Percorrer por autor "Silva, Pedro Filipe Ramos da"
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- Resíduos de medicamentos nos RSU: riscos e consequênciasPublication . Silva, Pedro Filipe Ramos da; Dinis, Maria Alzira PimentaO crescimento populacional, associado ao aumento do nível de vida e às mudanças dos padrões de consumo, tem vindo a contribuir nas últimas décadas para um aumento da produção de resíduos sólidos urbanos (RSU). Estes resíduos, subprodutos de diversas atividades, têm estado no centro das atenções das entidades gestoras de resíduos urbanos Nacionais e Europeias, muito devido aos seus impactes ambientais. Com o objetivo de minimizar os efeitos da produção e da rejeição dos RSU, têm sido incentivadas várias medidas, como sejam a reutilização, a reciclagem, a valorização energética e orgânica, como alternativas ao destino final destes materiais em aterros. No entanto, mesmo após a construção das infraestruturas necessárias para a aplicação de políticas direcionadas para a redução e aproveitamento dos RSU, torna-se inevitável a implementação de um sistema de deposição final e economicamente viável como os aterros sanitários, devido à grande quantidade produzida, principalmente nos meios urbanos de grande dimensão. Em Portugal, estes aterros substituíram as antigas lixeiras a céu aberto por serem uma alternativa ambientalmente mais segura e com menos consequências negativas para a saúde pública. Os RSU podem ter a sua origem em diferentes áreas, nas quais se destacam, devido à sua persistência no ambiente, os resíduos de medicamentos (RM). O aumento do consumo de produtos farmacêuticos é uma realidade nas sociedades desenvolvidas, e está intimamente relacionado com a crescente contaminação do meio ambiente por estes compostos e seus derivados. A lista de fármacos detetados no meio ambiente é extensa e de acordo com vários estudos a nível mundial, a contaminação é generalizada. Os fármacos são capazes de estabelecer interações fortes com o solo e com os sedimentos, facto que está associado à sua persistência ambiental. Para além deste fator, os fármacos são compostos orgânicos bioativos, providos de atividade farmacológica que podem sofrer bioacumulação ao longo da cadeia alimentar, podendo causar efeitos nefastos à saúde humana. A Sociedade Gestora de Resíduos de Embalagens e Medicamentos (VALORMED), entidade gestora do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens e Medicamentos (SIGREM), assegura em Portugal a recolha seletiva, a retoma, a reciclagem e a valorização de embalagens e RM, tendo em conta a sua especificidade dentro dos resíduos urbanos. As farmácias aderentes ao SIGREM têm por sua vez a responsabilidade de informar e sensibilizar o público e ao mesmo tempo garantir a receção de embalagens e medicamentos em desuso. Na execução deste trabalho, analisaram-se alguns estudos sobre comportamentos e atitudes na deposição e/ou eliminação de RM da população em vários países, com ênfase especial para a situação em Portugal. O objetivo consistiu em perceber quais os principais motivos que levam as pessoas a gerar estes resíduos, bem como qual é o seu comportamento na gestão destes e a sua sensibilidade perante os impactes ambientais que estes resíduos possam causar. Os resultados obtidos para o caso específico de Portugal permitiram concluir que a maioria dos seus amostrados entrega os medicamentos sem uso nas farmácias, uma vez que esta ação é considerada a mais adequada para garantir a preservação do meio ambiente e da saúde pública. Em contrapartida, é opinião geral de que se verifica escassez de informação útil e de campanhas de sensibilização para promover a conduta mais correta por parte da população portuguesa. Uma evidência disso encontra-se no facto de ainda existirem muitas pessoas que depositam os RM no lixo comum, sem associarem o risco que a eliminação destes resíduos em locais impróprios transporta para o ambiente e para a saúde pública. Os estudos analisados, ao permitirem um melhor conhecimento sobre comportamentos e atitudes da população, contribuem também para a delineação de estratégias futuras na gestão dos RM.
