Percorrer por autor "Moussa, Yanis Karim"
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- Relação entre a doença periodontal e as doenças oculares: revisão integrativaPublication . Moussa, Yanis Karim; Rua, RuiIntrodução: A inflamação periodontal crónica e o microbioma compartilham vários elementos significativos com muitas condições sistémicas, incluindo mediadores pró inflamatórios, metabólitos bacterianos e predisposição genética. A correlação entre doenças oculares e saúde oral está sendo reavaliada nos últimos anos por meio de evidências limitadas. Várias pesquisas têm pretendido esclarecer o envolvimento de agentes patogénicos orais no início e prognóstico de diversas doenças oculares. Objetivo: Esta revisão integrativa teve como objetivo explorar e sintetizar as evidências científicas existentes sobre a relação entre a doença periodontal e diversas patologias oculares crónicas, como a retinopatia diabética, a degenerescência macular relacionada com a idade, o glaucoma, a catarata, a uveíte e a esclerite. Metodologia: A análise baseou se em estudos observacionais, coortes e revisões experimentais, com foco em mecanismos fisiopatológicos comuns, manifestações clínicas e implicações terapêuticas. Os dados foram organizados segundo capítulos temáticos que abordam a associação entre a doença periodontal e várias doenças oculares inflamatórias. Resultados: Verificou-se que a inflamação crónica decorrente da periodontite — mediada por citocinas como IL-6 e TNF-α, bem como lipopolissacarídeos bacterianos — pode atravessar a barreira vascular e afetar estruturas oculares distantes como a retina, o epitélio pigmentar e a câmara anterior. Estudos apontam que a presença de agentes patogénicos orais como Porphyromonas gingivalis nos tecidos oculares pode contribuir para alterações inflamatórias locais. Pacientes com doença periodontal apresentaram risco aumentado de desenvolver retinopatia diabética, degenerescência macular relacionada com a idade, glaucoma e catarata, independentemente de outros fatores de risco. Além disso, casos clínicos apontam uma melhora de quadros como esclerite e uveíte após tratamento periodontal, sugerindo um possível papel terapêutico da saúde oral na modulação de doenças oculares. Discussão: Apesar da consistência das associações descritas, a maioria das evidências disponíveis ainda é de natureza observacional, o que limita a inferência de causalidade. Ainda assim, os dados convergentes indicam a importância de incluir a avaliação periodontal nos protocolos de rastreio oftalmológico, principalmente em populações de risco como idosos e diabéticos. O tratamento da doença periodontal poderia ter um impacto positivo na progressão de algumas condições oculares, embora ensaios clínicos prospetivos sejam necessários para confirmar essa hipótese. Conclusão: A saúde periodontal deve ser encarada como um componente essencial da saúde sistémica e visual. A sua preservação representa uma via promissora para a prevenção de complicações oftalmológicas em saúde pública. Futuros estudos deverão investigar a interação entre o microbioma oral, a inflamação sistémica e a saúde ocular, promovendo uma abordagem médica mais integrada, preventiva e personalizada.
