Percorrer por autor "Cordova Jerves, John Sebastian"
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- Escetamina: uma estratégia inovadora para o tratamento da depressão resistentePublication . Cordova Jerves, John Sebastian; Pimenta, Adriana; Souto, RenataA escetamina, o enantiómero S da cetamina racémica, tem sido amplamente investigada como uma alternativa terapêutica inovadora na depressão resistente ao tratamento (TRD), uma condição clínica complexa caracterizada pela ausência de resposta a múltiplos antidepressivos tradicionais. Este trabalho consistiu numa revisão crítica da literatura científica recente, com foco nos mecanismos farmacológicos, farmacocinéticos, bem como na eficácia e segurança da escetamina administrada por via intranasal (ESK-IN) em associação com antidepressivos orais. A escetamina atua como antagonista dos recetores NMDA nos interneurónios GABAérgicos, o que leva a um aumento da libertação de glutamato e à ativação subsequente dos recetores AMPA, mecanismos que estimulam a neuroplasticidade e contribuem para a sua ação antidepressiva rápida. A análise dos principais ensaios clínicos de fase 3, incluindo os ensaios clínicos TRANSFORM-1, TRANSFORM-2, TRANSFORM-3, ESCAPE-TRD e os estudos SUSTAIN-2 e SUSTAIN-3, demonstrou uma redução significativa dos sintomas depressivos em diversos subgrupos de doentes com TRD em especial o ensaio clínico TRANSFORM-2, no qual a ESK-IN associada a antidepressivos resultou numa diferença média de -4,0 pontos na escala MADRS face ao grupo placebo. A via intranasal revelou vantagens farmacocinéticas claras, como maior biodisponibilidade e início de ação mais rápido face à via oral. No entanto, a ESK-IN exige monitorização rigorosa, devido ao seu perfil de efeitos adversos, como dissociação, elevação transitória da pressão arterial e risco potencial de abuso. Foram ainda discutidas perspetivas futuras da escetamina noutras perturbações psiquiátricas, incluindo depressão pós-parto, perturbação bipolar e stress pós-traumático onde os resultados preliminares têm sido encorajadores. Ainda assim, apesar dos dados promissores, é essencial o desenvolvimento de estudos independentes, controlados, com maior duração e amostras mais representativas, de modo a consolidar o perfil de eficácia, segurança e aplicabilidade da escetamina na prática clínica alargada.
