Percorrer por autor "Festa, Eva Figueiredo Fernandes"
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- Evolução do uso de benzodiazepínicos em Portugal: uma análise de 2013 a 2025Publication . Festa, Eva Figueiredo Fernandes; Moutinho, Carla; Carvalho, MárciaA saúde mental constitui atualmente um dos principais desafios de saúde pública, assumindo particular relevância em Portugal, que apresenta uma das mais elevadas prevalências de perturbações psiquiátricas na Europa. Entre estas, as perturbações de ansiedade destacam-se pela sua elevada frequência e impacto na qualidade de vida, estando frequentemente associadas à utilização de benzodiazepinas. Neste contexto, a monitorização dos padrões de utilização destes medicamentos é essencial para apoiar estratégias de prescrição racional e políticas de saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar as tendências de consumo de benzodiazepinas em Portugal entre 2013 e 2025, com base em dados de dispensa em farmácia comunitária. Foi realizado um estudo observacional, ecológico e retrospetivo da utilização de benzodiazepinas ansiolíticas, sedativas/hipnóticas e antiepiléticas, recorrendo à base de dados da Health Market Research® (HMR), que abrange aproximadamente 2400 farmácias comunitárias em Portugal. O consumo foi estimado através da metodologia da Dose Diária Definida (DDD), sendo expresso em DDD por 1000 habitantes por dia (DHD), de acordo com a classificação “Anatómica, Terapêutica e Química” (ATC) da Organização Mundial da Saúde. A análise incluiu a estratificação por subclasse farmacoterapêutica, duração de ação e tipo de medicamento (genérico ou de marca). Observou-se uma diminuição global de aproximadamente 22% no consumo de benzodiazepinas ao longo do período em estudo. As benzodiazepinas ansiolíticas representaram a subclasse mais dispensada (cerca de 92% do total) ao longo de todo o período em análise, com valores de consumo substancialmente superiores aos das benzodiazepinas hipnóticas/sedativas (cerca de 7% do total) e das benzodiazepinas utilizadas como antiepiléticas (cerca de 1% do total). Em 2025, as cinco substâncias mais consumidas foram o alprazolam (DHD 27,0), lorazepam (DHD 22,7), o diazepam (DHD 10,6), o loflazepato de etilo (DHD 9,0) e o bromazepam (DHD 3,2). Todas apresentaram uma redução do consumo ao longo do período analisado, particularmente o diazepam (-29,3%) e o alprazolam (-23,4%). Em contraste com a tendência global observada, o consumo de clonazepam aumentou 158,3% entre 2013 e 2025, constituindo a principal exceção ao padrão de redução verificado nas restantes subclasses de benzodiazepinas. Os resultados evidenciam uma tendência global de redução no consumo de benzodiazepinas em Portugal, mantendo-se, contudo, o predomínio das benzodiazepinas ansiolíticas face às restantes subclasses, refletindo a elevada carga das perturbações de ansiedade na população portuguesa. Apesar da redução observada, o consumo de benzodiazepinas mantém-se expressivo, evidenciando a necessidade de políticas sustentadas de promoção da saúde mental, de educação terapêutica e de estratégias que promovam a utilização adequada e segura destes medicamentos.
