Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/2600
Título: Líquen plano oral e vírus da Hepatite C
Outros títulos: que relações?
Autor: Zenha, João Pedro Gomes
Orientador: Silveira, Augusta
Data de Defesa: 2011
Editora: [s.n.]
Resumo: O líquen plano, uma doença mucocutânea autoimune crónica, afecta a pele, mucosa genital, couro cabeludo, unhas e também a mucosa oral em 60-70% dos casos, sendo designada então por: líquen plano oral. Apesar da sua etiologia exacta ser desconhecida, o líquen plano é caracterizado por uma resposta imunológica mediada por células contra antigénios no epitélio da pele e/ou mucosa. O diagnóstico do líquen plano oral pode ser realizado através das características clínicas se elas forem suficientemente próprias, mas a biópsia é recomendada para confirmar o diagnóstico, excluir a displasia e malignidade, e decidir clinicamente se o tratamento activo é recomendado. O exame histológico revela tipicamente hiperqueratose, degeneração das células basais e um infiltrado linfocitário denso bem definido na derme superficial. Algumas lesões de líquen plano oral sofrem transformação maligna e a incidência exacta dessa transformação e seus mecanismos são ainda fonte de controvérsia. Alguns factores etiológicos hipotéticos, associam-se principalmente as restaurações em amálgama e o vírus de hepatite C que têm sido estudados em detalhe. A associação epidemiológica do líquen plano com a infecção pelo vírus da hepatite C tem sido registada em diversos países, tendo sido isolados RNA-VHC e anticorpos anti-VHC da pele e mucosa oral em doentes com líquen plano e infecção crónica pelo vírus da hepatite C. O vírus da hepatite C é um vírus envelopado e de vertente única de RNA da família Flaviviridae. A infecção pelo vírus da hepatite C representa um problema de saúde global com uma prevalência global de cerca de 3% (cerca de 170 milhões de pessoas, a maioria infectada cronicamente) representando uma importante causa de morbilidade e mortalidade. O vírus da hepatite C é um vírus hepatotrópico e linfotrópico, e a infecção crónica pode causar, por um lado, hepatite crónica, cirrose e carcinoma hepatocelular e, por outro lado, diversas manifestações extrahepáticas que incluem crioglobulinemia mista, porfiria cutânea tarda e líquen plano. A presente revisão foca-se na questão de avaliar o papel potencial do líquen plano em diagnosticar a infecção pelo vírus da hepatite C como um dos primeiros marcadores evidentes da doença hepática crónica potencialmente fatal. A correlação entre o líquen plano e infecção pelo vírus da hepatite C tem sido amplamente investigada e discutida na literatura científica. Enquanto estudos de diversos países demonstram uma associação significativa entre o líquen plano e infecção pelo vírus da hepatite C, outros refutaram esta associação. Como o vírus se pode replicar na pele e mucosa oral e células T VHC específicas podem ser encontradas na mucosa oral de doentes com hepatite C crónica e líquen plano, o vírus da hepatite C pode estar implicado na patogénese do líquen plano. A terapia anti-VHC tem sido associada a um pior prognóstico das lesões de líquen plano, mas ainda existem poucos estudos detalhados e mais pesquisa é necessária. Apesar da associação entre a infecção pelo vírus da hepatite C e o líquen plano permanecer discutível, uma maior seroprevalência anti-VHC positiva é detectada entre os doentes com líquen plano oral de diferentes países. Os resultados de múltiplos autores em diversos estudos mundiais enaltecem ainda a importância de efectuar um teste de rastreio para detecção do vírus da hepatite C, nos doentes diagnosticados com líquen plano oral. Salienta-se ainda o papel relevante dos profissionais de medicina dentária neste contexto, optimizando as estratégias de tratamento da hepatite C e favorecendo um melhor prognóstico.Lichen planus, a chronic autoimmune mucocutaneous disease affects the skin, genital mucosa, scalp, nails and also oral mucosa in about 60-70% of cases, being so designated by: oral lichen planus. Although its exact aetiology is unknown, lichen planus is characterized by a cell-mediated immunological response to antigens of skin and/or mucosa epithelium. The diagnosis of oral lichen planus can be made from the clinical features if they are sufficiently characteristic, but biopsy is recommended to confirm the diagnosis, exclude dysplasia and malignancy, and to clinically decide whether active treatment is required. Histopathological examination typically shows hyperkeratosis, basal cell degeneration and a dense well defined infiltrate of lymphocytes in the superficial dermis. Certain oral lichen planus lesions undergo malignant transformation and the exact incidence of this transformation and its mechanisms are still controversial. Some hypothetical etiological factors, mainly amalgam restorations and hepatitis C virus have been studied in detail. The epidemiological association of lichen planus with hepatitis C virus infection has been recorded from several countries and HCV-RNA and positive anti-HCV antibodies have been isolated from lesional skin in patients with lichen planus and chronic hepatitis C virus infection. Hepatitis C virus is an enveloped, single-stranded RNA virus of the Flaviviridae family. Hepatitis C virus infection represents a major global health problem with a global prevalence of about 3% (about 170 million people, most of whom chronically infected) representing a potential cause of substantial morbidity and mortality. Hepatitis C virus is both an hepatotropic and a lymphotropic virus, and chronic infection can cause, on one hand, chronic hepatitis, cirrhosis and hepatocellular carcinoma and on the other hand, several extrahepatic diseases including mixed cryoglobulinemia, porphyria cutanea tarda and lichen planus. This review focuses on the dilemma in evaluating the potential role of lichen planus in diagnosing hepatitis C virus infection as one of the first overt markers of potentially fatal chronic liver disease. The correlation between lichen planus and hepatitis C virus infection has been largely investigated and discussed at scientific literature. While studies from several centers across the world show a significantly association between hepatitis C virus infection and lichen planus, anothers have refuted such an association. As the virus may replicate in the skin and oral mucosa and HCV-specific T cells can be found in the oral mucosa of patients with chronic hepatitis C and lichen planus, hepatitis C virus may be implicated in the pathogenesis of lichen planus. Therapy anti-HCV has been also associated with a worse prognosis of oral lichen planus lesions, but there are few detailed studies and more research is needed. Although the association between hepatitis C virus infection and lichen planus remains debatable, a relatively higher positive anti-HCV seroprevalence is seen among oral lichen planus patients from different countries. The results of multiple authors in several studies across the world still praise the importance of making a screening test for detection of hepatitis C virus in patients diagnosed with oral lichen planus. It is also stressed the important role of dental professionals in this context, optimizing the treatment strategies of hepatitis C and supporting a better prognosis.
Descrição: Trabalho apresentado à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Medicina Dentária.
URI: http://hdl.handle.net/10284/2600
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