Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/6081
Título: Os meninos de Heliópolis e Região
Outros títulos: o ser e fazer de adolescentes em conflito com a lei e a sintomática criminal
Autor: Pereira, Ricardo Rentes Rodrigues
Orientador: Jólluskin, Gloria
Palavras-chave: Adolescente em conflito com a lei
Identidade
Crime
Ato infracional
Vulnerabilidade
Comunidade
Adolescent in conflict with the law
Identity
Crime
Infraction act Vulnerability
Community
Data de Defesa: 24-Jul-2017
Resumo: A presente pesquisa teve como principal objetivo compreender a visão dos adolescentes em conflito com a lei perante o fenômeno da criminalidade e levantar as ideias desses jovens acerca dos porquês de ingresso na vida do crime e quais suas perspectivas de futuro vinculadas a prática infracional. O cenário escolhido foi a Comunidade de Heliópolis, uma das maiores da América Latina, localizadas na região sudeste da cidade de São Paulo. Como referencial teórico utilizamos autores clássicos e pesquisadores contemporâneos, bem como realidades empíricas perante o Ser e Fazer dos jovens envolvidos com a prática infracional. O público alvo específico foram 70 adolescentes, do sexo masculino, entre 12 e 19 anos, pertencentes a comunidade local e em acompanhamento de medida socioeducativa em meio aberto, libertada assistida (LA) e/ou em prestação de serviços a comunidade (PSC). O método escolhido foi a pesquisa qualiquantitativa, pesquisa de campo em pesquisa-ação. Como procedimentos de coleta de dados, foram utilizados o Desenho Estória com Tema e o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os resultados em relação a pesquisa-ação nos apontou que a comunidade de Heliópolis possui potencial interventivo vinculado a sua construção protetiva e histórica, porém necessita de uma equipe que receba cuidados e apoio dentro do escopo de trabalho para o desenvolvimento de fatores protetivos aos jovens e suas famílias. A insalubridade e a solidão vividas por essas equipes demonstraram por vezes um abandono cíclico e continuo, muitas vezes próximas, ao do público alvo ao qual foram designadas para cuidar, potencializador da prática da violência. Após as intervenções realizadas, a relação dos jovens e das respectivas famílias com a medida socioeducativa mudou tanto qualitativamente como quantitativamente, seja em relação a qualidade do vínculo, seja pela quantidade de jovens e familiares que passaram a frequentar o serviço, buscando auxilio, atendimento, acolhimento, respaldo e companhia. Contudo o trabalho mostrou também que não basta uma mudança na comunidade local ou dentro do serviço de medida, mas sim que se faz necessária a mudança efetiva dentro dos poderes da rede de apoio, social e jurídica. Quanto ao significado do fenômeno do Crime para esses jovens, os resultados apontaram o Crime na como um fenômeno multifatorial, condicionados a desigualdade social, necessidade financeira, busca de senso de pertencimento, formação de identidade, direito ao consumo, condições de sobrevivência, revolta e sentimento de injustiça, firmamento dos papéis sociais de poder e reconhecimento, busca de si mesmo como manifestação de algo perdido e ainda o crime como uma forma de comunicação e expressão social, seja ela simbólica ou concreta. Com relação as perspectivas dos jovens acerca do futuro dentro do universo infracional, encontramos uma visão de destino idealizado, uma pseudo-facilidade de rompimento da prática infracional, uma vida heróica, aspectos onipotentes. Outros jovens apresentaram um desejo de rompimento da prática infracional depositando em figuras externas, como a figura materna e equipe de acompanhamento da medida, uma esperança de apoio e um reconhecimento da necessidade de ajuda. Por outro lado, alguns jovens apontaram poucas expectativas de futuro, reforçando a permanência no mundo do crime como consequência de ausências de oportunidades. O futuro foi visto pela maioria como representante de uma vida curta, real, intensa, conflituosa e em busca de sentido, mesmo que para isso o caminho fosse trágico, com sofrimento, prisão e morte. Dessa forma parte dos jovens denotaram que estariam dispostos a viverem tais riscos, se esses fossem necessários, como condição para se sentirem vivos e reais, mesmo que por pouco tempo, mesmo que mediante a possibilidade de sofrerem, de serem presos ou de morrerem.
The main objective of this research was to understand the view of adolescents in conflict with the law in the face of the phenomenon of crime and to raise the ideas of these young people about the reasons for crime of life beginning and their future perspectives related to the infraction practice. The chosen scenario was the Heliopolis Community, one of the largest in Latin America, located in the southeast region of the city of São Paulo. As a theoretical reference we use classic authors and contemporary researchers, as well as empirical realities before the Sejf and Do of young people involved with the infractional practice. The specific target group was 70 adolescents, male, between 12 and 19 years old, belonging to the local community and in attendance of socioeducative measure, assisted-release (LA) and / or community services (PSC). As data collection procedures, we also use, with adolescents, the Theme Story Design in conjunction with the Collective Subject Discourse (DSC). We use content analysis, the psycho-social and psychoanalytic for the interpretation of the collected material. The results in relation to action-research show us that the Heliopolis community has an intervention potential linked to its protective and historical construction, but needs a team that receives care and support within the scope of work to develop protective factors for young people and your families. The unhealthiness and loneliness experienced by these teams have sometimes shown a cyclical and continuous abandonment, denoting a transferential movement of experiences often close to the target audience to which they were assigned to care, at the risk of promoting what they would like to combat, in that Violence. After the interventions carried out in the territory and within the services, the relationship between the young and their families with the socio-educational measure has changed both qualitatively and quantitatively, either in relation to the quality of the link and the purposes of the measure, or the number of young people and Began to attend the service, seeking help, care, hospitality, support and company. However, the work also showed that a change in the local community or within the measurement service is not enough, but rather that effective change is necessary within the social and legal support network. Regarding the meaning of the Crime phenomenon for these young people, the results pointed to Crime in adolescence as a multifactorial phenomenon, conditioned to social inequality, financial need, search for a sense of belonging, identity formation, right to consumption, conditions of survival, revolt And a sense of injustice, a firmament of the social roles of power and recognition, a search for oneself as a manifestation of something lost and still as a form of communication and social expression, be it symbolic or concrete. With regard to future perspectives within the infraction universe, young people denoted a destiny vision linked factors such as the idealization of the future as something, a pseudo-ease of breaking the infraction practice or a heroic life, Omnipotent. Other young people presented a desire to break the practice of infraction by placing a hope of support and recognition of the need for help in external figures, such as the mother figure and the follow-up team. On the other hand, some young people show little hope for the future, reinforcing their presence in the world of crime as a consequence of lack of opportunities. The future was seen by the majority as a representative of a short, real, intense, conflictive life and in search of meaning, even if the path were tragic, suffering, prison and death. In this way some of the young people denoted that they would be willing to live such risks. If they were necessary, as a condition to feel alive and real, even for a short time, even if through the possibility of suffering, of being arrested or of dying.
URI: http://hdl.handle.net/10284/6081
Designação: Mestrado em Criminologia
Aparece nas colecções:FCHS (DCPC) - Dissertações de Mestrado

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