Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/5079
Título: Capitães do Fim
Autor: Nogueira, António Inácio Correia
Orientador: Maia, Rui Leandro
Data de Defesa: 2015
Editora: [s.n.]
Resumo: Nos anos terminais da Guerra do Ultramar, a Academia Militar deixou de cumprir, por falta de candidatos, a sua missão capital: formar as elites militares intermédias de combate. Os Capitães do Quadro Permanente soçobraram. Ficou-se em presença de um Exército quase miliciano, num clima de forte contestação à guerra e de fraca motivação para lhe dar continuidade. No entanto, a defesa do Império, a todo o custo, era a política vigente, apesar do visível cansaço da Nação. Para ajudar a obviar este desiderato, e de forma surpreendente, foi determinada por despacho de 20 de Julho de 1970 do Ministro do Exército, Horácio José de Sá Viana Rebelo, a formação acelerada de Capitães milicianos na Escola Prática de Infantaria. Formaram-se à volta de cento e sessenta por ano. Em cerca de catorze meses fazia-se de um estudante universitário, quase sempre, em estádio avançado de licenciatura ou já licenciado, um Capitão combatente para actuar nos teatros de guerra mais exigentes de Angola, da Guiné e de Moçambique. O modo de selecção destas novas elites pelejadoras, e a formação apressada a que foram sujeitas, deram ensejo a que alguns as apelidassem, desdenhosamente, de “Capitães de proveta” ou “de “aviário”. Aplica-se, neste contexto, em alternativa, a expressão Capitães do Fim. Como foram seleccionados, formados e que desempenhos e protagonismos tiveram estes Capitães, nos teatros de Angola, da Guiné e de Moçambique, no comando de Companhias em quadrícula ou independentes de intervenção? A resposta tem enquadramento na sociologia e na história, ainda que de especificidade militar, em coerente continuum de procedimentos metodológicos qualitativos e quantitativos. Com recurso a autobiografias e a histórias de vida de guerra de muitos dos actores-Capitães ainda vivos, valorando-se dessa forma o tecido da participação-acção, entrecruzando os fios de vida das pessoas com aquilo que foi o seu terreno, o irrepetível e o individual, e contribuindo para a construção de conhecimento, procura trazer-se luz a um assunto que, no tempo, vai certamente, com reinterpretações, ter continuidade de investigação.
In the final years of the Ultramarine War, due to candidates´ scarcity, the Military Academy stopped complying to its core mission - to train the middle ranked fighting military elites. The commissioned captains foundered. All left was a quasi-militia army amongst strong opposition to war and lack of motivation to pursue it. However, the stated policy was the protection of the Empire, at all costs, despite the evident strain of the Nation. To support this aspiration, and surprisingly, it was determined, by the promulgation of the Army Minister, Horácio José de Sá Viana Rebelo, decree of 20th July 1970, to speedily train a militia of captains at the Infantry Practical School. Around one hundred and sixty captains were graduated per year. Within about fourteen months, a university student, often in later stages of his five-year full-time first degree (licenciatura), or already graduated, was converted into a fighting captain to act in the most demanding war circumstances in Angola, in Guinea and in Mozambique. The selection methods of these new belligerent elites and their rushed training, led to their, pejorative, appellation of the "beaker” or “avian” captains. Alternatively, henceforth, in this context, they will be referred to as Captains of the End. How were these captains selected, trained and which performance and role had in the war environments in Angola, in Guinea and in Mozambique, in charge of both territorial companies or independent platoons? The answer is framed in sociology and history, even though with military specificity, in coherent continuum of qualitative and quantitative methodological procedures. Resorting to autobiographies and histories of war episodes of many still alive actors-captains, and hence valuing the fabric of the participation-action, and crisscrossing life yarns of people with what was their own grounds, the unrepeatable and the individual, and hence contributing to building knowledge, to shine light on one subject that, in the future, will certainly, be subject to reinterpretations and further research.
Au cours des années des terminaux guerre outre-mer, l'Académie militaire n'a pas respecté, faute de candidats, leur capitale mission: former des élites militaires provisoires de lutte. Le cadre permanent de capitaines a sombré. Est resté en présence d'une armée presque milicien dans un climat de forte opposition à la guerre et de la faible motivation de donner une continuité. Toutefois, la défense de l'Empire était à tout prix la politique en vigueur, malgré la fatigue visible dans la nation. Pour remédier à ce souhait et étonnamment, il a été déterminé, par arrêté du ministre de l’armée, 20 juillet 1970, Horácio José de Sá Viana Rebelo, accéléré la formation des capitaines de milice à l’école d'infanterie. Formé d'environ cent soixante par an. À environ quatorze mois était un étudiant, presque toujours, à un stade avancé de degré, ou déjà une licence, un combattant de capitaine à effectuer dans les théâtres les plus exigeants de la guerre en Angola, en Guinée et au Mozambique. La sélection de ces nouvelles élites combattants et la formation hâtive dont ils sont victimes, a donné lieu à certains de l'appellent, avec mépris, comme «in vitro» ou capitaines de «Volière». S’applique, dans ce contexte, comme alternative, les Capitaines de la Fin. Comment ont été sélectionnés, formés et ce en direct et l'envie d'avoir ces capitaines dans les théâtres de l'Angola, en Guinée et au Mozambique, en charge de compagnies de la grille ou indépendante de l'intervention? La réponse a cadre en sociologie et en histoire, quoique spécificité militaire cohérente continuum des procédures méthodologiques qualitatives et quantitatives. En utilisant les autobiographies et des récits de vie de beaucoup de joueurs guerre-capitaines encore en vie, en prenant soin lui-même, de cette manière, le tissu de participation-action, traversant les fils de la vie des personnes atteintes de ce qu’était sa terre, l’inimitable et l’individu et qui contribuent à la construction des connaissances, cherche à apporter la lumière sur une question qui, dans le temps, va certainement, avec des réinterprétations, avoir une continuité de la recherche.
Descrição: Tese apresentada à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Doutor em Ciências Sociais, especialidade em Sociologia
URI: http://hdl.handle.net/10284/5079
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