Percorrer por autor "Soares, Lyvia Castro Chalfun de Matos"
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- Sentido na vida e felicidade: um estudo sobre o papel da parentalidadePublication . Soares, Lyvia Castro Chalfun de Matos; Fonte, CarlaIntrodução: O sentido na vida e a felicidade são eixos estruturantes da experiência subjetiva de florescimento humano, conforme proposto pelo modelo PERMA de Seligman (2012). A parentalidade constitui uma das experiências mais significativas e potencialmente estruturantes da identidade pessoal, podendo modular a vivência do sentido na vida e da felicidade ao longo do ciclo vital. Neste contexto, a presente investigação teve como objetivo principal comparar os níveis de sentido na vida e felicidade entre adultos com e sem filhos, considerando também o papel de variáveis sociodemográficas como idade, sexo, estado civil, habilitações literárias e número de filhos. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, correlacional e transversal, com delineamento não experimental. A amostra foi constituída por 467 adultos, dos quais 204 eram pais e 263 não pais, com idades entre 18 e 86 anos (M = 38,88; DP = 13,98). Os instrumentos utilizados foram o Questionário do Sentido de Vida (QSV) e o Inventário de Psicoterapia Positiva (IPP), além de um questionário sociodemográfico. Resultados: Os pais apresentaram níveis significativamente mais elevados de presença de sentido e de vida comprometida, bem como níveis mais baixos de procura de sentido. Verificaram-se correlações positivas entre presença de sentido e as dimensões vida significativa e vida agradável no grupo dos pais, e entre presença de sentido e todas as dimensões avaliadas de felicidade no grupo dos não pais. No grupo parental, a procura de sentido apresentou correlações negativas com as dimensões de felicidade, enquanto entre os não pais não se verificaram associações estatisticamente significativas. A idade correlacionou-se positivamente com a presença de sentido e negativamente com a procura de sentido entre os pais, padrão não observado no grupo dos não pais. As mães relataram níveis significativamente mais elevados de vida comprometida do que os pais, e o número de filhos associou-se positivamente à presença de sentido e à dedicação existencial. Discussão: Os resultados sugerem que a parentalidade se associa a uma experiência mais integrada e estruturada de sentido na vida e de felicidade eudaimónica, sustentada no compromisso com metas relacionais, propósito de vida e realização pessoal. Em contrapartida, os adultos sem filhos demonstraram maior ambição e tendência à procura ativa de sentido, indicando uma construção existencial mais dinâmica, possivelmente centrada em objetivos pessoais e desenvolvimento individual. As variáveis sociodemográficas analisadas revelaram efeitos diferenciados sobre os níveis de sentido e de felicidade, com efeito particularmente expressivo entre os pais. Conclusão: O presente estudo reforça a compreensão da parentalidade como uma via relevante para a construção de sentido na vida e de felicidade eudaimónica. A presença de sentido mostrou-se central na vivência de felicidade subjetiva, tanto em adultos com filhos como sem filhos, sublinhando a importância de fomentar experiências existenciais com valor pessoal e vínculos afetivos duradouros ao longo da vida adulta.
