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- Relação entre o comprometimento cognitivo e a memória autobiográfica na perturbação neurocognitiva majorPublication . Santos, Jéssica Pereira; Fernandes, CarinaO presente estudo teve como objetivo investigar a correlação entre o nível de funcionamento cognitivo de pacientes diagnosticados com Perturbação Neurocognitiva Major e a sua capacidade de Memória Autobiográfica. Recorreu-se ao método quantitativo, avaliando dimensões como a memória episódica, semântica e autobiográfica, bem como variáveis sociodemográficas como a idade e a escolaridade. A avaliação Neurocognitiva incluiu os seguintes instrumentos: 1) questionário sociodemográfico, que permitiu fazer a caracterização da amostra; 2) Montreal Cognitive Assessment Test (MOCA), que forneceu uma medida do funcionamento cognitivo geral; 3) Teste de Memória Autobiográfica de Williams, que foi utilizado para avaliar a Memória autobiográfica; 4) Escala de depressão geriátrica, que foi utilizada para quantificador sintomas de depressão nas pessoas idosas; 5) Inventário de ansiedade geriátrica, que foi utilizado para quantificador sintomas de ansiedade; 6) Auditory Verbal Learning Test, para avaliar a capacidade de aprender, reter e lembrar as informações apresentadas pela forma auditiva; 7) subteste de Informação da Escala de Inteligência de Wechsler (WAIS-III), para avaliar o conhecimento geral adquirido previamente e ainda a compreensão verbal. A amostra foi constituída por 36 idosos, com idades compreendidas entre os 54 e os 95 anos. Os resultados revelaram uma correlação significativa entre a memória autobiográfica e o funcionamento cognitivo, bem como com a memória episódica, nas tarefas de evocação imediata e diferida avaliadas pelo AVLT. No entanto, não foram observadas correlações estatisticamente significativas entre a memória autobiográfica e a memória semântica. Apesar das limitações, como o tamanho reduzido da amostra, os resultados obtidos contribuem para o desenvolvimento de estratégias de intervenção que visem minimizar os impactos negativos do declínio cognitivo na memória autobiográfica.
- Profilaxia pós-exposição de risco (PEP) em profissionais de saúdePublication . Oliveira, Paulo André Gonçalves; Castro, Ana Rita; Soares, SandraOs profissionais de saúde desempenham funções e serviços fundamentais para o bem-estar da comunidade, sendo estes a quem a população recorre em situações de doença ou diagnóstico. Todos os dias estes podem estar sujeitos a fatores de risco, sejam estes de ordem instrumental, física ou biológica. Foram entregues questionários a profissionais de saúde com o objetivo avaliar o conhecimento, perceção e preparação dos profissionais de saúde relativamente à profilaxia pós-exposição (PEP), no contexto ocupacional. A amostra foi composta por 103 profissionais, maioritariamente do sexo feminino, com idades entre os 35 e os 44 anos e formação superior, predominantemente do distrito de Braga. Verificou-se um elevado nível de familiaridade com a PEP (99%), sobretudo em situações de exposição a instrumentos perfurocortantes e sangue contaminado, embora se tenham identificado lacunas no reconhecimento de outras formas de exposição, como o contacto com fluidos corporais infetados. Apenas 9 participantes referiram ter utilizado a PEP, sendo os acidentes com agulhas a principal causa. A maioria iniciou o tratamento dentro das 72 horas recomendadas, embora alguns tenham enfrentado obstáculos institucionais. Apesar de todos terem completado o regime terapêutico, foram reportados efeitos adversos, o que aponta para ambiguidades na interpretação das dificuldades enfrentadas. Observou-se ainda confusão na identificação dos fármacos constituintes da PEP, sendo frequentemente mencionados medicamentos não incluídos no protocolo oficial. Conclui-se que, apesar de existir um conhecimento geral satisfatório sobre a PEP, persistem lacunas conceptuais e operacionais. Recomenda-se o reforço da formação contínua, a atualização de protocolos institucionais e a implementação de estratégias de sensibilização que promovam a adesão ao protocolo e garantam a proteção efetiva dos profissionais de saúde.
