Percorrer por autor "Dias, Sofia Miranda"
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- As perturbações da alimentação e da ingestão: fatores de risco e a sua interação com as características clínicas e psicológicas numa amostra de estudantes universitáriosPublication . Dias, Sofia Miranda; Matos, MartaSegundo a nosologia da psiquiatria americana no Manual DSM-5, as Perturbações da Alimentação e da Ingestão (PAI) são, nos dias de hoje, consideradas uma das disfunções psicológicas mais prejudiciais à saúde humana considerando o sofrimento prolongado que provocam, bem como, as elevadas taxas de mortalidade apresentadas (Mitchell & Crow, 2006). Possuem uma etiologia multifatorial, constituída por predisposições genéticas, socioculturais, biológicas e psicológicas que contribuem para o seu aparecimento e desenvolvimento (Morgan & Negrão, 2022). Ademais, segundo o DSM-5, tanto a Anorexia Nervosa (AN) como a Bulimia Nervosa (BN) têm início tipicamente na adolescência e/ou início da vida adulta (American Psychological Association, 2013), o que nos confirma que as PAI são uma problemática importante a ter em conta quando se fala nestes períodos do desenvolvimento, No que concerne ao início da sua manifestação clínica, os estudantes universitários são a população mais afetada dado à influência de fatores externos como o stress, bem como, o facto de se situarem na faixa etária privilegiada para o surgimento da maioria das perturbações mentais (Fitzsimmons-Craft, Balantekin, Eichen, Graham, Monterubio, Sadeh-Sharvit, Goel, Flatt, Saffran, Karam, Firebaugh, Trockel, Taylor & Wilfley, 2019). Entre os fatores predisponentes, relativamente aos quadros das PAI, destacam-se a história familiar de sintomatologias do mesmo tipo, padrões de interação no núcleo familiar e social, contexto e ideais socioculturais. Na esfera da personalidade, traços como baixa auto-estima aliada a uma distorção da imagem corporal, traços perfecionistas e ascéticos, impulsividade e instabilidade afetiva que, se manifesta em pensamentos/emoções desadaptativas. Além disso, a restrição alimentar e o uso de substâncias e métodos compensatórios revelam a sua importância como acontecimentos antecedentes à instalação de uma PAI (Morgan et al., 2022). Após uma abordagem abrangente dos traços psicológicos das PAI, torna-se necessário investigar uma perspetiva diferencial entre os diversos quadros destas perturbações e respetivas manifestações. Neste sentido, uma melhor compreensão das diferentes manifestações destas perturbações e um melhor desenvolvimento de intervenções no campo mencionado demonstra ser uma questão fundamental para a saúde pública (Galmiche, Déchelotte, Lambert & Tavolacci, 2019; Cororve, Fingeret, Warren, Cepeda-Benito & Gleaves, 2006). O presente estudo tem como objetivo principal contribuir para a caracterização dos fatores de risco (FR) associados ao desenvolvimento de uma PAI, abrangendo as respetivas características clínicas e psicológicas destes quadros sintomatológicos. Desta forma, conta com uma amostra de 38 participantes, ingressados no ensino superior, em que 55,3% são do género feminino e 44,7% do género masculino, com uma média de idades de 19,21 (DP= 0,811). Os resultados indicam que os FR individuais foram mais prevalentes na amostra estudada, enquanto que, os FR socioculturais foram os menos relevantes. Ainda, constatou-se que, os FR Autoestima e o FR Apoio Social revelam uma correlação negativa face a possibilidade de estarmos perante uma PAI, sugerindo assim, uma possível função protetora. Por fim, foi possível averiguar que todos os FR associados ao desenvolvimento de uma PAI, se encontram relacionados com pelo menos 2 características clínicas e psicológicas descritas, em indivíduos com os quadros psicopatológicos estudados, à exceção do FR Autoestima. Esta informação sugere que, este FR poderá apresentar um contributo associado a uma função protetora face à instalação das condições abordadas.
