Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/5121
Título: Correios de droga detidos em Portugal
Outros títulos: trajetórias de vida e significados do crime Universidade
Autor: Santos, Joana Labrincha Costa dos
Orientador: Sacau, Ana
Matos, Raquel
Palavras-chave: Reclusão
Reclusos
Narcotráfico
Correios de droga
Trajetórias de vida
Significados do crime
Detention
Detainees
Narcotraffic
Drug couriers
Life trajectories
Meanings of crime
Data de Defesa: 2015
Editora: [s.n.]
Resumo: A presente tese versa sobre as trajetórias de vida de homens detidos em Portugal que se constituíram como correios de droga no narcotráfico, procurando compreender em particular os significados que os mesmos atribuem ao crime nessas trajetórias. A literatura tem evidenciado o número crescente de correios de droga, justificando-se a realização de estudos empíricos para compreensão desta problemática. A nível teórico partimos de abordagens acerca das trajetórias de vida e envolvimento no crime em geral, para nos determos em particular sobre as trajetórias de vida de correios de droga. Foi desenvolvido um estudo qualitativo, que permitiu aceder às narrativas dos reclusos sobre o modo como o narcotráfico surge nas suas trajetórias de vida. Os dados foram recolhidos através da realização de entrevistas qualitativas aprofundadas a 24 correios de droga recluídos num estabelecimento prisional do Norte do país, a partir do guião de entrevista Trajetórias de vida de correios de droga, adaptado de um guião proposto de Matos, Machado, Barbosa e Salgueiro (2010). Posteriormente, as entrevistas foram transcritas e analisadas sob os pressupostos da grounded analysis, com recurso ao programa informático Nvivo10. A análise dos dados evidenciou, antes de mais, que estes homens iniciaram o crime de forma tardia, já na idade adulta. Evidenciou ainda a existência de três grupos que se distinguem pelos percursos de vida e significados atribuídos ao narcotráfico: dois grupos de homens que se constituíram como “mulas” e um terceiro grupo de reclusos que entraram no narcotráfico como self-employed. Relativamente aos self-employed, percebemos que se trata de homens que tendem a encarar o crime como um negócio, tendo interesses comerciais elevados e viajando com frequência. Quanto aos homens identificados como “mulas”, para alguns o envolvimento no narcotráfico esteve associado a pressão económica ou coação. A vulnerabilidade está presente no caso destes reclusos, sendo que tal vulnerabilidade está associada à vitimação decorrente do seu envolvimento no narcotráfico. A motivação esteve, nestes casos, associada à necessidade de satisfação e/ou proteção das famílias. Para outros reclusos que se constituíram como “mulas”, as motivações associaram-se sobretudo à intenção de melhorar o seu estilo de vida, não tendo sofrido vitimação no seu envolvimento no crime. Concluímos, por isso, que a designação “mulas” não pode ser assumida como categoria única e que o estatuto de “mulas” do narcotráfico não está inevitavelmente associado a vitimação.
The present theses verses on the life trajectories of men detained in Portugal, whom have become drug couriers in narcotraffic, seeking to understand the meaning these men attribute to crime throughout those trajectories. Literature has put to evidence the crescent number of drug couriers, justifying the empirical studies on this issue’s comprehension. On a theoretical level we set off by overviewing life trajectories and involvement with crime in general, in order to detain ourselves with drug smuggling trajectories. A qualitative study was undertaken to access the detainees’ narratives about how narcotraffic arises in their life trajectories. The data was collected through in-depth qualitative interviews to 24 drug couriers detained at a prison in the North of the country, from the interview script Trajetórias de vida de correios de droga, adapted from the proposed script by Matos, Machado, Barbosa e Salgueiro (2010). Subsequently, the interviews were copied and analyzed according to grounded analysis, with the use of Nvivo10 informatics program. The data analysis showed, above all, that these men entered into crime at later stages in their lives, as adults. Furthermore, it put into evidence the existence of three groups that distinguish themselves by their life courses and meanings they attribute to narcotraffic: two groups of men we identify as “mules” and a third group of detainees that undertake crime as self-employed. Regarding the self-employed we understood they tend to face crime as a business, with high commercial interest and frequent travels. Concerning the men identified as “mules”, for some the involvement in narcotraffic was associated to economic pressure or coercion. The vulnerability is present in these detainees’ case, associated to the victimization resulting of their involvement in narcotraffic. Motivation was, in these cases, associated with the need to satisfy and/or protect their families. For other detainees considered “mules” the motivations associated mainly to the intent to improve their life style, not having suffered victimization in their involvement in crime. Therefore, we conclude that the designation “mules” cannot assume one unique category and that the status “mule” in narcotraffic is not inevitably associated with victimization.
Descrição: Tese apresentada à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Doutor em Ciências Sociais, especialidade em Psicologia
URI: http://hdl.handle.net/10284/5121
Aparece nas colecções:FCHS (DCPC) - Teses de Doutoramento

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