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- Contaminação bacteriana em indumentária de uso hospitalar: revisão sistemáticaPublication . Carvalho, Pedro Tomás Maia; Magalhães, RicardoA indumentária hospitalar tem sido identificada como um potencial vetor de transmissão de microrganismos patogénicos, incluindo estirpes multirresistentes associadas a infeções nosocomiais. Esta dissertação teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática, a carga bacteriana presente em batas brancas e fardas hospitalares, identificar os principais microrganismos envolvidos e avaliar os fatores associados à contaminação, com ênfase na resistência antimicrobiana, frequência de lavagem e características do vestuário. Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2024 nas bases PubMed, Scopus e Google Scholar. Aplicaram-se critérios rigorosos de inclusão e exclusão, resultando em 9 estudos analisados. A maioria das investigações incide sobre batas brancas, embora algumas incluam fardas hospitalares. As amostras foram recolhidas de locais específicos das peças, como bolsos, mangas e zonas abdominais. Os microrganismos mais frequentemente isolados foram Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Escherichia coli, Staphylococcus coagulase negativo e Enterococcus spp.. Algumas estirpes apresentaram resistência a antibióticos, destacando-se a presença de MRSA, MRCONS e VRE. A contaminação bacteriana foi mais prevalente em bolsos (49,8%) e mangas (42,8%). Profissionais de saúde do sexo masculino, bem como trabalhadores alocados em departamentos cirúrgicos, apresentaram maiores taxas de contaminação. Fatores como contacto com feridas, ventiladores e doentes com diarreia demonstraram associação positiva com a presença de carga microbiana. Relativamente à lavagem, os resultados foram inconclusivos quanto à frequência, mas apontaram superior eficácia do processamento industrial face à lavagem doméstica. A revisão revelou ainda diferenças nos padrões de contaminação entre batas brancas e fardas hospitalares, com predomínio de Gram-negativas nas últimas, embora as Gram-positivas apresentassem maior frequência relativa. A ausência de padronização metodológica entre os estudos, aliada à limitação de meios de cultura utilizados, dificultou a comparação de resultados. A variabilidade geográfica das amostras analisadas refletiu ainda a disparidade de recursos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Foram propostas várias estratégias de mitigação, como o uso de aventais reutilizáveis, substituição diária das fardas hospitalares, melhoria dos protocolos de lavagem, escolha de tecidos com menor afinidade bacteriana e incorporação de revestimentos antimicrobianos. Sublinha-se a importância de diretrizes institucionais claras, formação contínua e auditorias regulares para reduzir o risco de infeções associadas aos cuidados de saúde. Esta dissertação confirma que a indumentária hospitalar, embora frequentemente negligenciada, constitui um reservatório relevante de agentes patogénicos. A sua adequada gestão representa uma oportunidade concreta para a prevenção de infeções e proteção da saúde pública no contexto hospitalar.
