovação na gestão escolar pode contribuir para uma educação mais personalizada, centrada nas necessidades dos alunos e nas demandas contemporâneas da escola. Para tanto, foi conduzido um estudo empírico de abordagem mista, com aplicação de questionários a docentes da educação básica e entrevistas semiestruturadas com gestores escolares de diferentes redes de ensino. A análise dos dados revela tensões, resistências e oportunidades no processo de transição entre modelos. Os resultados apontam que, embora os modelos tradicionais ofereçam estrutura e conformidade, são limitados na resposta a contextos de alta complexidade. As evidências empíricas sugerem que práticas inovadoras ainda ocorrem de forma pontual e carecem de uma articulação estratégica consistente no ambiente escolar. A personalização do ensino, o envolvimento dos stakeholders e a adoção responsável da IA surgem como caminhos estratégicos. Nesse sentido, propõe-se um modelo de gestão mais responsivo, colaborativo e alinhado aos desafios do século XXI. Ao integrar conceitos como ambidestria organizacional, Open Strategy, Jobs to Be Done e gestão centrada no cliente, a pesquisa propõe uma nova perspectiva para pensar a liderança escolar contemporânea.
