Browsing by Author "Mwolo, Martha Peter"
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- Girls as minorities: norms, social processes and practices and their impact on girls' sexual health in TanzaniaPublication . Mwolo, Martha Peter; Cardoso, João CasqueiraA vulnerabilidade dos raparigas às ameaças à sua saúde sexual é um assunto que não tem recebido a devida atenção até à data. O presente estudo foi estabelecido para investigar os processos sociais e práticas influenciando os comportamentos sexuais de risco, gravidezes indesejadas e transmissão de VIH junto das raparigas na Tanzânia. O estudo começou com extensa revisão da literatura científica para mapear a sexualidade adolescente e a saúde. O objetivo foi analisar os factores subjacentes aos comportamentos sexuais de risco, gravidezes indesejadas e transmissão de VIH junto das raparigas, e especificamente para identificar os significados sociais sobre género e sexualidade adolescente relevantes na sociedade mais ampla e avaliar as implicações na saúde das raparigas. A segunda parte é constituída por um estudo empírico, que foi realizado, principalmente em Dar-es-Salaam, com quatro organizações não governamentais. Clara tendências surgiram a partir do presente estudo para indicar que os comportamentos sexuais de risco, gravidezes indesejadas e transmissão de VIH junto das raparigas são intimamente relacionados com formas involuntárias ou parcialmente involuntárias de reprodução das relações de poder, significados sociais, códigos morais, com o estigma e o silêncio associados à sexualidade das raparigas e à sua saúde sexual no seio de instituições-chave, neste caso normas jurídicas (incluindo políticas) e as organizações não governamentais. Consequentemente, os comportamentos sexuais de meninas são ocultados, à medida em que se envolvem em relações sexuais discretas. Elas não podem usar os instrumentos disponíveis, as informações sobre a saúde sexual e os serviços oferecidos, por medo de deixar conhecer o facto de serem sexualmente activas. Embora possam ter já uma experiência da vida, ter na sua posse e/ou negociar o uso do preservativo é susceptível de prejudicar a sua respeitabilidade perante parceiros sexuais masculinos. Elas podem igualmente ser punidas pelos pais, tutores e professores, algo que não é necessariamente aplicável aos rapazes. O preservativo e uso do preservativo estão intimamente associados, para as raparigas, com a falta de confiança, com a infidelidade e com a promiscuidade. O estudo conclui que as normas jurídicas (incluindo políticas) e as organizações não governamentais não devem reforçar os significados sociais associados com a identidade de género e a sexualidade adolescente, ou outros elementos que colocam em risco a saúde das raparigas. Todos os esforços para proteger os direitos das raparigas relacionados com a saúde através de normas jurídicas e de políticas, incluindo a prevenção de comportamentos de risco sexual, gravidezes indesejadas e transmissão de VIH, tem que ter simultaneamente uma dimensão individual e uma dimensão coletiva.