Repositório Institucional da Fernando Pessoa
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Sucesso de implantes dentários em pacientes com doença periodontal: revisão narrativa
Publication . Abehsera, David Samuel; Mendes, Daniela Martins
Introdução: Nas últimas décadas, a reabilitação oral com implantes dentários tornou-se um tratamento rotineiro e eficaz para pacientes parcial ou totalmente desdentados. Os implantes endósseos apresentam elevadas taxas de sucesso a longo prazo, embora possam ocorrer complicações biológicas como a peri-implantite. A peri-implantite é uma condição inflamatória que afeta os tecidos peri-implantares e está associada a fatores de risco como a periodontite, o tabagismo, o mau posicionamento do implante e a acumulação de placa bacteriana. Entre estes, a história de periodontite tem sido amplamente estudado, embora a associação com falha do implante e peri-implantite permaneça algo inconsistente. Algumas evidências sugerem que os doentes com doença periodontal prévia apresentam um maior risco de inflamação do tecido peri-implantar e de perda óssea marginal. Apesar da previsibilidade da terapia com implantes, estes riscos realçam a importância de identificar fatores específicos do paciente que influenciam a osteointegração e os resultados a longo prazo. Uma melhor compreensão destas variáveis é crucial para melhorar os protocolos clínicos e garantir um sucesso mais previsível dos implantes. Objetivo: avaliar o sucesso de implantes dentários em pacientes com doença periodontal, nomeadamente a estabilidade dos implantes, a taxa de sobrevivência dos implantes e os fatores que influenciam diretamente o seu sucesso.
Metodologia: Para esta revisão integrativa foi realizada uma pesquisa bibliográfica realizada em bases de dados eletrónicas (PubMed, SciELO e Web of Science) recorrendo a uma query, focando em estudos publicados entre 2015 e 2025. Os artigos foram selecionados de acordo com critérios de inclusão e exclusão previamente determinados. Resultados: No global os estudos demonstram elevadas taxas de sucesso e de sobrevivência a longo prazo, variando geralmente entre 91% a 99% e 72% a 95%, respetivamente. No entanto, pacientes com história de periodontite tendem a apresentar taxas de sucesso e de sobrevivência ligeiramente inferiores em comparação com indivíduos periodontalmente saudáveis. Embora alguns estudos não tenham encontrado diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, outros relataram um risco aumentado de falha do implante e complicações biológicas, especialmente em casos de periodontite agressiva generalizada. As taxas de peri-implantite variaram entre aproximadamente 10% a 24%, sendo a mucosite ainda mais prevalente. A maioria das falhas de implantes ocorreu nos primeiros três anos após a colocação. Os fatores que influenciam os resultados do implante incluem o estado periodontal e a gravidade da doença prévia.
Conclusão: Embora as taxas de sobrevivência dos implantes se mantenham elevadas, mesmo em doentes com antecedentes de periodontite, o sucesso a longo prazo é influenciado por fatores como a gravidade da doença e as complicações biológicas. Apesar de as diferenças de sobrevivência entre pacientes periodontalmente saudáveis e comprometidos não serem frequentemente estatisticamente significativas, as formas avançadas de periodontite estão associadas a riscos acrescidos de complicações, especialmente peri-implantite. A maioria das falhas ocorre entre os 3 e os 10 anos após a carga, enfatizando a importância do seguimento a longo prazo. De um modo geral, os implantes dentários são uma opção de tratamento fiável, mas resultados ideais exigem uma avaliação de risco individualizada e cuidados de suporte rigorosos.
Associação entre periodontite e parto pré-termo: revisão narrativa
Publication . Madeira, Andrea Frederico Pereira; Macedo, José Paulo
Introdução: A relação entre periodontite e gravidez, nomeadamente o risco de parto pré-termo e/ou baixo peso ao nascer, é uma temática amplamente investigada na literatura científica dada a relevância clínica destes desfechos obstétricos. O parto pré-termo representa a principal causa de recém-nascidos com baixo peso (< 2.500g), e está associado a elevada mortalidade e morbidade a curto e longo prazo. Apesar da vasta investigação, persistem divergências nos resultados atribuídas á heterogeneidade metodológica, às limitações dos estudos, e á complexidade dos mecanismos imunológicos envolvidos. Ainda assim, diversos estudos sustentam a hipótese de que a inflamação periodontal possa representar um fator de risco significativo.
Objetivo: Analisar criticamente os estudos disponíveis sobre a associação entre periodontite e parto pré-termo e/ou baixo peso ao nascer procurando compreender os mecanismos envolvidos e a força da evidencia atual.
