Percorrer por autor "Conduto, Anastasiya Samsonova"
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- Segurança dos géis anestésicos tópicos na saúde oral infantil: trabalho de investigaçãoPublication . Conduto, Anastasiya Samsonova; Macho, VivianaIntrodução: A erupção dentária é um processo natural, mas pode provocar desconforto considerável nas crianças, levando os pais a procurarem estratégias para aliviar os sintomas. Entre estas estratégias, os géis anestésicos tópicos destacam-se pelo uso frequente na prática clínica e em contexto domiciliário. Contudo, a utilização inadequada destes produtos pode representar riscos, como reações adversas locais e efeitos sistémicos graves. Assim, compreender o conhecimento e as práticas dos profissionais de saúde em relação a estes géis é fundamental para promover uma utilização segura e baseada em evidência científica. Objetivos: O presente estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento, as práticas clínicas e as perceções de pediatras, médicos dentistas e médicos de família relativamente ao uso de géis anestésicos tópicos em crianças, com especial enfoque na sua segurança, eficácia e impacto na saúde oral infantil. Metodologia: Foi conduzido um estudo descritivo, observacional e transversal, aprovado pela Comissão de Ética da Universidade Fernando Pessoa (FCS/MMED–692/25, 10/02/2025). A recolha de dados foi realizada através da aplicação de um questionário a profissionais de saúde em contextos públicos e privados. Resultados: A amostra foi constituída por 102 participantes, sendo a maioria médicos dentistas (95,1%), predominantemente a exercer em clínicas privadas (76,2%). Mais de metade (52,9%) afirmou conhecer e utilizar géis anestésicos tópicos, sendo a lidocaína o agente mais referido (48,9%), seguida da benzocaína (31,7%) e da prilocaína (18,3%). Contudo, 20,6% dos inquiridos desconheciam os potenciais efeitos adversos destes produtos. Entre os efeitos mais citados destacaram-se as reações alérgicas (32,5%), a irritação local (23,6%) e a toxicidade sistémica (17%). Relativamente às práticas clínicas, 71,6% dos participantes afirmaram recomendar a utilização dos géis em situações específicas, embora apenas 14,7% os indicassem para uso domiciliário durante a erupção dentária, geralmente com restrição etária. A análise estatística revelou associações significativas: maior experiência profissional esteve relacionada com maior conhecimento técnico (p=0,036); os profissionais com mais conhecimento identificaram com maior frequência os efeitos adversos como motivo para não recomendar o uso (p=0,007) e foram também os que mais alertaram os pais para os riscos (p<0,001). Verificou-se ainda associação entre a recomendação para uso domiciliário e a existência de restrição etária (p<0,001), bem como entre essa recomendação e a prática de alertar os pais (p=0,008). Não se observaram correlações significativas entre o tempo de experiência e a frequência de recomendação (p=0,615). Conclusão: Persistem lacunas no conhecimento técnico e na comunicação com os pais sobre o uso destes géis, bem como preocupações quanto ao papel dos farmacêuticos na sua indicação. Os resultados reforçam a necessidade de desenvolver protocolos clínicos, promover formação contínua e implementar campanhas de sensibilização, visando assegurar uma utilização segura e baseada em evidência destes produtos na pediatria.