- The role of augmented reality in the operating microscope in endodontics: an investigationPublication . Dal Pont, Laura; Guimarães, DuarteThis study investigates the role of Augmented Reality (AR) integrated into the operating microscope in Endodontics, particularly in assisting inexperienced dental practitioners. The integration of advanced technologies, such as AR, into dental procedures has significantly improved precision, safety, and efficiency in recent years. This research aims to evaluate whether the application of AR could potentially eliminate the skill gap between experienced and unexperienced operators by providing real-time guidance and enhanced visualization of the operating field. Fifty participants without prior clinical training performed access cavities on artificial molar teeth under the guidance of a fifth year dental student, with the help of AR technology in the microscope. The system included a step-by-step video demonstration and real-time visual support through the AR interface. The fifth-year dental student also performed the access cavity of 5 molar teeth. The results were evaluated based on cavity continuity, size, and positioning, as well as the visibility of the root canals, by an expert endodontist. The findings revealed that, despite their lack of experience, the participants were able to perform procedures comparable to those of the experienced student. Statistical analysis confirmed that there was no significant difference between the scores of the two groups. Moreover, AR facilitated a clearer understanding of the procedure, significantly improving participants' performance and providing a hands-on learning experience. This study highlights the potential of AR to revolutionize dental education, making complex procedures more accessible and reducing the learning curve for new practitioners. Ultimately, the study demonstrates that AR can enhance dental training by improving the quality and efficiency of operations, offering a promising tool for the future of dental and medical education.
- Exossomas salivares como biomarcadores de diagnóstico de cancro oral: revisão de escopoPublication . Mediouni, David Jacob; Sequeira, Teresa; Silveira, AugustaO cancro oral continua a ser um importante problema de saúde pública a nível global, frequentemente diagnosticado em fases avançadas, o que compromete o prognóstico e a taxa de sobrevivência dos doentes. A identificação de biomarcadores não invasivos que permitam o diagnóstico precoce representa, por isso, uma prioridade na oncologia oral. A saliva, enquanto fluido de fácil recolha, tem emergido como uma matriz de eleição para a deteção de alterações moleculares associadas ao desenvolvimento tumoral. Entre os componentes salivares com maior potencial diagnóstico, destacam-se os exossomas, vesículas extracelulares envolvidas na comunicação intercelular, capazes de transportar micro RNAs, proteínas e outras moléculas bioativas com relevância biomarcadora. Esta revisão de escopo teve como objetivo mapear a evidência científica existente relativamente ao uso de exossomas salivares como marcadores no diagnóstico precoce do cancro oral. A metodologia seguiu as recomendações do Joanna Briggs Institute, com base na estrutura População, Conceito, Contexto. A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e B-On, abrangendo publicações entre 2015 e 2024, em inglês e português. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 12 estudos originais. Os resultados revelaram que os micro RNAs exossomais (nomeadamente miR-24-3p, miR-210, miR-1307-5p e miR-10b-5p), bem como determinadas proteínas associadas aos exossomas salivares, apresentam potencial para uso como biomarcadores não invasivos no diagnóstico precoce do carcinoma espinocelular oral. Apesar da diversidade metodológica observada, existe consistência na demonstração da utilidade dos exossomas enquanto ferramentas moleculares promissoras. Conclui-se que os exossomas salivares representam uma via inovadora e viável para o desenvolvimento de testes diagnósticos precoces em oncologia oral. No entanto, são necessários estudos adicionais, com maior robustez metodológica e validação clínica para consolidar a sua aplicação na prática clínica.
