Percorrer por autor "Ferreira, Maria Cristina Gonçalves"
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- Doença oncológica em crianças, sentido de imortalidade simbólica e ansiedade perante a morte em dois grupos de paisPublication . Ferreira, Maria Cristina Gonçalves; Martins, José SoaresO cancro representa uma experiência dramática na vida de qualquer pessoa, em particular quando afeta crianças. Na União Europeia registam-se mais de 2 milhões de casos de cancro e mais de 1 milhão de mortes por ano. Entre a população portuguesa, os tumores malignos, são uma das principais causas de morte e a origem de tantos medos e tabus na nossa sociedade. O presente estudo propõe-se investigar a influência da doença oncológica infantil no desejo de imortalidade simbólica e na ansiedade perante a morte de um grupo de pais, comparando-os com um grupo de pais com filhos sem cancro. Para compreender melhor as dificuldades e as formas encontradas para lidar com esta situação tão difícil, foram aplicadas as versões portuguesas da Sense of Symbolic Imortality Scale (SSIS; Drolet, 1990) e da Death Anxiety Scale (DAS; Templer, 1970), juntamente com um questionário para recolha de dados sociodemográficos. Participaram neste estudo 106 sujeitos da comunidade (60 mulheres e 46 homens), entre os 27 e os 54 anos de idade, divididos em dois grupos demograficamente semelhantes de 53 pais de filhos com doença oncológica e 53 pais com filhos saudáveis. Foram encontradas diferenças significativas entre os grupos no sentido de imortalidade simbólica (p=0,003), e nos modos: transcendental (p=0,000), biológico (p=0,005) e natural (p=0,007). Pais com filhos com doença oncológica mostraram um maior sentido de imortalidade simbólica, que se correlaciona positivamente a ansiedade perante a morte (r=0,42). Os modos que mais se correlacionam com a ansiedade perante a morte são o modo transcendental (r=0,47), criativo (r=0,38) e natural (r=0,31). Apenas no grupo de pais com filhos com cancro, foi encontrada uma associação entre a SISS e o nível de escolaridade (p=0,009) e entre a DAS e o sexo (p=0,019) e a DAS e a idade (r=0,31). Neste o grupo de pais, 30% da variância na DAS é explicado pelo modo transcendental imortalidade simbólica e pela idade. As diferenças significativas entre os grupos, as correlações encontradas e consistência de resultados no grupo de pais com filhos com doença oncológica, sugerem alguma especificidade deste grupo de sujeitos, abrindo as portas a estudos exploratórios mais aprofundados e a investigações mais abrangentes desta temática junto a esta população, procurando suplantar as limitações deste estudo
