Percorrer por autor "Freitas, Clara Alexia Sandrine"
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- Probióticos e cárie dentária: revisão integrativa de ensaios e estudos clínicosPublication . Freitas, Clara Alexia Sandrine; Silva, Cláudia Sofia; Santos, Pedro TeixeiraObjetivo: Esta revisão integrativa teve como objetivo avaliar os efeitos da ingestão de probióticos orais nos parâmetros associados à cárie dentária em crianças. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica seguindo as diretrizes PRISMA, com foco na pergunta PICO: “Qual é o impacto da ingestão de probióticos por crianças nos parâmetros relacionados com as cáries dentárias?”. Foram incluídos 21 estudos clínicos com grupo controlo, publicados nos últimos 10 anos, entre 2014 e 2025, e selecionados nas bases de dados PubMed e LILACS. Os critérios de inclusão centraram-se em estudos realizados em crianças, que avaliaram indicadores como a concentração de Streptococcus mutans, o pH salivar, a composição do biofilme oral ou a evolução de lesões cariosas. Resultados: A análise dos estudos revelou que a maioria das estirpes probióticas utilizadas, especialmente Lactobacillus paracasei, Lactobacillus rhamnosus e Bifidobacterium, demonstrou uma redução significativa da carga de Streptococcus-mutans na cavidade oral. Alguns estudos reportaram uma regressão de lesões cariosas iniciais, bem como uma diminuição da incidência de novas lesões ao longo do tempo. Adicionalmente, observou-se uma modulação positiva da microbiota oral, com aumento da proporção de bactérias benéficas como Streptococcus oralis e Gemella, e diminuição de espécies patogénicas. Em várias intervenções, registou-se uma melhoria nos parâmetros salivares, como o aumento do pH e da capacidade tampão, sobretudo em tratamentos de duração superior a 4 semanas. Alguns estudos também relataram o impacto dos probióticos na resposta imunitária local, nomeadamente através do aumento de péptidos antimicrobianos salivares (HNP1-3). Os formatos de administração variaram entre leite, pastilhas, gotas e cápsulas, sendo o leite o veículo mais utilizado. A maioria dos estudos foi realizada em crianças com alto risco de cárie ou com cárie precoce da infância. Apesar dos resultados positivos, constatou-se uma grande heterogeneidade metodológica entre os estudos, com diferenças quanto à estirpe utilizada, duração da intervenção, frequência de administração e critérios de avaliação. Conclusão: Os probióticos orais demonstraram um potencial benéfico significativo na prevenção e controlo das cáries dentárias em crianças, atuando sobre múltiplos fatores: redução de microrganismos cariogénicos, melhoria da microbiota oral, regulação do pH salivar e reforço da imunidade local. No entanto, para confirmar e padronizar a sua aplicação clínica, são necessários estudos complementares, com amostras maiores, intervenções mais prolongadas e protocolos uniformizados.