- O papel do médico dentista em doentes com doença periodontal e doença de Alzheimer: revisão integrativaPublication . Croci, Eugenia; Pina, Cristina; Coelho, Maria JoãoObjetivo: Através de uma revisão interativa atual, pretende-se realizar uma análise sobre o papel do médico dentista em pacientes com a doença periodontal e a doença de Alzheimer, realçando a sensibilização destes profissionais para a importância da saúde oral estimulando a criação de planos de tratamentos individualizados para melhorar a qualidade de vida destes pacientes. Metodologia: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, orientada pelo protocolo PRISMA, utilizando as seguintes bases de busca: PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Biblioteca do Conhecimento Online (BON) e Web of Science. Os critérios de inclusão foram artigos em inglês e português, referentes à doença periodontal, microbiota oral e doença de Alzheimer, escolhidos com base na relevância e disponibilidade do texto completo, publicados desde 2020 até 2025. Resultados: A análise de 19 artigos demonstrou uma correlação entre pacientes que apresentam a doença periodontal e uma rápida progressão do declínio cognitivo dos doentes de Alzheimer. A saúde oral dos doentes de Alzheimer demonstra um maior índice de placa bacteriana, hemorragia gengival, mais dentes ausentes e índices elevados de periodontite. Além disso, a presença de bactérias patogénicas orais como Porphyromonas gingivalis, Treponema denticola e Fusobacterium nucleatum foi encontrada nos cérebros de doentes de Alzheimer post-mortem, sugerindo uma possível ligação entre a microbiota oral e a presença da doença. Os estudos demonstram que o papel do médico dentista é muito importante nos tratamentos preventivos para a doença periodontal em doentes com declínio cognitivo ligeiro, bem como na estabilização do declínio cognitivo. Conclusão: Neste estudo, foi demonstrada uma forte correlação entre a doença de Alzheimer e a doença periodontal. De facto, a saúde oral dos pacientes pode desempenhar um papel modulador na progressão da doença de Alzheimer e a intervenção precoce dos médicos dentistas pode revelar-se útil na estabilização do declínio cognitivo destes pacientes. O médico dentista revela-se essencial na prevenção e na gestão integrada, contribuindo para uma visão global dos cuidados prestados a estes pacientes. Contudo, serão necessários mais estudos para investigar a relação causal entre as duas doenças e para avaliar a eficácia dos tratamentos individualizados.
- Recurso ao microscópio operatório em endodontia, o seu impacto na taxa de sucesso do tratamento: revisão integrativaPublication . Neto, Tânia Sofia Moreira; Cascão, MárciaA Endodontia tem evoluído significativamente com a incorporação de tecnologias de ampliação, destacando-se o Microscópio Operatório (MO) como um instrumento fundamental na melhoria dos resultados clínicos. Este trabalho tem como objetivo avaliar o impacto do recurso ao MO na taxa de sucesso do tratamento endodôntico cirúrgico e não cirúrgico, analisando as suas vantagens, limitações e a forma como contribui para uma prática clínica mais precisa. Foi realizada uma revisão da literatura científica atual, com base em estudos clínicos, revisões sistemáticas. Como critérios de inclusão utilizamos: Estudos clínicos comparativos e revisões sistemáticas cujo objetivo de estudo é uso de MO ou outros dispositivos de ampliação nos tratamentos endodônticos. Estudos publicados nos últimos 20 anos em inglês, português e espanhol. Critérios de exclusão: Estudos em animais, estudos laboratoriais in vitro, artigos de opinião, cartas ao editor e resumos de conferências sem texto completo. Serão incluídos estudos comparativos clínicos, revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios controlados randomizados, que comparem diretamente o uso de MO com tratamentos endodônticos convencionais sem microscopia. Iremos analisar trabalhos publicados no intervalo temporal 2004 e 2025. A seleção dos estudos seguirá o protocolo PRISMA. Os títulos e resumos serão inicialmente avaliados, seguindo-se a leitura completa dos artigos selecionados. Os dados serão recolhidos utilizando uma tabela padronizada, incluindo variáveis como número de pacientes, entre outros. A avaliação da qualidade dos estudos será feita através da ferramenta Cochrane para ensaios clínicos e o risco de viés será avaliado pela escala ROBINS-I para estudos não randomizados. Revisões sistemáticas serão avaliadas pela ferramenta AMSTAR 2. Os dados sugerem que a utilização do MO permite uma melhor visualização de detalhes anatómicos, deteção de canais acessórios, fraturas e outras alterações que, de outra forma, poderiam passar despercebidas, contribuindo para o aumento da taxa de sucesso do tratamento endodôntico. Apesar das suas vantagens, o uso deste equipamento requer formação adequada e implica desafios logísticos e económicos. Conclui-se que o MO representa um avanço significativo na endodontia contemporânea, sendo um aliado na obtenção de tratamentos mais previsíveis e eficazes.
