Percorrer por autor "Ferreira, Miguel Costa"
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- Impacto no contexto nacional das diretrizes internacionais na gestão e políticas de saúde pública oral: scoping reviewPublication . Ferreira, Miguel Costa; Taveira-Gomes, Tiago; Bulhosa, José FriasIntrodução: A saúde oral é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como parte integrante da saúde geral e do bem-estar, mas continua marcada por desigualdades no acesso a cuidados. Nos últimos anos, várias diretrizes internacionais, incluindo a Estratégia Global da OMS em Saúde Oral 2023–2030, a Vision 2030 da Federação Dentária Internacional (FDI) e relatórios da União Europeia/OCDE, enfatizaram a necessidade de integrar a saúde oral nos sistemas universais de saúde. Em Portugal, apesar da existência de programas como o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO) e o Cheque-Dentista, subsistem lacunas de cobertura e proteção financeira. Neste contexto, torna-se relevante mapear de que forma as orientações internacionais têm influenciado a formulação de políticas nacionais de saúde oral. Objetivos: O objetivo desta scoping review foi mapear, sintetizar e analisar criticamente a evidência disponível sobre o impacto das diretrizes internacionais de saúde oral (OMS, FDI e União Europeia/OCDE) na gestão e formulação de políticas públicas em Portugal, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), identificando avanços, desafios e lacunas na sua integração. Métodos: A revisão foi conduzida de acordo com a metodologia do Joanna Briggs Institute (JBI) e com as recomendações do PRISMA-ScR, utilizando o modelo PCC: População - políticas e programas de saúde oral no SNS português; Conceito - diretrizes internacionais em saúde oral; Contexto - políticas públicas nacionais. Foram pesquisadas as bases PubMed/MEDLINE, SciELO, CINAHL e Web of Science, complementadas por literatura cinzenta e pesquisa manual (2000–2025). Após triagem e leitura integral, foram incluídos 30 documentos, entre artigos científicos, estudos observacionais, relatórios institucionais, declarações e estratégias internacionais. Resultados: A análise identificou cinco eixos centrais: (i) impacto de programas nacionais (PNPSO, Cheque-Dentista), que demonstraram melhorias nos indicadores infantis mas cobertura limitada em adultos e idosos; (ii) desigualdades de acesso, com elevado peso de pagamentos diretos e necessidades não satisfeitas acima da média da UE; (iii) fragilidades na monitorização estatística e ausência de indicadores harmonizados; (iv) posição intermédia de Portugal em comparação internacional, mais próximo dos padrões do sul europeu do que dos modelos universalistas nórdicos; e (v) alinhamento formal com metas internacionais, embora a implementação prática se mantenha parcial e fragmentada. Conclusão: Esta scoping review mostra que Portugal tem traduzido parcialmente as recomendações internacionais em políticas públicas de saúde oral, alcançando progressos em saúde infantil, mas mantendo desafios significativos de equidade, financiamento e integração nos cuidados primários. As principais lacunas identificadas incluem a escassez de evidência científica independente, a cobertura insuficiente de adultos e idosos, a fraca diversificação da força de trabalho e a ausência de mecanismos robustos de avaliação de impacto. Perspetivas futuras apontam para a necessidade de expandir a cobertura estatutária a grupos atualmente excluídos, reforçar estratégias preventivas universais, harmonizar indicadores com a OMS/UE, diversificar a força de trabalho e institucionalizar avaliações baseadas em evidência. Estes avanços são essenciais para que Portugal alinhe plenamente a sua política de saúde oral com os princípios da Cobertura Universal em Saúde e reduza desigualdades persistentes no acesso a cuidados.
