Percorrer por autor "Pereira, Ricardo Rentes Rodrigues"
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- Os meninos de Heliópolis e Região: o ser e fazer de adolescentes em conflito com a lei e a sintomática criminalPublication . Pereira, Ricardo Rentes Rodrigues; Jólluskin, GloriaA presente pesquisa teve como principal objetivo compreender a visão dos adolescentes em conflito com a lei perante o fenômeno da criminalidade e levantar as ideias desses jovens acerca dos porquês de ingresso na vida do crime e quais suas perspectivas de futuro vinculadas a prática infracional. O cenário escolhido foi a Comunidade de Heliópolis, uma das maiores da América Latina, localizadas na região sudeste da cidade de São Paulo. Como referencial teórico utilizamos autores clássicos e pesquisadores contemporâneos, bem como realidades empíricas perante o Ser e Fazer dos jovens envolvidos com a prática infracional. O público alvo específico foram 70 adolescentes, do sexo masculino, entre 12 e 19 anos, pertencentes a comunidade local e em acompanhamento de medida socioeducativa em meio aberto, libertada assistida (LA) e/ou em prestação de serviços a comunidade (PSC). O método escolhido foi a pesquisa qualiquantitativa, pesquisa de campo em pesquisa-ação. Como procedimentos de coleta de dados, foram utilizados o Desenho Estória com Tema e o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os resultados em relação a pesquisa-ação nos apontou que a comunidade de Heliópolis possui potencial interventivo vinculado a sua construção protetiva e histórica, porém necessita de uma equipe que receba cuidados e apoio dentro do escopo de trabalho para o desenvolvimento de fatores protetivos aos jovens e suas famílias. A insalubridade e a solidão vividas por essas equipes demonstraram por vezes um abandono cíclico e continuo, muitas vezes próximas, ao do público alvo ao qual foram designadas para cuidar, potencializador da prática da violência. Após as intervenções realizadas, a relação dos jovens e das respectivas famílias com a medida socioeducativa mudou tanto qualitativamente como quantitativamente, seja em relação a qualidade do vínculo, seja pela quantidade de jovens e familiares que passaram a frequentar o serviço, buscando auxilio, atendimento, acolhimento, respaldo e companhia. Contudo o trabalho mostrou também que não basta uma mudança na comunidade local ou dentro do serviço de medida, mas sim que se faz necessária a mudança efetiva dentro dos poderes da rede de apoio, social e jurídica. Quanto ao significado do fenômeno do Crime para esses jovens, os resultados apontaram o Crime na como um fenômeno multifatorial, condicionados a desigualdade social, necessidade financeira, busca de senso de pertencimento, formação de identidade, direito ao consumo, condições de sobrevivência, revolta e sentimento de injustiça, firmamento dos papéis sociais de poder e reconhecimento, busca de si mesmo como manifestação de algo perdido e ainda o crime como uma forma de comunicação e expressão social, seja ela simbólica ou concreta. Com relação as perspectivas dos jovens acerca do futuro dentro do universo infracional, encontramos uma visão de destino idealizado, uma pseudo-facilidade de rompimento da prática infracional, uma vida heróica, aspectos onipotentes. Outros jovens apresentaram um desejo de rompimento da prática infracional depositando em figuras externas, como a figura materna e equipe de acompanhamento da medida, uma esperança de apoio e um reconhecimento da necessidade de ajuda. Por outro lado, alguns jovens apontaram poucas expectativas de futuro, reforçando a permanência no mundo do crime como consequência de ausências de oportunidades. O futuro foi visto pela maioria como representante de uma vida curta, real, intensa, conflituosa e em busca de sentido, mesmo que para isso o caminho fosse trágico, com sofrimento, prisão e morte. Dessa forma parte dos jovens denotaram que estariam dispostos a viverem tais riscos, se esses fossem necessários, como condição para se sentirem vivos e reais, mesmo que por pouco tempo, mesmo que mediante a possibilidade de sofrerem, de serem presos ou de morrerem.
