Percorrer por autor "Alves, Carina Carneiro"
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- Vírus, cancro e vacinas – efeitos adversos da vacina contra o vírus do Papiloma HumanoPublication . Alves, Carina Carneiro; Medeiros, RuiIntrodução: As vacinas profiláticas são importantes para a saúde pública, mas podem estar associadas a efeitos adversos (EA), que contribuem para a sua menor aceitação pela população. A infecção pelo vírus do papiloma humano (VPH) é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns a nível mundial, infectando mulheres e homens. Este vírus é responsável, principalmente, por verrugas genitais e cancro do colo do útero (CCU). As vacinas Gardasil® e Cervarix® são duas vacinas de partículas semelhantes a vírus (VLP) profiláticas contra infecção por VPH, aprovadas pela FDA e pela EMEA. O vírus da hepatite B (VHB) pode originar hepatite aguda ou hepatite crónica e é a maior causa de carcinoma hepatocelular (CHC). As vacinas profiláticas contra esta infecção são, também, vacinas de VLP. Objectivos: Efectuar uma actualização do conhecimento científico sobre os EA conhecidos e associados à vacinação contra o VPH e comparar com os EA descritos para a vacina contra o VHB. Material e métodos: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os EA da vacina contra o VPH e da vacina contra o VHB, utilizando-se a base de dados MEDLINE do National Center for Biotechnology dos EUA, com interface de pesquisa Pubmed para pesquisar artigos de revisão entre 2004 e 2010 para a vacina contra o VPH e 1995 e 2010 para a vacina contra o VHB. Efectuou-se uma análise quantitativa e qualitativa dos EA descritos na literatura encontrada para uma posterior comparação entre a vacina contra o VPH e a vacina contra o VHB. A análise quantitativa foi efectuada com base no índice de citação de EA (ICEA), sendo este referente à razão entre o somatório de artigos referentes a cada EA citado e o número total de artigos analisados. Resultados e discussão: Os EA com maior ICEA (mais frequentemente citados) para a vacina contra o VPH são: dor no local de aplicação, eritema e inchaço, efeitos gastrointestinais, febre baixa e dor de cabeça. Contudo, aquele com maior probabilidade de citação para esta vacina é a urticária. Para a vacina contra o VHB os EA com ICEA mais elevado são: esclerose múltipla ou esclerose em placas, sintomas reumatológicos, GBS, trombocitopenia, dor no local de aplicação, fadiga e febre baixa, sendo que para esta vacina a esclerose é o EA com maior probabilidade de ser relatado. Os EA graves foram mais frequentemente citados para a vacina contra o VHB do que para a vacina contra o VPH. A percentagem de EA graves referidos foi superior para a vacina Gardasil® (53%) quando comparada com a percentagem de EA graves verificados para a vacina Cervarix® (35%). Conclusão: Observou-se que as vacinas contra o VPH apresentam uma baixa incidência de citação de EA, sendo muito rara a ocorrência de referências a EA considerados graves. Mais ainda, este perfil é sobreponível quando em comparação com as vacinas contra a hepatite B para a grande maioria dos EA relatados. Numa perspectiva futura, dever-se-á continuar a avaliação e a monitorização dos EA verificados para a vacina contra o VPH e atribuir uma relação causa/efeito aos mesmos. O desenvolvimento de vacinas profiláticas de menor custo, vacinas de protecção mais ampla (contra mais tipos de VPH oncogénicos) e vacinas terapêuticas são, também, assuntos de grande interesse para perspectivas futuras.