Métodos: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura com base em estudos científicos publicados entre 2002 e 2025, recorrendo às bases de dados PubMed/ Medline, Google académico, e à biblioteca da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa. Esta metodologia de pesquisa levou à identificação inicial de 128 artigos. Após a leitura do abstract, e aplicação de critérios de inclusão e exclusão foram selecionados 16 artigos: 7 revisões sistemáticas, 3 revisões sistemáticas com meta-análise, 3 meta-análises e 3 revisões narrativas uma vez que agrupam, de forma organizada, as informações resultantes de um conjunto de estudos, realizados separadamente, apresentando os seus resultados e convicções numa única conclusão.
Resultados /conclusão: A elevada maioria dos estudos aponta para uma relação positiva entre a periodontite e o parto pré-termo, indicando uma possível associação. Embora subsistam divergências nos resultados, vários estudos de elevada qualidade metodológica apontam esta correlação. A prevenção e o tratamento periodontal durante a gravidez podem ter um papel relevante na promoção da saúde materno-infantil.
O papel da medicina dentária na prevenção e tratamento da apneia obstrutiva do sono relacionada com a obesidade: uma revisão integrativa
Publication . Rebola, Fábio Silva; Guerra, Rita; Santos, Pedro Teixeira
Fundamentação: A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é uma desordem respiratória crónica e multifatorial, associada a hipoxemia intermitente, fragmentação do sono e consequências clínicas e sociais significativas. A obesidade é reconhecida como seu principal fator de risco modificável, enquanto a nutrição e a medicina dentária vêm sendo progressivamente incorporadas às estratégias de rastreio e tratamento.
Objetivos: Esta revisão integrativa da literatura teve como objetivo analisar as interfaces entre AOS, obesidade, nutrição e atuação da medicina dentária, identificando padrões, lacunas e propostas interdisciplinares.
Desenvolvimento: A pesquisa foi conduzida nas bases PubMed, Web of Science e LILACS, entre janeiro e abril de 2025, utilizando descritores combinados com operadores booleanos. Foram incluídos 28 estudos publicados entre 2020 e 2025, analisados qualitativamente e organizados em quatro eixos temáticos: (1) fisiopatologia da AOS em contexto de obesidade, (2) intervenções nutricionais, (3) atuação da medicina dentária e (4) modelos de abordagem interdisciplinar. Os resultados indicam que a adiposidade visceral influencia diretamente a colapsabilidade da via aérea superior e agrava marcadores inflamatórios. Estratégias alimentares como a dieta mediterrânica, bem como intervenções hipoenergéticas, mostraram-se eficazes na redução da gravidade da AOS e no controle de comorbidades. A medicina dentária destaca-se tanto no rastreio clínico como na terapêutica com dispositivos intraorais, especialmente os de avanço mandibular. A integração entre especialidades favorece diagnósticos precoces, maior adesão terapêutica e melhores desfechos clínicos.
Conclusões: Conclui-se que o manejo da AOS deve ser centrado no paciente e pautado por uma abordagem multidimensional, envolvendo profissionais de diferentes áreas. A escassez de ensaios clínicos e a heterogeneidade metodológica apontam para a necessidade de futuras investigações com maior rigor científico e padronização interdisciplinar.
Designs de cavidade de acesso: preservação estrutural e risco de fraturas dentárias póstratamento endodôntico – revisão integrativa
Publication . Asad, Amira; Martins, Luís França
A cavidade de acesso é a etapa inicial do tratamento endodôntico e desempenha um papel crucial na eficácia e longevidade do dente tratado. A presente estudo tem como objetivo comparar os diferentes designs de cavidade de acesso, tradicional (TradAC), conservadora (ConsAC) e ultraconservadora (UltraAC) quanto à preservação estrutural do dente e o risco de fraturas dentárias pós-tratamento endodôntico. Por meio de uma revisão integrativa da literatura científica publicada entre 2015 e 2025, foram analisados 45 artigos, onde foram priorzados estudos in vitro, revisões sistemáticas e meta-análises que abordassem a relação entre o design da cavidade de acesso e fatores como resistência à fratura, eficácia da instrumentação e qualidade da obturação. Os resultados demonstraram que cavidades minimamente invasivas (ConsAC e UltraAC) preservam melhor a estrutura dentária e contribuem para maior resistência à fratura, principalmente em dentes com estrutura coronária remanescente reduzida. No entanto, esse benefício estrutural pode vir acompanhado de desafios clínicos, como a dificuldade na localização dos canais e maior risco de insucesso da instrumentação e obturação, o que pode comprometer o selamento e favorecer a reinfeção. A literatura também revela que o uso de tecnologias auxiliares, como microscópio operatório e instrumentos ultrassónicos, é essencial para superar as limitações dos acessos conservadores. Além disso, a técnica restauradora empregada após o tratamento endodôntico influencia significativamente a resistência final do dente, sendo muitas vezes mais determinante do que o tipo de cavidade utilizado. Embora a cavidade de acesso tradicional ofereça previsibilidade e facilidade de execução, sua abordagem mais invasiva compromete a integridade biomecânica do dente a longo prazo. Por outro lado, a UltraAC apresenta grande potencial em termos de preservação, mas requer maior precisão técnica e suporte tecnológico para garantir sua eficácia clínica. Conclui-se que, embora os acessos conservadores ofereçam vantagens biomecânicas claras, ainda são necessários mais estudos clínicos robustos para validar sua superioridade e viabilidade em longo prazo. A escolha do design ideal deve considerar não apenas a anatomia dentária e o caso clínico, mas também os recursos disponíveis e a experiência do profissional.
