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- Trajetórias transgressivas e fragilidades em indivíduos adictos às drogas e em acompanhamentoPublication . Silva , João Tomás Moreira da; Nunes, Laura M.“É muito importante avaliar a vitimação de populações específicas como esta, devendo atender-se ao papel das drogas e integrando-se a componente da vitimação nos programas de atendimento” (Nunes & Sani, 2014). Esta afirmação sublinha a necessidade científica e social de compreender como consumo e vitimação se cruzam na vida de pessoas adictas. As trajetórias transgressivas de indivíduos adictos a substâncias psicoativas são uma realidade marcada por fragilidades acumuladas e por experiências recorrentes de vitimação. Este estudo procura perceber como estes percursos se formam e se sustentam, olhando para o consumo e para os contextos familiar, social e relacional que o antecedem e o prolongam. A investigação seguiu uma metodologia mista do tipo convergente-paralelo, combinando análise quantitativa e qualitativa de autorrelatos. A amostra incluiu 23 participantes, todos do sexo masculino, em acompanhamento institucional por consumo problemático de substâncias, com idades entre 28 e 66 anos (M = 49,87; DP = 10,60). O objetivo geral foi identificar fatores e características que possam ter favorecido o desenvolvimento de trajetórias transgressivas, bem como reconhecer elementos que surgem como consequência desses percursos. Foram também exploradas a sequência de eventos de vida, os pontos de convergência, divergência e inflexão, e a prevalência de situações de vitimação. Os resultados destacam o início precoce dos consumos, a vitimação intrafamiliar, o abandono escolar e a precariedade socioeconómica como fatores na formação das trajetórias. Entre as consequências, salientam-se o policonsumo, as recaídas frequentes, o desemprego, a exclusão social e o estigma persistente. A vitimação apareceu ao longo do curso de vida: primeiro no contexto familiar e, mais tarde, nas redes ligadas ao consumo, tornando-se um traço que marca estes percursos. Conclui-se que as trajetórias transgressivas não se explicam por escolhas individuais isoladas, mas por vulnerabilidades acumuladas que antecedem e acompanham a adicção. Este conhecimento oferece indicações para políticas de prevenção e reinserção e reforça a necessidade de respostas sociais ajustadas à complexidade das vidas em análise.
