Percorrer por autor "Youcef, Ines Fatna Kheira"
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- Os efeitos dos hábitos orais não nutritivos no crescimento orofacial das crianças: estudo transversalPublication . Youcef, Ines Fatna Kheira; Pinho, Mónica MoradoO desenvolvimento e o crescimento orofacial são processos complexos influenciados por múltiplos fatores, incluindo determinantes genéticos, ambientais e funcionais. Entre estes últimos, os hábitos orais não-nutritivos, como a sucção do polegar, a sucção labial, o uso prolongado de chupeta, ocupam um lugar central devido às suas potenciais implicações na morfologia craniofacial, no equilíbrio muscular e na oclusão dentomaxilar. Embora esses comportamentos sejam fisiológicos e frequentes em crianças pequenas, se persistirem além da idade recomendada, podem levar a alterações estruturais importantes no complexo orofacial. Alguns estudos demonstraram que a persistência de hábitos orais não-nutritivos estava associada a alterações oclusais significativas. O impacto desses hábitos no crescimento orofacial não se limita apenas ao alinhamento dentário podendo, também, perturbar o equilíbrio muscular da face, influenciar o posicionamento da língua, o tónus muscular perioral e até a postura mandibular. Um interesse crescente numa relação entre o aleitamento materno, os hábitos orais não nutritivos e o desenvolvimento oclusal têm-se verificado, tendo sido sugerido que o aleitamento materno prolongado desempenha um papel protetor contra certas anomalias oclusais, promovendo o crescimento harmonioso da maxila e prevenindo pressões anormais exercidas por dispositivos artificiais como as chupetas. Tendo em conta estes fatores, é essencial sensibilizar os pais e os profissionais de saúde para as potenciais consequências dos hábitos orais não nutritivos. O tratamento precoce, incluindo estratégias preventivas e educação terapêutica adequada, pode limitar a necessidade de tratamento ortodôntico extensivo na adolescência. A compreensão dos mecanismossubjacentes a estas alterações orofaciais continua a ser um grande desafio na ortodontia pediátrica e na medicina dentária preventiva. Objetivo principal: Avaliar o impacto dos hábitos orais não nutritivos no crescimento orofacial das crianças. Os objetivos secundários incluem: Identificar os riscos de má oclusão associados a estes hábitos. Examinar os desvios nos planos sagital, transversal e vertical. Nesta investigação, tentaremos responder à seguinte questão principal: existe uma relação significativa entre os hábitos orais não nutritivos e a prevalência de más oclusões? E ainda identificar os fatores (idade, sexo, duração do aleitamento materno, duração e intensidade dos hábitos) que influenciam o desenvolvimento de anomalias orofaciais. Para responder a estas questões, foi realizado um estudo transversal num grupo de crianças que frequentam a Clínica Pedagógica da UFP, utilizando critérios de inclusão e exclusão para selecionar uma amostra representativa de crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos, com dentição mista ou permanente e que teve ou tiveram hábitos orais não nutritivos. Os dados recolhidos foram analisados estatisticamente para identificar associações entre hábitos orais e anomalias oclusais. Os dados obtidos neste estudo permitiram confirmar a existência de uma associação significativa entre os hábitos orais não nutritivos e o desenvolvimento de más oclusões, especialmente nos planos sagital e transversal. A presença de fatores como a duração, a intensidade e o início precoce dos hábitos mostrouse determinante na gravidade das alterações observadas. Além disso, o aleitamento materno exclusivo revelou um papel protetor importante. Esses achados reforçam a importância da prevenção e da intervenção precoce na prática clínica, visando um desenvolvimento orofacial mais equilibrado e saudável nas crianças.