Análise comparativa do tratamento ortodôntico convencional versus tratamento com alinhadores dentários de última geração: revisão sistemática integrativa
Publication . Elbaz, Sami; Assunção, Amélia; Pinho, Mónica Morado
Introdução: O tratamento ortodôntico teve avanços significativos nos últimos anos, disponibilizando várias opções para ajudar os pacientes a obter um sorriso estético. Os aparelhos convencionais, o pilar do tratamento ortodôntico durante décadas, envolvem o uso de braquetes e fios de metal para mover gradualmente os dentes para a posição desejada, sendo frequentemente associados a desconforto, restrições alimentares e preocupações estéticas. A introdução dos alinhadores de nova geração revolucionou o tratamento ortodôntico ao oferecer uma alternativa quase invisível, e são apelativos por serem mais estéticos e por ser possível remover durante as refeições e para higiene oral. Apesar da crescente popularidade, ainda é discutida a sua eficiência em comparação aos aparelhos fixos convencionais. É essencial compreender as diferenças entre o tratamento ortodôntico convencional e os alinhadores invisíveis, dado que com avanço da tecnologia, os pacientes e profissionais de medicina dentária necessitam de informações baseadas em evidências para tomar decisões seguras e eficientes.
Objetivo: Avaliar e comparar as evidências disponíveis dos resultados do tratamento ortodôntico com alinhadores invisíveis e aparelhos fixos convencionais, tendo em consideração a eficácia e tempo de tratamento, o conforto e a estabilidade dos resultados. Metodologia: Pesquisa bibliográfica realizada nas bases de dados Pubmed recorrendo a MeSh Terms combinados com os operadores booleanos e focando em estudos publicados entre 2014 e 2024. Os artigos foram selecionados de acordo com critérios de inclusão e exclusão previamente determinados.
Resultados: Relativamente à eficácia do tratamento, a maioria dos estudos verificou que os dois tipos de tratamento são eficazes na correção de diferentes tipos de má oclusão, apresentando resultados comparáveis em termos de alinhamento dentário, melhoria oclusal e taxas de sucesso clínico. Quanto à dor e conforto, a maioria dos estudos indica que os alinhadores transparentes estão associados a níveis mais baixos de dor e maior conforto durante o tratamento, especialmente nas fases iniciais. A duração média do tratamento, vários estudos referem que os alinhadores invisíveis podem permitir tratamentos mais curtos. A maioria dos estudos aponta para um menor número de consultas programadas e de urgência nos pacientes tratados com alinhadores invisíveis. No que respeita à saúde periodontal, os estudos tendem a mostrar melhores resultados nos pacientes com alinhadores invisíveis. Por outro lado, em termos de estética do sorriso e resultados estéticos finais, alguns estudos sugerem uma ligeira vantagem dos aparelhos fixos convencionais, nomeadamente em aspetos como o controlo de movimentos dentários mais complexos. A maioria dos estudos revela uma maior satisfação entre os utilizadores de alinhadores transparentes, sobretudo devido à estética e ao menor desconforto.
Conclusão: Tanto os alinhadores invisíveis como os aparelhos fixos convencionais são eficazes no tratamento de más oclusões, com resultados semelhantes em alinhamento e sucesso clínico. No entanto, os alinhadores invisíveis oferecem maior conforto, menos dor, menor duração do tratamento, menos consultas e melhor saúde periodontal. Já os aparelhos fixos podem ter ligeira vantagem em alguns aspetos estéticos. A satisfação dos pacientes tende a ser maior com os alinhadores invisíveis, principalmente por sua aparência discreta e conforto. A escolha do tratamento deve considerar as necessidades e preferências individuais.
