Percorrer por autor "Vespa, Edoardo"
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- Relação entre síndrome de Ménière e desordens temporomandibulares: a propósito de um caso clínicoPublication . Vespa, Edoardo; Lameiro, JoanaA Doença de Menière (DM) é uma síndrome clínica caracterizada por episódios de vertigem espontânea, geralmente associada à perda auditiva flutuante unilateral neurossensorial (SNHL), zumbidos e sensação de ouvido cheio. A síndrome está associada à acumulação de endolinfa no ducto coclear do ouvido interno e nos órgãos vestibulares, um fenómeno de causa ainda desconhecida que, por si só, não é suficiente para explicar todas as características clínicas da doença, como a progressão da perda auditiva ou a frequência dos episódios de vertigem. Por outro lado, as disfunções da articulação temporomandibular (DTM) são um grupo de condições musculoesqueléticas relacionadas com a articulação temporomandibular (ATM) e o complexo músculo- ligamentar circundante. A etiologia é multifatorial e pode ter várias causas: anomalias de oclusão dentária, parafunções mastigatórias, condições degenerativas ou inflamatórias da ATM, lesões traumáticas, tratamentos ortodônticos inadequados, desconforto psicológico, entre outras. Os sintomas clínicos relacionados com DTM são dor e/ou ruído localizados na ATM ou irradiados para a mandíbula e para os músculos da cabeça e pescoço. Outros sintomas muitas vezes presentes são dor de cabeça e sintomas otológicos, como sensação de ouvido cheio, otalgia, perda auditiva, zumbidos e vertigem, que são parcialmente sobreponíveis aos sintomas da doença de Menière. Como as DTM e a génese desses sintomas estão interligadas é uma questão que permanece incerta, no entanto parece existir uma ligação sólida entre a DTM e a DM. Ao tratar clinicamente a DTM nos pacientes, observa-se por vezes, também a resolução parcial ou até mesmo completa dos sintomas da doença de Menière. Com este caso clínico pretendeu-se observar o impacto que o tratamento da DTM pode ter num doente diagnosticado e em tratamento da doença de Ménière. O objetivo específico é verificar se, através da utilização de uma goteira oclusal, os sintomas persistentes sobrepostos a ambas as patologias melhoram, pioram ou permanecem inalterados, e se este tratamento adicional pode representar uma opção segura e conservadora para os doentes com doença de Ménière refratários às terapêuticas tradicionais. Perante um paciente, de entre os pacientes das clínicas pedagógicas de medicina dentária da Universidade Fernando Pessoa, diagnosticado com doença de Ménière em tratamento e DTM nunca diagnosticada, iniciou-se o tratamento da DTM com goteira oclusal de uso noturno. A sintomatologia do paciente foi avaliada através de questionários DC/TMD e otológicos antes de iniciar a terapia, após 1 mês e após 3 meses de tratamento. Para além da descrição do caso clínico, a comparação com a literatura forneceu suporte científico à discussão sobre o impacto da terapêutica utilizada. Após 4 meses de acompanhamento, observou-se que a terapia com placa oclusal pode ser uma opção favorável para reduzir os sintomas auditivos da doença de Ménière e da disfunção temporomandibular comórbida, embora um único caso clínico não possa ser um contributo suficiente para a discussão global do tema.