- Incidências das agenesias nas más oclusões de classe I, II, III: revisão integrativaPublication . Achache, Léa Myriam; Queirós, Maria GabrielObjetivo: Esta revisão integrativa da literatura tem como principal objetivo analisar de forma aprofundada a relação entre a agenesia dentária não-sindrómica e o desenvolvimento das más oclusões, especialmente no que diz respeito às Classes I, II e III esquelética. Através da comparação entre diferentes estudos clínicos e cefalométricos, pretende-se compreender de que forma a presença, a localização e a severidade das agenesias influenciam o crescimento craniofacial e a discrepância maxilo-mandibular. Materiais e métodos: Foi realizada uma pesquisa em bases de dados eletrónicas, nomeadamente PubMed, ScienceDirect, B-On e Cochrane Library. Foram incluídos artigos publicados entre 2010 e 2024, com amostras de pacientes que apresentavam agenesia dentária não-sindrómica. Os estudos selecionados basearam-se em análises cefalométricas, exames radiográficos e avaliação clínica para a determinação da relação entre agenesia dentária e más oclusões. Resultados: Os estudos analisados revelaram que a agenesia de dentes permanentes, particularmente dos terceiros molares, pré-molares e incisivos laterais, pode estar associada a padrões esqueléticos alterados. Estudos demonstraram uma maior prevalência de Classe III esquelética em indivíduos com ausência de terceiros molares, geralmente associada a um menor ângulo SNA e um padrão hipodivergente. As agenesias dos pré-molares mostraram resultados heterogéneos, alguns estudos apontam uma associação significativa com a Classe III, enquanto que outros não identificaram correlações claras com nenhum tipo específico de má oclusão. A divergência pode ser explicada pelos diferentes critérios de avaliação (Classe de Angle vs Classe esquelética). A literatura indica que a ausência dos incisivos laterais, especialmente superiores, pode alterar a morfologia das arcadas e influenciar o crescimento maxilar, contribuindo tanto para padrões de Classe II como de Classe III. Estudos demonstraram uma correlação linear entre o número de dentes ausentes e a gravidade das alterações esqueléticas. Quanto maior o número de agenesias, maior a tendência para padrões hipodivergentes e Classe III. A ausência de dentes compromete o desenvolvimento do osso alveolar e modifica significativamente os ângulos cefalométricos como SNA, SNB e ANB. Conclusão: A agenesia dentária, sobretudo quando severa, pode influenciar significativamente o desenvolvimento das más oclusões esqueléticas, nomeadamente nos padrões Classe III. No entanto, esta relação não é linear nem universal, sendo modulada por fatores como o tipo de dente ausente, a sua localização, o sexo, a etnia e os mecanismos compensatórios do paciente. Assim, reforça-se a importância de uma avaliação ortodôntica precoce, individualizada e multidisciplinar, que considere não só o número de agenesias, mas também a análise cefalométrica e o padrão de crescimento facial de cada paciente.
- The significance of the hyoid bone in orthodontics: an in-depth analysis – scoping reviewPublication . Franchis, Stefano de; Urzal, VandaThe position of the hyoid bone has gained increasing relevance in orthodontic literature due to its anatomical and functional role in craniofacial balance. This unique structure, suspended by muscles and ligaments without direct skeletal articulation, interacts with the mandible, tongue, cervical spine, and soft palate, directly influencing functions such as swallowing, breathing, and posture. The aim of this thesis is to conduct a scoping review on the relationship between hyoid bone position and dental malocclusions, with particular focus on Angle’s skeletal classes (Class I, II, and III), as well as vertical discrepancies such as open bite and deep bite. Nine studies published between 2010 and 2025 were included, employing imaging techniques like lateral cephalograms and cone-beam computed tomography, and evaluating parameters such as H-SN, H-C3, and H-MP. The results show consistent patterns between the type of malocclusion and the spatial positioning of the hyoid bone. Class II skeletal often present a posteriorly and inferiorly displaced hyoid, while Class III skeletal show anterior positioning. In open bite cases, variations in hyoid bone positioning were observed. While some studies reported a more anterior and lower position, others found a posterior and inferior displacement, suggesting methodological differences and the influence of individual skeletal and functional factors. Moreover, both orthopedic/orthodontic and surgical treatments, such as functional appliances or orthognathic surgery, were found to significantly influence hyoid bone positioning. These findings highlight the dynamic nature of the hyoid and its adaptability to craniofacial skeletal changes. It is concluded that assessing the hyoid bone position may provide valuable clinical insights in orthodontics, especially in growing patients or complex cases. Including this structure in cephalometric evaluation, may lead to more comprehensive diagnoses and more effective treatment strategies.
- Probióticos e cárie dentária: revisão integrativa de ensaios e estudos clínicosPublication . Freitas, Clara Alexia Sandrine; Silva, Cláudia Sofia; Santos, Pedro TeixeiraObjetivo: Esta revisão integrativa teve como objetivo avaliar os efeitos da ingestão de probióticos orais nos parâmetros associados à cárie dentária em crianças. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica seguindo as diretrizes PRISMA, com foco na pergunta PICO: “Qual é o impacto da ingestão de probióticos por crianças nos parâmetros relacionados com as cáries dentárias?”. Foram incluídos 21 estudos clínicos com grupo controlo, publicados nos últimos 10 anos, entre 2014 e 2025, e selecionados nas bases de dados PubMed e LILACS. Os critérios de inclusão centraram-se em estudos realizados em crianças, que avaliaram indicadores como a concentração de Streptococcus mutans, o pH salivar, a composição do biofilme oral ou a evolução de lesões cariosas. Resultados: A análise dos estudos revelou que a maioria das estirpes probióticas utilizadas, especialmente Lactobacillus paracasei, Lactobacillus rhamnosus e Bifidobacterium, demonstrou uma redução significativa da carga de Streptococcus-mutans na cavidade oral. Alguns estudos reportaram uma regressão de lesões cariosas iniciais, bem como uma diminuição da incidência de novas lesões ao longo do tempo. Adicionalmente, observou-se uma modulação positiva da microbiota oral, com aumento da proporção de bactérias benéficas como Streptococcus oralis e Gemella, e diminuição de espécies patogénicas. Em várias intervenções, registou-se uma melhoria nos parâmetros salivares, como o aumento do pH e da capacidade tampão, sobretudo em tratamentos de duração superior a 4 semanas. Alguns estudos também relataram o impacto dos probióticos na resposta imunitária local, nomeadamente através do aumento de péptidos antimicrobianos salivares (HNP1-3). Os formatos de administração variaram entre leite, pastilhas, gotas e cápsulas, sendo o leite o veículo mais utilizado. A maioria dos estudos foi realizada em crianças com alto risco de cárie ou com cárie precoce da infância. Apesar dos resultados positivos, constatou-se uma grande heterogeneidade metodológica entre os estudos, com diferenças quanto à estirpe utilizada, duração da intervenção, frequência de administração e critérios de avaliação. Conclusão: Os probióticos orais demonstraram um potencial benéfico significativo na prevenção e controlo das cáries dentárias em crianças, atuando sobre múltiplos fatores: redução de microrganismos cariogénicos, melhoria da microbiota oral, regulação do pH salivar e reforço da imunidade local. No entanto, para confirmar e padronizar a sua aplicação clínica, são necessários estudos complementares, com amostras maiores, intervenções mais prolongadas e protocolos uniformizados.
- Saúde oral e doença neurodegenerativa: qual a relação? Revisão sistemáticaPublication . Cholet, Maeva; Assunção, AméliaA saúde oral é cada vez mais reconhecida como um fator importante na saúde geral, particularmente em relação ao declínio cognitivo e às doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer. Esta revisão sistemática tem como objetivo explorar a relação entre a periodontite crónica, a infeção pelo vírus Herpes Simplex tipo 1 (HSV-1) e o risco de desenvolver doença cognitiva em pessoas com 65 anos ou mais. Para tal, foram selecionados oito estudos clínicos obtidos a partir das bases de dados PubMed e ScienceDirect, cumprindo critérios de inclusão e exclusão. Os resultados relatados nesses estudos sugerem que a inflamação crónica ligada à saúde oral, bem como as infecções virais persistentes, podem contribuir para a deterioração cognitiva. Por outro lado, certas intervenções, como o tratamento da periodontite ou a utilização de fármacos antivirais, poderão ter um efeito protetor contra a progressão destas patologias. Estas observações abrem caminho para novas investigações e realçam a importância de um tratamento abrangente que combine a saúde oral e a neurologia.
